Conheça O Bandão – banda de marchinhas carnavalescas e autorais de Teresina

Por suporte - 09/02/2018 14h05

Tradicionalmente O Bandão, banda de marchinhas carnavalescas de Teresina, faz apresentações para foliões que gostam de curtir a festa de Momo com muita irreverência, swing e rock’n roll, tendo como diferencial a aposta num repertório autoral.  Formada por 5 integrantes e tendo como idealizadores os músicos, compositores e poetas, Kilito Trindade e Don Ramon, O Bandão tem confirmado ao longo dos anos que defender a nossa cultura é uma forma de defender também a música de qualidade e de relevância social, sem deixar de falar do amor em seus encontros e
desencontros.

É confete pra lá e pra cá com muita animação.

Salve o Bandão!

 

 

 

Entrecultura: O Bandão faz parte de um roteiro alternativo do carnaval teresinense?

O Bandão: Sim, o Bandão começou suas atividades no bairro Ininga em 2013, no centro cultural Casa Gaya e
na encruzilhada do bar do Rufino, como toda encruzilhada é um local de passagem e de encontros, o bloco surgiu dessa confluência entre os moradores da comunidade, os estudantes da universidade federal que fica bem próxima, além de todos aqueles de vários cantos que se juntaram a folia ao longo desses cinco anos de festas carnavalescas do “Bloco de Um Tudo”.

O carnaval de Teresina tem uma rica tradição de blocos e de escolas de samba, mas esse conceito de roteiro alternativo se adéqua porque sempre fizemos a festa nesse local e sem ajuda de recursos públicos como acontece com o corso e os blocos maiores. Esse está sendo o primeiro ano em que saímos de onde o bloco surgiu para tocar com o Bandão pela cidade inteira, levando o trabalho para outros bairros como a comunidade da Boa Esperança nas mediações do parque Lagoas do Norte e para o Saci, no carnaval do bar do Dedim, baile que acontecerá nesse próximo sábado na parte da tarde.

 

 

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Entrecultura: O Bandão é tradicionalmente conhecido como uma das poucas bandas de carnaval daqui de Teresina que investem num repertório autoral. Existe resistência com a música autoral? Vocês consideram o Bandão um resistente?

O Bandão: Essa resistência existe pela própria necessidade, ela se deve a carência institucional e a falta de acesso a recursos públicos e privados destinados às produções culturais em geral, e não só em relação as escolas de samba e os blocos de carnaval, falta também  fomento a uma mentalidade de valorização das produções locais para grande parte da população, o que acaba tornando difícil produzir arte na nossa cidade já que os retornos são incertos e tirar do próprio bolso nem sempre é possível, os nossos gestores e empresários não acordaram ainda para a importância das manifestações artísticas enquanto marcas identitárias do nosso povo, algo que vai muito além de uma mera festa para entreter multidões e gerar lucro. A intenção da gente enquanto grupo que preza pela música autoral é agregar valor cultural acima de tudo, isso sem perder o caráter popular do trabalho mas sem cair no populismo, algo que está em falta na música brasileira midiática, que em grande parte foi cooptada pela indústria massificante.
Essa resistência se reflete também nas marchinhas que tratam de temáticas sociais como a corrupção generalizada,
o preconceito racial, a feminilidade e suas novas expressões e também a violência policial, caso que inclusive aconteceu ano passado durante o nosso baile, onde tivemos a festa invadida sem explicações pela policia militar, que agrediu com spray de pimenta e empurrões os brincantes e ainda levou a mesa de som na tentativa de impossibilitar a festa, coisa que não aconteceu, pois arranjamos outra mesa de som e fizemos na resistência… rs

 

 

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Entrecultura: Provoquei falando de resistência porque quem tem a tradição de acompanhar o Bandão sabe o repertório de cor e salteado. Tem como explicar a sensação desse feito?

O Bandão: Esse é o grande retorno pra gente, a impressão do público ao ouvir e depois cantar as marchinhas, isso
vale muito mais do que qualquer dinheiro pode pagar e vai de encontro ao que foi falado acima, não é que as pessoas
não gostam da arte produzida na cidade, na maioria dos casos elas simplesmente não conhecem, não viram e não tem como saber se gostam ou não, a internet ajuda nisso mas nada como o contato pessoal pra quebrar a frieza do computador, ainda mais se tratando de carnaval.

O grande problema que advém dessa falta de auto conhecimento é que as músicas da mídia hegemônica com suas publicidades milionárias se colocam como a única opção para a maioria, gerando essa decadência que a gente
vê nos grandes meios onde as pessoas acabam confundindo celebridades com artistas devido ao marketing predatório.

 

 

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Entrecultura: O Bandão é um lance agregador. Pode ser para encontrar com amigos, para curtir com a/o namorada/o, para conhecer gente nova… Como definir esse “lance” que o Bandão tem?

O Bandão: O que mais define isso é o próprio nome do bloco,” Bloco de Um Tudo”, expressão muito usada na nossa região, então tem de tudo no Bandão, diversidade essa que se reflete muito na sonoridade, que vai desde a base rítmica com marchinhas e marchas rancho, até os solos do blues e do rock passando pelo samba e os breques do tamborim, uma “Refurnelança” de ritmos e melosidades que agrega a todos, inclusive as crianças que caíram na dança durante a apresentação no Lagoas do Norte, coisa linda e de se ver já que a gente pensava que o Bandão tinha uma faixa etária devido a algumas letras mais irreverentes, mas fomos totalmente dissuadidos disso, as crianças adoraram e brincaram muito ao som das marchinhas… rs

 

 

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Entrecultura: Em 2018 o Bandão virou um projeto itinerante, indo onde o povo quer e está.
Por que dessa mudança? Como tem sido a receptividade do público?

O Bandão: Essa mudança veio de uma necessidade natural de expandir o trabalho do grupo para outros públicos e locais, a gente tem essa raiz no bairro Ininga mas pensamos a longo prazo e em voos altos com esse projeto carnavalesco, de qualquer forma sempre vamos fazer um baile nas mediações do local onde surgiu o bloco, já que foi a espontaneidade dos encontros numa encruzilhada desse bairro que originou tudo, inclusive fizemos um baile no bar Tinindo e Trincando que fica nas mediações para firmar esse ponto, próximo ano vamos atrás de recursos pra fazer na praça que é o local mais apropriado para um baile carnavalesco mais acessível a todos. Quanto a receptividade nos outros locais onde estamos nos apresentando, é sempre a melhor possível, só temos a agradecer a todos aqueles que brincam com a gente e dão seus sorrisos e alegria como combustível para energizar a música feita pelo Bandão.

 

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Entrecultura: O povo pensa que depois do carnaval, vocês ficam quietos e só reaparecem no carnaval de 2019.
Então conta quais são os projetos para esse ano.

O Bandão: Na verdade a produção não para, os planos são vários para esse ano de 2018 que tá só começando, primeiro vamos finalizar as apresentações desse carnaval, depois um descanso merecido, o próximo passo será a gravação do CD oficial com s marchinhas autorais do Bandão, para que no carnaval de 2019 a gente possa fazer o lançamento aqui em Teresina e depois cair na estrada pelo país, indo lançar as marchinhas em Recife, São Paulo e Rio de Janeiro, que são lugares onde já temos contatos com outros blocos e compositores parceiros, e onde mais for possível. E tem mais, uma surpresa para o mês de Junho que é a época em que acontece outra das maiores festas populares do nordeste e de todo o país… mas isso é surpresa, quando chegar a época junina a gente faz outra entrevista pra contar… rs

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