Bolinhas de sabão flutuando pelo ar: plec!

Por suporte - 06/12/2016 23h58

Abri a caixinha mágica da alegria. Não mais a zona eleita energizando nossas vidas. Não mais mísseis invisíveis em minha alma. Plec! Alumínio balão avião, não caia, caia, aqui na minha mão: plec! Leio a bula de nossas vidas cheia de reações adversas. Uma boneca em cada mil morre convulsiva no meio do salão. Plec! Cuidado, não misture a fuga com a fuga porque é capaz de você parar no nada sem tempo, vê só, se você fugir e fugir vai chegar onde mesmo? No céu é que não vai ser. Vai se desdobrar dentro do nada. Sem tempo. Tô te dizendo.

Eu tenho medo. Tenho medo de ficar parada e viajar pra dentro do meu corpo, passear nessa morada enquanto as folhas farfalham Deus sobre a minha pele. O arrepio do amor é medo em mim, me salve! Deito, abraço o chão, terra, raízes, me tirem desse vôo loop seguido de queda livre no inferno. Duas horas de paz é muito pouco. Faço o quê? Cuido das plantas, dou banho nas pedras.

Mas todos ao redor estão no mesmo barco. Plec! Melhor vazar num salto do que ficar na lagoa da jiboia, achando mesmo que tá de boa, vai nessa.  O mergulho é pra dentro, já sussurrou o poeta.

Sinto falta de ar em alguns assuntos.

Mas também, ó.

Gravatas articulam por trás das atas quantos mil reais  vão pagar a próxima sentença. Um lobo cruza uma montanha invisível na memória do planeta, sozinho e esquecido. Menino bobinho publica sua certeza no facebook e depois se esconde no banheiro e chora, confuso. Urso devora coca-colas num cenário de isopor. Menina de oito anos brinca de se esconder dentro do guarda-roupa pra ver se alguém nota e dorme. Mulher morre de ataque do coração após realizar o sonho da festa de casamento. Noivo se joga da ponte porque ficou endividado e viúvo.

Etecétera, etecétera, etecétera… PLEC!

 

 

 

 

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