Entrecultura entrevista Nêgo Doka, do grupo de rap Reação do Gueto

Por Redação Entrecultura - 01/07/2018 14h54

O grupo de rap Reação do Gueto surgiu em 2009 na Santa Maria da Codipi, zona norte de Teresina, de uma reunião de amigos: Ricardo Xinxar, Dorneles França (Nêgo Doka), Lucas Carvalho e Rondinele Xuxão. De lá para cá, veio crescendo e se transformou no que chamam de Família RG.

Reação do Gueto (Foto: Ritmo e Poesia)

Atualmente, o Reação do Gueto conta com o Nêgo Doka, Lucas Carvalho e Karynne Silva. As letras retratam a realidade vivida pelo grupo na periferia da capital. Uma crítica ao sistema fundamentada no lugar de fala que os integrantes ocupam.

Além da música, a Família RG movimenta a comunidade em que vive através de outras expressões artísticas e eventos voltados para o lazer, como o Festival de Pipas, que acontece anualmente na região. Para falar um pouco mais sobre a Família RG e a cena hip hop local, o Entrecultura entrevistou Nêgo Doka. Confira!

Nêgo Doka (Foto: Divulgação)

Entrecultura: Como se formou o Reação do Gueto?

Nêgo Doka: O Reação do Gueto teve início em 2009. Quem idealizou o grupo foi o Xinxar, que me chamou. Ele tinha a ideia de chamar o grupo de Reação e perguntei: porque não colocar Reação do Gueto? Ele concordou e a gente firmou. No mesmo dia já começamos a fazer uma letra e convidamos o Lucas, que fechou com a gente, aí ficou eu, Xinxar, o Lucas e o Rondinele, meu irmão. Com o tempo, a galera foi saindo e continuamos eu e Lucas. Gravamos o primeiro CD em 2011, “A ideia que rola”, e em em 2016 gravamos o segundo, “Nordestinamente”. Depois disso, a Karynne chegou e colou com a gente.

Entrecultura: Como o grupo evoluiu de forma a se tornar a “Família RG”?

N.D: O grupo em si não é só três pessoas, tem a galera que faz as discussões, que cola na organização dos eventos, que se identifica com nossas ideias, essa galera a gente chama de Família RG. São todos aqueles que colam e fortalecem. O grupo evoluiu de forma significativa, tanto socialmente, quanto na militância.

Karynne Silva (Foto: Ritmo e Poesia)

Entrecultura: Que avaliação vocês fazem da cena do hip hop em Teresina atualmente?

N.D: A cena do hip hop em Teresina está forte, já foi muito dividida, mas ultimamente estão acontecendo muitos eventos, batalhas de mc’s, as festas de trap… A batida de trap, em si, salvou muito o movimento.  E antigamente era só mais a galera do hip hop que curtia o som, mas agora atingimos outros grupos, principalmente a galera da academia, de classe média e classe média alta.

Entrecultura: Reação do Gueto vem da Santa Maria da Codipi, bairro criminalizado e estereotipado. Como vocês usam a música para levar a realidade do local em que vivem?

N.D: Se procurar na internet notícias sobre a Santa Maria da Codipi, vai ver  muitas reportagens policiais, de prisões, sobre tráfico de drogas, homicídios, feminicídios… É muito raro ter algo que traga uma visão sobre cultura, lazer, reflexo da sociedade doente em que a gente vive. Nós, do Ração do Gueto, temos tentado e temos feito algo diferente. Denunciamos as mazelas do sistema, porque se for analisar, o órgão do estado mais atuante aqui é a polícia, as escolas são sucateadas, algumas até fechadas, aqui na esquina da casa da minha mãe está fechada uma escola do ensino médio e é preocupante. O rap vem falando isso, mas também vem trazendo lazer. O Festival de Pipas é um exemplo disso. Também temos outro evento anual, o “Hip Hop acontece”.

Lucas Carvalho (Foto: Divulgação)

Entrecultura: Vocês protagonizaram “Reação do Gueto”, documentário que tem sido destaque em festivais de cinema. Como se deu esse projeto?

N.D: O documentário foi uma parceria com a galera de jornalismo da Universidade Federal do Piauí, o Weslley Oliveira e o Germano Portela. Eles passaram uns dias com a gente, pegando imagens e trocando ideias, e foi uma experiência muito boa. Espero que a gente possa fazer outras parcerias, divulgando tanto o trabalho deles quanto o nosso, é muito importante essa ponte entre periferia e academia, tem que gerar, a gente tem que andar em sintonia para atingir outros espaços.

Reação do Gueto (Foto: Ritmo e Poesia)

Entrecultura: O que vem de novidade por aí?

N.D: Estamos preparando um novo álbum, com 10 faixas gravadas, produzido pelo DJ PTK. Em breve vamos divulgar nas plataformas e lançar clipes, porque hoje o lance não é só a música, o audiovisual hoje conta muito.

 

Confira o clip de Dia de Combate:

#Entrecultura

Comentários

Leandro Sousa

Muito boa a entrevista! Família RG é referência em Teresina. Grupo muito atuante na cena e de mente aberta para buscar a conquista de novos espaços! É o hip hop dominando tudo. Salve!

02 jul, 2018 Responder

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