O tradicional Reisado de Boa Hora sob o olhar de Jimmy Charles.

Por suporte - 11/01/2018 16h39

                                        XIX Festival de Reisado de Boa Hora

 

 

Jimmy Charles e Laina Makena.

 

 Quem já assistiu o Reisado que acontece no município de Boa Hora vai entender o quanto de emoção tem neste texto escrito por Jimmy Charles.

Primeiro, deixa apresentar melhor o Jimmy.

Além de amigo querido, Jimmy Charles é ator, formado pela Escola Livre de Palhaços – RJ, colecionador de chapéus entre muitas outras virtudes. Além de talentoso, Jimmy topou escrever sobre o tradicional  Reisado de Boa Hora para o entrecultura.

Confere aqui!

 

 

 

                                       XIX Festival de Reisado de Boa Hora

O desejo

Já faz uns 4 anos que pesquiso Reisado. Meu interesse começou quando me atentei sobre a importância da cultura popular na nossa identidade quando fiz parte do Conselho Estadual de Cultura, onde aprendi muito convivendo com colegas conselheiros como Cinéas Santos e Manuel Paulo Nunes, verdadeiros baluartes. A tudo melhorou quando conheci Vagner Ribeiro, referência em cultura popular aqui no Piauí. Quando soube que ele tava fazendo um mestrado sobre Reisado pedi pra acompanhar alguns grupos, foi quando ele me falou da existência do Festival de Reisado de Boa Hora. Desde então sempre tentava convencê-lo a irmos e felizmente deu certo nesse ano de 2018.

 

 

 

 

 

 

 

 

A Cidade

A viagem é rápida, entre uma hora e uma hora e meia. Combinamos de ficar na casa do sanfoneiro Zaque, que tocava na Banda do Vagner. A Wânya ainda da banda, que toca violino e rabeca articulou tudo. Quando chegamos na cidade a festa já tava armada, foguetes estouravam no final da tarde pois o festival começa as 18h do dia 05/01/2018. Boa Hora é um município pequeno e de um clima muito bucólico, acolhedor. As ruas do centro são de paralelepípedos e saindo do centro são de terra e nessa época do ano o clima ameno deixa a atmosfera ainda mais delicada. E se respira a festa de Santos Reis. A cidade tem um tom de ancestralidade que quem é piauiense logo se identifica e sente suas raízes bem presentes. A vontade é de ficar ali pra morar.

 

 

 

 

 

 

 

O festival

Quando saímos pro festival e nos deparamos com uma arena lotada com 4 mil pessoas pra prestigiarem uma manifestação da nossa cultura popular a impressão é que estamos diante de um sonho, parece que não é real de tão bonito e comovente que é. É tudo muito bem organizado, são 14 grupos de que são avaliados em vários elementos que compõem o reisado como: adereços, cantadeira, mandador(que canta as toadas e improvisa), caretas, sanfoneiros etc. Que são avaliados por uma banca de jurados. A organização e paixão de todos os envolvidos lembra o que acontece com as escolas de samba no carnaval. A sensação que temos é de gratidão e alívio e ao mesmo tempo de desejo que tudo aquilo cresça e esse amor e zelo pela nossa cultura se espalhe e tome conta de todo o Piauí, do Nordeste e do Brasil. Pois a realidade que se apresenta no restante do estado, da região e do país é de descaso com as tradições orais e muitos mestres acabam morrendo e lavando consigo essas tradições tão importantes que ajudam a definirem um povo. Enquanto em alguns lugares as pessoas se chateiam quando são visitadas por um reisado, na Boa Hora acontece o contrário. E são 14 grupos que começam a peregrinação no dia 1 de janeiro e só terminam no dia 06, começando as 18h e terminando as 10h da manhã. E no dia 06 no final da tarde, quando acontece a morte do boi e por consequência o fim da festa, as pessoas choram porque está acabando. E não tem como quem presencia um momento como esse não se emocionar também, principalmente se for admirador da cultura popular.

Jimmy Charles

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