Conseguir “se aceitar” é a melhor coisa.

Por Redação Entrecultura - 24/08/2017 11h08

De todas as coisas que busco em mim, a que me causa mais aflição, é a minha própria falta de aceitação. Nunca entendi direito o que estou fazendo aqui e o porquê. Sou e me sinto diferente.  Difícil até de explicar. Cresci assim. Na infância e na adolescência tive muitos amigos e era bem popular, mas depois disso, não consigo manter vínculos por tanto tempo.  Tenho preguiça social, não tenho paciência para uma boa escuta do outro.

Passei um bom tempo na adolescência, vivendo dentro do meu imaginário. Tinha várias experiencias, umas boas e outras nem tanto, mas de todo jeito, era ótimo. Me sentia segura assim!  Tinha o controle.  Só que não!

*** Querer controlar tudo é perda de tempo. Ter fé e acreditar na força do Universo e do Divino Criador, faz sentido pra mim.

Nesse processo de busca fiz uma regressão e foi percebido com clareza a minha dificuldade de estar neste plano. Difícil explicar porque não tenho credencial para isso, mas vou propor entrevista com o profissional que fez a regressão em mim para explicar melhor para vocês. Enfim , um dos exercícios que o “orientador” pediu que fizesse foi a repetição contínua da frase: “Sim, eu aceito estar aqui”.  A princípio não fazia o menor sentido, mas cumpri a risca.  Repetia diariamente, várias vezes.  Até que com o tempo e com a continuação da regressão, o entendimento foi chegando de mansinho.

Na adolescência, lembro bem que o me trouxe “pra cá” e que fez algum sentido na minha vida foi quando descobri as poesias do Vinícius e as músicas do Tom.  Ficava em êxtase. Sofria horrores escutando e lendo aquelas palavras benditas, mas amava.  Antes disso, bem antes, lembro de ter caído de amor pela capa de um LP do Chico Buarque. Ficando olhando aquilo horas. Era o Chico de bigode numa mesa de bilhar (rsrsrsrsr).  Mas era bem pequena mesmo, lembro que morava na rua Álvaro Mendes e por isso avalio uns 4 ou 6 anos de idade.

Muito doloroso viver sem fazer muito sentido. Não pensava em morrer, nada disso. Mas também não entendia o que estava fazendo aqui. Qual era a minha missão mesmo?

Enfim, quis ser médica,  jornalista, blá,blá,blá,blá,  mas de verdade, nunca soube responder a tal pergunta: ” o que você quer ser quando cescer”?
Rsrsrsrsr… Rindo de canto de boca agora,  mas na época ficava mesmo era no vácuo.  Todo mundo cobrava um direcionamento, uma decisão e eu não tinha nada para dizer sobre isso.  Não sabia mesmo.  Pior era ver todos os meus amigos e amigas tomando um rumo profissional e  eu, nada!

Nessa época comecei a sentir pena de mim mesma e daí comecei a me retrair, não me aceitava e acreditar que havia algo de muito errado comigo. Como assim, se todo mundo estava indo para algum lugar, porque que eu não poderia ir também? O que estava faltando? Estímulo?  Desejo?
Sei lá! Nunca soube responder essas perguntas.
Gostava mesmo era de ficar escutando música, calada e pensando.

Na verdade, não sabia mesmo para onde ir.  Para mim bastava aquilo e ficar perto da minha família. Pois é , se não sabemos para onde queremos ir, complica! Não vamos para lugar algum.

Fui tão exigida e não sabia o que fazer que aprendi a “me perder” de mim mesma.  De vez em quando me abandonava, o que me deixava mais triste ainda.
Tinha também uma coisa bem importante que tem que ser compartilhada, eu era gorda, e ninguém aceitava . Nunca houve aceitação de ninguém, nem eu mesma aceitava. Sempre me sentia excluída e diferente, tipo fora do padrão. Comecei a fazer dieta com acompanhamento médico aos 10 anos de idade.
A mensagem era bem clara, se é gorda é ser incompetente, não sabe nem gerenciar apropria comida.

E ainda mais para piorar. Tinha o tal mito de que mulher gorda não consegue namorar. Agora estava lascada mesmo, como  o “príncipe encantado” viria me buscar?
Imagina aí a pessoa se sentir excluída, diferente, fora do padrão. Quem  iria me amar?  Não foi moleza não.  Junte toda essa negação com a ausência de todo esse entendimento que contei.  Era uma bomba cheia de sentimentos e prestes a explodir.

Então resolvi ser transgressora.  Sair de dentro de mim mesma a força.  Falava alto, ria mais alto ainda, me vestida para “causar”, bebia e fumava e tocava o terror como se não houvesse amanhã. Posso nem mentir, que dava para me divertir muito.  A diversão era  intensa, mas durava bem pouco.  Logo voltava pata o vácuo.  Causava muita tristeza em mim e em  quem gostava de mim.

Bom foi ótima essa experiência de tentar escrever um pouco sobre essa fase da minha vida. Depois escrevo mais sobre isso. Tem muita coisa  para ser dividida aqui no DESPRETENSÃO. A ressonância com vocês e com o Universo fazem um eco extremamente positivo na minha vida. Sou grata por isso!

Ainda hoje é bem difícil tentar organizar esses pensamentos e sentimentos. Qualquer pessoas que botar os olhos aqui com atenção e intenção, vai encontrar a palavra NÃO várias vezes.

E essa é mais uma tarefa diária, dizer SIM para a vida.  Agradecer profundamente por estar aqui,  amar e aceitar quem sou de maneira incondicional.

Vale muito tentar!

 

 

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