Encrespa Piauí: empoderamento e valorização da estética negra

Por Redação Entrecultura - 23/02/2017 12h10

O Encrespa Piauí é um projeto que visa fortalecer a autoestima, autoaceitação e empoderamento de pessoas com cabelos crespos e cacheados, reforçando a luta pela valorização da estética negra e o direito à autonomia do corpo.

Segundo uma das organizadoras do Encrespa, Amara Brandão, o padrão de beleza divulgado pela mídia é uma forma de mutilação da beleza negra. “Durante muitos anos, as mulheres negras tiveram que se adequar aos padrões eurocêntricos pré-estabelecidos, na expectativa de serem aceitas na sociedade. O mercado não tinha a intenção de investir em produtos para pele negra ou cabelo crespo e cacheado. Todo produto lançado para as negras era com intuito de construir uma imagem que se aproximasse do padrão de pessoas brancas. O cabelo alisado era visto como arrumado, embranquecendo assim as características do corpo negro”, explica.


Foto: Madú Rocha

Para Amara, as mulheres negras são as que mais sofrem preconceito, por conta do “padrão branco”. “Toda mulher sofre ou já sofreu algum tipo de preconceito que, de algum modo, abalou sua confiança. Mas para as negras, acreditamos que seja pior, por causa do “padrão branco” em que vivemos. Elas são as mais lesadas, pois tentam se adaptar a esse padrão. O maior exemplo disso é o alisamento do cabelo para que as mulheres negras sejam aceitas”.

Foto: Madú Rocha

E para incentivar a autoaceitação de pessoas com cabelos crespos e cacheados é realizado o Encrespa, evento anual que conta com rodas de conversas e oficinas de diversas temáticas. “A terceira edição, que acontece em março, vai seguir a mesma linha das edições anteriores. Levaremos rodas de conversas e oficinas, sorteios e depoimentos dos participantes, além de oficinas de turbantes e maquiagem. Esse ano também teremos rodas de conversas com as temáticas: apropriação cultural, estética negra, empoderamento da mulher negra e transição capilar”, diz Amara Brandão. Foto: Madú Rocha

Amara conta que a proposta deu tão certo que outras ações são realizadas ao longo do ano, para além do evento. “O Encrespa foi pensado para ser anual, mas com o amadurecimento da ideia e o crescimento do público, vimos a necessidade de realizar mais ações. Já foram realizadas ações com o intuito de doar alimentos para um orfanato em Teresina, um Cine Debate com a temática “resistência negra”, e as organizadoras estão sempre envolvidas em oficinas, palestras e debates. O nosso desejo para o futuro é a fundação de um coletivo”.

Cine Debate/ Lançamento da 3º edição do Encrespa Piauí.  Foto: Madú Rocha

O Encrespa Piauí também trabalha com a valorização da estética negra como forma de resistência. “Nossa luta é coletiva, nunca é só por nós individualmente. O empoderamento é trabalhado através da valorização da estética negra como forma de resistência, resgatando assim a identidade e autoestima. Essa valorização é importante para que meninas e meninos, mulheres e homens, deixem de ver sua negritude como algo negativo, aceitando suas identidades através das referências negras e dos debates que ocorrem durante os eventos”, conclui Amara Brandão.

Foto: Lucas Brandão

A 3º edição do Encrespa Piauí acontece no dia 12 de março, às 16h, no Parque da Cidadania.

Comentários

Encrespa Piauí: empoderamento e valorização da estética negra – Viraw

[…] Por Raquel Melo, do Entre Cultura  […]

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