“A alegria da festa é o que me resta”: livro de Fábio Christian conta história da banda Narguilé Hidromecânico

Por Redação Entrecultura - 18/06/2018 14h12

A trajetória do Narguilé Hidromecânico, uma das bandas mais importantes da história do rock piauiense, virou livro. “A alegria da festa é o que me resta” é o nome da obra, escrita por Fábio Christian, músico fundador do grupo, que completa 20 anos de fundação. Fábio escreveu as memórias da banda da perspectiva dos processos de criação dos dois primeiros álbuns gravados, “NarguiléHidromecânico” (1998) e “Poeirão” (2001).

Com revisão de Manoel Ciríaco, diagramação de Artur Fontenele e prefácio de Fifi Bezerra, o livro foi lançado virtualmente no dia 06 de junho no site Clube dos Autores, onde se encontra à venda.

O Entrecultura bateu um papo com Fábio Christian, que falou sobre o livro e trouxe novidades: os discos “NarguiléHidromecânico” (1998) e “Poeirão” (2001) estão disponíveis nas plataformas digitais. Confira a entrevista!

Entrecultura: O que te levou a escrever o livro dos dois álbuns do Narguilé Hidromecânico?

Fábio Christian: Diferentes motivos convergiram. O primeiro deles foi muitas pessoas, fãs, de vez em quando soltando em tom de brincadeira: e o livro?! a segunda: eu estou escrevendo um livro já fazem alguns anos, e desde a última vez q engavetei ele de novo foi por falta de subsídios técnicos pra prosseguir, nada relacionado a criatividade mas a técnica de construção, aí fui estudar, em um dos livros escritos pelo Stephen King, sobre escrita, não um romance, ele deu uma dica que, quando estiver cansado de escrever, escreva uma coisa leve pra descansar, algo que tenha a ver diretamente com você e seja divertido, foi assim que comecei a escrever sobre o Narguilé. A terceira foi o fato de o primeiro álbum completar 20 anos, pensei que algo pra comemorar seria necessário, como não ia rolar show, nem disco, achei conveniente lançar o livro, foi aí que comecei a pensar nele mais conceitualmente.

Fábio Christian / Foto: Lunara Oliveira

Entrecultura: Por que contar a história a partir da perspectiva dos processos de criação dos discos? É diferente de contar simplesmente a história da banda?

F.C: Porque são raras as biografias sobre música com essa abordagem, acredito que pra quem seja fã de alguma banda, seja mais interessante ler aquilo que é relacionado à música de determinado artista do que sobre fatos banais como quantas pessoas levou pra cama ou a quantidade de drogas que consumiu. Também porque como é pra celebrar o aniversário do primeiro álbum, se justifica conceitualmente. É diferente porque os fatos apresentados têm relação com os álbuns, suas canções, sua estética, influências e processo, ainda que de forma indireta.

Entrecultura: Como se deu o processo de construção deste livro? Quais contribuições pode citar?

F.C: Primeiro rascunho foi a escrita automática, usei apenas o critério da cronologia do tempo. Daí passei a refinar as memórias do que estava escrito, outras foram vindo que não surgiram durante a escrita automática, daí consultei amigos sobre fatos que eu não tinha certeza, coleta de material fotográfico. Também apliquei algumas técnicas de cinema pra deixar o texto mais imagético (hahaha). Contribuições técnicas de Edgar Allan Poe em um livro técnico sobre como ele construiu o corvo, de Stephen King o livro Sobre a Escrita, As provocações do Manoel Ciríaco acerca do texto também foram contribuições valiosas. Sem falar no belíssimo trabalho do Artur Fontenele da Elefante 011 com o projeto gráfico, conceitualmente inspirado em capas e pôsteres da cultura punk. O Ciríaco também fez a revisão, o prefácio e do Fifi Bezerra.

Entrecultura: O livro foi intitulado com o trecho de uma das músicas mais conhecidas da banda. Porque escolheu esse título?

F.C: O título original era Radiografia Dissecada, que eu gostava muito, mas o Ciríaco me convenceu de que ele não representava o conteúdo do livro, e disse: procura outro, tu não inventou? te vira! hahaha…escolhi esse título por duas razões, uma porque é um trecho da letra de uma música específica e muito conhecida por sinal, a segunda porque ela sintetiza o momento, que o que nos resta, pelo menos até agora, é o humilde legado deixado pelo Narguilé.

Entrecultura: Qual o legado você acha que Narguilé Hidromecânico deixa para a cena piauiense?

F.C: Essa pergunta me obriga a falar algo que considero importante, o legado do Narguilé tem uma relação direta com as bandas que construíram uma cena roqueira na cidade, porque muitas delas foram nossas influências, senão estéticas e sonoras, sobre a atitude de existir. Bandas como Megahertz, Grito Absurdo, Vênus, Avalon, Verme Noise, Scud. Ainda que precária e restrita, foram essas bandas que preparam o terreno para darmos continuidade. O legado do Narguilé são alguns: popularizar o estilo DO IT YOURSELF, muitas bandas começaram a eclodir inspiradas no Narguilé. Na localização cultural local no cenário nacional, ainda que no underground, e isso se dava de forma simples, apenas valorizando o sotaque, sem ‘viralatismos’. Há uma coisa que também é fato, os palcos de abertura para os shows nacionais quando começamos a estar nesse mercado eram desprezíveis, de madeira e balançavam, respeito nenhum! Quem viveu sabe! O Narguilé era a única banda que reclamava disso abertamente no microfone, o que causou muitas vezes inclusive o fechamento de algumas portas, uma delas na abertura do show dos Raimundos quando falamos que não queríamos mais tocar naquele palco lixo, mas em um palco igual o dos “Nonatos” hahahahaha…e acredite, a mudança veio! Esse legado eu acho importante, ainda que imperceptível!

Entrecultura: Quando o livro será lançado? Onde poderemos encontrá-lo?

F.C: Foi lançado virtualmente dia 06 de junho no site Clube de Autores, versão impressa e Ebook. Logo, logo as pessoas poderão encontrá-lo também na Livraria Cultura e na Estante Virtual.

https://clubedeautores.com.br/book/256445–A_alegria_da_festa_e_o_que_me_resta#.Wx8yyopKjIU

 

#Entrecultura

Comentários

lia raquel carvalho da silva

eu gostaria muito de ter esse livro do fabio,sou admiradora dessa banda ha anooooos.desde 1997,adoooro o fabio,como posso comprar?

11 nov, 2019 Responder

lia raquel carvalho da silva

gostaria muito mais muito mesmo de possuir esse livro do fabio ,falando sobre suas ideias dessa banda que sempre mecheu comigo,adoro e admiro muito,,,,tanto o fabio como a banda ,acompanho desse 1997 abraço

11 nov, 2019 Responder

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