Escrito nas profundezas do poço: conheça o mais novo trabalho do rapper Marco Gabriel

Por Redação Entrecultura - 23/07/2018 10h57

O rapper maranhense Marco Gabriel, que se estabeleceu na cena do hip hop teresinense há dois anos, está lançando o EP  de quatro faixas “Escrito nas profundezas do poço”. Este é o terceiro EP de Marco Gabriel, que saiu de São Luís para viver e enfrentar Teresina.

Marco Gabriel (Foto: Divulgação)

Aos 20 anos, o jovem, que mais parece um menino com seu jeito simpático e caloroso, já tem história para contar, e conta todas elas através do rap. Em 2016, a música “Ocupar e resistir”, de sua autoria, ficou bastante conhecida, pelo refrão forte e por retratar a conjuntura da época. Um vídeo onde Marco Gabriel aparece cantando a música em uma apresentação na ocupação da reitoria da Universidade Federal do Piauí (UFPI) foi compartilhado pela página do Facebook da Mídia Ninja, o que gerou muita visibilidade ao seu trabalho.

Seu mais novo EP já tem data de lançamento: 11 de agosto, no Espaço Balde, com participações especiais. O MC bateu um papo com o Entrecultura, falando sobre São Luís, Teresina, hip hop e muito mais. Acompanhe!

Entrecultura: Quando e como começa sua história no rap/hip hop?

Marco Gabriel: Comecei minha caminhada no hip hop no final de 2013, quando participei da oitava marcha da periferia em São Luís e do festival de hip hop que aconteceu logo após a marcha. A partir daquele dia posso dizer que começou minha caminhada, quando conheci os militantes do movimento de hip hop organizado Quilombo Urbano, do qual tempos depois fiz parte.

Entrecultura: Você veio de São Luís (MA), quais as diferenças da cena hip hop de lá para a de Teresina?

M.G: Na minha visão consigo localizar algumas diferenças, a maior delas é que em São Luís os elementos do hip hop, o break, o rap e o grafiti, não têm tanta interação uns com os outros. Tipo, aqui em Teresina as batalhas de MC’s algumas vezes são acompanhadas das batalhas de break, os eventos de grafiti geralmente finalizam com pockets shows de rap e consequentemente contando com a presença de DJj’s, outro elemento da cultura. Lá na ilha isso não é tão comum, nas batalhas de MC’s centrais que aglomeram mais gente, não rola batalha de break, e nos eventos de break, que, mesmo não frequentando sei, não acontecem apresentações de rap, pelo menos não com frequência.

Entrecultura: Como você se inseriu no cenário teresinense? Já tinha contatos antes de vir para cá?

M.G: Há muito tempo já havia essa conexão do hip hop piauiense com o hip hop maranhense. Assim, já conhecia algumas pessoas de Teresina que pude conhecer no tempo que estive na Ilha, principalmente no Encontro do Quilombo Brasil, quando tive o prazer de conhecer o Lucas, do Reação do Gueto, o Bolufão, o Lume e também conheci o DJ 15 em outras passagens Por São Luís. Quando cheguei aqui, logo no primeiro mês, uma antiga parceira minha de São Luís que também é do hip hop vinha compor um evento aqui e me avisou sobre. Acabei indo para o evento e reencontrei todos que já conhecia e mais alguns. Logo ali fiz amizade, peguei contato e somei com a galera do Princípio Ativo, movimento de hip hop militante organizado daqui onde tinha um corre parecido com o do Quilombo Urbano em São Luís. Aí começou o meu corre no hip hop daqui, os primeiros eventos, atividades e etc.

Entrecultura: Uma das primeiras composições suas a ter repercussão nacional foi “Ocupar e Resistir”, com um vídeo gravado durante a ocupação da reitoria da Universidade Federal do Piauí. Como se inspirou para escrever essa letra?

M.G: Têm explicações bem objetivas para a repercussão daquela música. A primeira é que ela é muito real, foi publicada em um momento que aquilo que ela dizia estava acontecendo e que milhares de pessoas compartilhavam do mesmo sentimento. Um fator importante também foi o fato de que a página no Facebook da “Mídia Ninja”, que há alguns anos vem cobrindo as lutas no Brasil inteiro, compartilhou. A partir dela, várias pessoas de outros estados tiveram contato com meu trabalho e consequentemente mostrando para outros conhecidos.

Entrecultura: Como é produzir cultura independente em Teresina?

M.G: As vantagens são que você pode trabalhar mais a vontade, sem muita pressão e o mais importante: a liberdade de fazer e dizer o que quiser. Quem não tem independência na sua arte sempre fica a mercê de algo maior, como um produtor, um empresário ou algo desse jeito. Geralmente artistas desse jeito têm por trás pessoas apenas que querem ganhar dinheiro e mais dinheiro e não importa o que for preciso fazer.

Entrecultura: Fale um pouco sobre seu novo EP, “Escrito nas profundezas do poço”

M.G: Esse novo EP foi fruto de um momento pessoal muito difícil. O que eu tenho para falar desse novo trampo é que as pessoas escutem e tentem se deslocar para a realidade em que eu estava no momento em que compus o som. Muita coisa imediata, muita coisa guardada e sendo acumulada para na hora certa ser solta. Muita gente se identificou com as letras e a partir disso dá pra perceber que esses problemas relatados no EP são comuns, principalmente entre a juventude.

Ouça as faixas do EP “Escrito nas profundezas do poço”:

 

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