10 autoras negras para ler em 2016

Por Ariadne Chaves - 24/04/2016 22h06
    Aproveitando que ainda estamos no primeiro semestre do ano, resolvi fazer uma lista de 10 autoras negras de diferentes países, um passeio pelo mundo das palavras guiado por diferentes mulheres e culturas. Vamos aos nomes e boa leitura:
1) Toni Morisson (EUA)
1
   A americana que já ganhou o Nobel de literatura e o Pulitzer de ficção também teve seu livro Amada escolhido pelo New York Times como o melhor obra de ficção Americana dos últimos 25 anos. Escreve peças de teatro, livros infantis, ensaios e romances. Seus livros são marcados por mulheres negras com histórias de grande peso dramático.
2) Teresa Cárdenas (Cuba)
2
A escritora cubana ganhou o premio Casa de Las Americas em 2005 com seu livro Cartas para a minha mãe, suas ficções dão local de destaque e voz a quem quase sempre é silenciado. Sua narrativa volta ao passado da escravidão cubana e transforma memórias em prosa.
3) Marguerite Abouet (Costa do Marfim)
3
Abouet nasceu em Abidjan, é uma escritora reclusa, não tem o hábito de mandar seus textos para editores. Seu primeiro quadrinho Aya de Yopougon ganhou o prêmio Melhor Álbum de Estreia em 2006 no Festival Internacional de HQ de Angoulême. Aya é considerada por muitos uma história leve e alegre por não falar das guerras e pobrezas econômicas da Costa do Marfim, no entanto, toca em temas como violência, aborto, abuso sexual e o lugar da mulher na sociedade marfisense.
4) Maria Firmina dos Reis (Brasil)
4
A maranhense que nasceu em 1825 é considerada por muitos pesquisadores como a primeira romancista brasileira. Foi uma mulher a frente do seu tempo, seu livro Úrsula é pioneiro em romance com temática abolicionista e é o primeiro romance afro brasileiro. Maria Firmina fazia de sua literatura o mesmo que fazia em sua vida pessoal: mostrava a todos as podres entranhas da sociedade de sua época. Como professora denunciava a educação de difícil acesso do século XIX, nos seus livros desenvolve camadas psicológicas das personagens negras com ricas colocações e abre as feridas da escravidão aos olhos do leitor.
5) Yvonne  Vera (Zimbábue)
5
Nascida no Zimbábue em 1964 Yvonne Vera é uma autora de temas fortes. Em 2004 ganhou o premio sueco Tucholsky por seu conjunto de obras que falam de temas tabus como estupro, infanticídio, desigualdade de gênero e incesto. Seus livros receberam bastantes prêmios na Europa e no continente africano, é apreciadíssima por quem estuda pós-colonialismo na África. Morreu em 2005 vitima da AIDS, deixando seu ultimo romance, Obediência, inacabado.
6) Flora Nwapa (Nigéria)
6
Flora foi uma das primeiras romancistas africanas, seu livro de estreia Efuru de 1966 baseia-se em uma antiga lenda de sua região, nele uma mulher é a escolhida pelos deuses. Gosta de recriar os mitos e tradições pelo ponto de vista feminino.
7) Cristiane Sobral (Brasil)
7
Cristiane Sobral, que nasceu no Rio de Janeiro, escreve poesias e peças teatrais. Estudou teatro no SESC do Rio de Janeiro, gradou-se em interpretação teatral pela universidade de Brasília. Em 1998 teve sua estreia na poesia com textos publicados nos Cadernos Negros (nas edições 23,24 e 25), em 2010 lançou o aclamado Não vou mais lavar os pratos, publicado pela editora Thesaurus.
8) Carolina Maria de Jesus (Brasil)
8
Carolina nasceu em 1914 em Minas Gerais, filha de analfabetos aprendeu a ler graças a uma mulher rica que resolveu bancar a educação de algumas crianças do bairro. A mãe da escritora a obrigou a frequentar a escola, no segundo ano já não ia mais para as aulas, o pouco tempo de estudo foi suficiente para aprender a ler e escrever. Teve reconhecimento quando lançou Quarto de despejo, livro de 1960, uma espécie de diário da autora. O livro foi traduzido para 14 línguas em 20 países. Edições novas são difíceis no Brasil, no entanto é de fácil acesso encontra-lo em formato pdf.
9) Paulina Chiziane (Moçambique)
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Em Moçambique a literatura é atividade predominantemente masculina, Chiziane que nasceu 1955 e tornou-se a primeira mulher a publicar um romance em seu país na década de 90. Com Niketche: uma historia de poligamia, ganhou o prêmio José Craveirinha em 2003. O livro foi publicado no Brasil pela Companhia das letras.
10) Elisa Lucinda (Brasil)
10
Elisa Lucinda é uma mulher que não descansa, brasileira de origem ítalo-luso-africana tem uma carreira que passeia pela literatura, música teatro, televisão e jornalismo. Com mais de 10 livros publicados, Elisa também lançou cds de poesia e fundou  a Casa-Poema  local que capacita profissionais através da poesia falada, desenvolvendo o lado expressivo e cidadão dos alunos. Recebeu o Prêmio Altamente Recomendável, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ. Seu mais recente livro é Fernando Pessoa, o Cavaleiro de Nada.

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