Constantine é bissexual

Por Redação Entrecultura - 16/05/2016 16h58

cons

Estou aqui com uma nova revista do Constantine: Fantasmas do Passado (140 páginas, R$19,9) e preciso recomendá-la para vocês.

Normalmente, o mais correto é ler algo até o final antes de tecer uma crítica, mas não foi o caso, porque precisei de poucas páginas para simpatizar com essa história em quadrinhos. Acontece que, se você já leu as histórias do personagem escritas por Jamie Delano ou Garth Ennis conhece bem que antes de ser simplesmente “Constantine”, o título chamava-se “Hellblazer” e a pegada era outra.

Há 4 ou 5 anos atrás, a editora DC (dona do personagem), resolveu reformular todo o seu universo editorial e relançou praticamente tudo que publicava, chamou a isso de “Novos 52”. O título “Hellblazer” acabou. No lugar de um personagem soturno, sujo e escroto, surgiu uma HQ clean que tentava agradar leitores mais acostumados com Superman ou Batman. Nada contra esses dois ícones dos quadrinhos, mas a ideia errada foi nivelar Constantine ao mainstream do universo de superheróis. Não deu certo. Não fui o único que colecionava o personagem há décadas e que não conseguiu acompanhar seu novo título mensal, ou o Liga da Justiça Dark, revista onde ele era o líder de um grupo de mágicos ou místicos (poderia ser bom, só que não foi).

Enfim, talvez eu esteja sendo apenas um velho (ainda vou fazer 34), mas o fato é que li 8 ou 9 edições daquele título do Constantine e achei um lixo. O ponto de virada aqui é que após apenas 20 páginas desse novo encadernado, algo aconteceu e foi o redespertar do interesse. A princípio, Constantine, nessa nova aventura, não faz nada de excepcional: 1)condena uma mulher ao inferno poque ela havia matado várias pessoas em um ritual satânico, 2) conversa com “fantasmas do passado” que atormentam sua via, 3) usa magia para roubar novas roupas. Coisas que costuma fazer frequentemente.

Mas, por volta da página 19 ou 20, foi quando resolvi parar de ler porque já havia sido fisgado, vemos algo realmente curioso: Constantine vai até um tipo de bordel que imita os nove círculos do inferno de Dante, onde cada andar tem um tipo específico de cliente, e isso é muito legal, mas, antes disso, ele entra em um bar onde encontra um homem de quase dois metros de altura e ombros largos. Sabe o que ele pensa: “olá, estranho bonitão”. E começa a flertar com o cara. Sim! Constantine é bissexual! Fato que é dificilmente abordado em suas Hqs, porque trata-se de um tabu. Algo que muitos leitores (ou mesmo escritores) desavisados poderão repudiar (sim, isso acontece, infelizmente). Então, vale a pena ler algo fora do comum mas que continua abordando aspectos fiéis ao personagem.

Outro fato curioso é que Constantine teve poucas autoras por trás de suas histórias. Já li Denise Mina (do arco Empatia é o Inimigo e outras). A escritora deste novo arco chama-se Ming Doyle e acredito que ela sabe o que está fazendo.
O traço também foge do comum e com um pouco de leitura você acaba aprendendo a gostar.
Parece ser o velho Constantino para novos leitores. O que deveria ter sido a reformulação proposta para os Novos 52. Algo novo se você não quiser ficar preso aos clássicos escritos por Jamie Delano ou Garth Ennis.

Comentar