Conheças as iniciativas e os movimentos do coletivo “Instrumento de Ver”.

Por suporte - 12/01/2018 11h36
“Instrumento de Ver” é um coletivo em todos os sentidos que atua em Brasília. Com um projeto de ter uma sede própria, o coletivo , que ter um espaço cultural para hospedar as artes vivas, as artes do movimento. No novo espaço terá atividades de circo, parkour, dança, acroyoga, teatro e o que mais couber neste espaço.
 
Entrecultura esteve em Brasília e foi conhecer a iniciativa de perto.
Confere aqui!
Entrecultura: Vocês de intitulam como “coletivo em todos os sentidos”. Quais os sentidos essenciais e os que pulsam no Instrumento de Ver?
Instrumento de Ver: Nosso sentido principal é a arte, a criação de novos sentidos, a resinificação. Para isso tanto faz como, e não medimos esforços. Estamos sempre em movimento, e estamos sempre atentos aos desejos de cada um que está com a gente. Somos um coletivo porque só é possível junto, mas somos também cada um, com seu universo de pesquisa, de referências, de possibilidades.
Entrecultura:  As opções de sustentabilidade para um coletivo em Brasília. Quais as possibilidades? Existe algum tipo de resistência?
Instrumento de Ver: Acho que cada um faz do seu jeito, do jeito que pode.  Nós estamos nessa há um tempo e é um leão por dia. Às vezes passamos mais tempo pensando na viabilidade de um projeto e arrumando maneiras pra ele acontecer do que nos dedicando de fato à parte criativa do projeto. Isso nos parece um desperdício, mas continuamos pensando, fazendo e criando formas de sustentabilidade. Com certeza a base da nossa sustentabilidade é a rede de trocas e parcerias que vamos criando ao longo do trabalho, as relações, grupos e pessoas que estão flutuando na mesma forma de funcionar. Não existiríamos sem os nossos parceiros, e eles são muitos. No mais, vamos alternando entre projetos que dependem do público e os que dependem de recursos públicos.
Entrecultura:  Um sede própria vai possibilitar a força de realização em um único espaço para diversas ações. Ação e incentivo. Reação para a falta de espaço para realização dos trabalhos? Por que?
Instrumento de Ver: Porque fazemos muita coisa, somos muito ativos, mas acaba que nos dispersamos muito sem espaço, e achamos que é hora de concentrar. A maioria das nossas atividades precisam de altura e como Brasília é setorizada não encontramos muitos espaços que nos cabem. Passamos alguns anos no Espaço Cultural Renato Russo, mas ele foi interditado e entrou em uma reforma que já passou mais do que da previsão de término. Em 2017 fomos adotados pelo Espaço Pé Direito, na Vila Telebrasília fomos recebidos por parceiros como a Casa da Árvore e a Cervejaria Criolina, o que foi uma delícia, mas não supre totalmente nossa demanda. Queremos entrar nessa roda e contribuir para a cartografia cultural da cidade.
Entrecultura:  A iniciativa pública e privada contribuem? Como? O que falta?
Instrumento de Ver: A iniciativa da comunidade privada e pública contribuem muito. Antes de tudo com o desejo de um novo espaço. O fazer artístico é um trabalho que muitas vezes parece não ter sentido pois não há uma demanda real, diferente do comercio ou serviços. É muito importante pra nós ver e sentir que a comunidade anseia por espaços culturais e quer alimentar a produção artística da cidade. Faltam mais políticas culturais para que as pequenas empresas valorizem os apoios culturais como uma possibilidade de desenvolvimento da economia criativa.
Entrecultura: Estamos vivendo um momento político extremamente sensível e com várias contradições, como reflete na realização de um trabalho coletivo como o Instrumento de Ver?
Instrumento de Ver: Os investimentos e as políticas culturais são os primeiros a serem fragilizados nesse momento. Por outro lado nos unimos mais nas adversidades. Nosso trabalho sempre reflete as nossos anseios e as nossas angústias enquanto indivíduos e cidadãos de um tempo, de uma cidade, de um país e de um mundo. Não somos partidários, nem panfletários, nem militantes, mas a simples escolha de viver de arte já é um posicionamento político que requer muito engajamento, já nos coloca no lado de quem precisa se movimentar muito para que as coisas deem certo.
Entrecultura:  Um coletivo com artistas independentes. E a “cena independente” de Brasília, como funciona? Quais as restrições e resistências? Quais incentivos?
Instrumento de Ver: Somos independentes porque seguimos a nossa pesquisa mas somos totalmente dependentes em outros sentidos. Dependentes do público, das pessoas que acreditam, das parcerias e da própria cena independente, dos outros artistas e realizadores. A cena independente de Brasília é muito forte, somos uma cidade que ferve cultura, desde o início. Temos aqui a força do pioneirismo por ser uma cidade nova e ao mesmo tempo uma boa abertura para o mundo, por sermos a capital do país. Estamos sabendo usar bem essa energia e nos entendendo melhor enquanto cidade, ganhando sotaque.
Entrecultura:  Em 15 anos muito já foi realizado. E pra 2018?
Instrumento de Ver: Colocar esse novo espaço para funcionar vai ser nosso maior desafio. Já estamos sentindo vontade de criar um novo espetáculo e também queremos circular mais os que temos. Atualmente circulamos com Meu Chapéu é o Céu, O Que Me Toca é Meu Também e” Porumtriz”, três espetáculos que abordam temas completamente diferentes mas que tem as acrobacias aéreas como pesquisa comum. Meu Chapéu é o Céu é um espetáculo infantil de rua. É o espetáculo que mais viaja, pela facilidade de estar em qualquer praça. Já rodamos por muitas cidades dentre capitais e interior. O Que Me Toca estreou em Brasília há 6 anos e tem viajado bastante por festivais de circo, teatro e dança pelo Brasil, como Festival do Teatro Brasileiro, Semana do Teatro Maranhão, Circo volante em diversas cidades no interior do Rio, CCP, em várias cidades de São Paulo, Festival Internacional no Rio de Janeiro, CIRCOS do Sesc São Paulo, Festival de Circo de Porto Alegre e, inclusive, no Festival Pisteurs d’Etoiles, na França. Por Um Triz estreou em dezembro de 2015 com uma temporada no Teatro Plínio Marcos na Funarte Brasília e já participou do Festival “Novadança” em Brasília no início de 2016. o espetáculo aproxima o tema do risco às questões artísticas do circense tocando em temas pessoais da artista e ex-atleta Beatrice Martins. Como um espetáculo recém-nascido, vem com um forte potencial de circulação. Além disso estamos prevendo mais uma edição do Festival de circo atual Arranha-Céu e algumas edições do Pão e Circo, na cervejaria Criolina. Pão e Circo é um evento regular evento que mistura pão, cerveja e intervenções cênicas inéditas e criadas especialmente no espaço a cada edição, em comemoração aos 15 anos de atividades do Coletivo, cada vez com um grupo convidado.

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