Seis poemas de Vivaldo Simão

Por Redação Entrecultura - 29/04/2016 10h01

 

 

poemas

        Vivaldo Simão nasceu em Crato-CE, mas radicou-se em Oeiras-Piauí. É formado em Letras/Português, com especialização em Estudos Linguísticos e Literários. Embora apaixonado por Literatura desde criança, “descobriu” tardiamente a poesia. Considera Drummond e Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa) como seus poetas preferidos, mas aprecia muito Camões, Mário Quintana, Leminski, João Cabral de Melo Neto, Ferreira Gullar, Vinícius de Morais, Cecília Mereles. Mantém com Edilberto Vilanova e Rogério Freitas o blog O Baião de três (www.obaiaodetres.blogspot.com) e participou da coletânea “12 poetas de Oeiras”, escolhemos hoje, seis poemas de sua obra para você leitor. Que a degustação comece!

 

Poemas
1.
véspera do parto:
perto da canção.
o esboço de um salto
na escuridão
linhas de palavras
fina tessitura
cobra armando bote
arma e armadura,
livra-me do medo,
manto da palavra
salva-me do espanto
de não dizer nada
sons de claridade
desfiando o breu
no fim, cara-a-cara
a canção e eu

2.
MADRUGADA EM PELO
Sob o olhar penetrante da lua
a cidade sinuosa
se insi’NUA

3. LILI
Lili tinha tranças ligeiras
que adejavam enquanto fugia
de mim após o abraço
que roubou numa armadilha
eu usava roupa nova
com gravata borboleta
e era bobo feito bicho
que caiu em arapuca
um abraço foi tudo que Lili me disse.
levei para além da infância
para entender…
Lili subiu pras estrelas
quatorze dias depois
suas tranças não puderam
conter o corpo pequeno
de menina caindo
do alto de uma mangueira
e partiu na derradeira febre

4. BANDEIRA BRANCA
foi preciso ser triste
nos primeiros anos
para achar no escuro
a chave da porta
posta sobre os versos
(os primeiros que amei)
depois pulei carnaval
nas entrelinhas dos sonhos
e soprei pra bem longe as cinzas
do último dia
meu coração não precisa mais
de dor e espanto
pra cantar
e eu canto
para encher o espaço
com tudo de mim

5. TRANSUBSTANCIAÇÃO
(dedicado a Rejane Meyson, pela inspiração)

Tomai a vida que codifico
Nas entrelinhas dos meus versos
Eis o meu corpo e o meu sangue

6.
Um lábio que beija os lábios
(desvelando um oásis de secretas secreções)
no jogo entre a língua e a palavra mais intocável
capturando idiomas de suspiros e silêncios
nas fagulhas que se derramam.
falo adentro, labirinto de Teseu
pelo afora, o novelo de tesão
fonte de onde nasce o enredo
de um enlace proibido
cântaro de “exsexos”
Sémele germinando em suas coxas
liber libido

 

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