Conheça “Min e as Mãozinhas”, primeiro desenho animado brasileiro totalmente em LIBRAS 

Por Redação Entrecultura - 08/10/2018 00h10

O Brasil possui quase 10 milhões de pessoas surdas, de acordo com o Ministério da Saúde. Felizmente, em nossa sociedade estão avançando os pensamentos que visam a inclusão desse grupo. Pensando nisso, Paulo Henrique Rodrigues, que trabalha com animações há sete anos em Santa Catarina, criou o desenho animado Min e as Mãozinhas, o primeiro no Brasil que utiliza a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) como linguagem oficial, lançado no Youtube no dia 26 de setembro, data marcada pelo Dia do Surdo. O primeiro capítulo de Min e as Mãozinhas também está disponível no Entrecultura TV.

Na animação, Min é uma garota surda que fala Libras, e que adora ajudar e se aventurar com seu amigo Esquilo, que é super agitado e está aprendendo LIBRAS com a amiga. Nessas aventuras, Min e Esquilo conhecem outros personagens, que não conseguem se comunicar direito por causa das línguas diferentes. “Cada um tem a sua língua, o gato fala ‘gatês’, o elefante fala ‘elefantês’, e por aí vai, mas com tantas línguas diferentes, é difícil um entender o outro! Mas a Min está pronta para ensinar LIBRAS para todos, uma língua que vai incluir e aproximar todos esses mundos”, diz a legenda do primeiro episódio do desenho no Youtube.

O Entrecultura entrevistou Paulo Henrique, que falou mais sobre o projeto. Ele conta que Min e as Mãozinhas surgiu de experiências vivenciadas por ele, que lhe mostraram a necessidade de se pensar diariamente a inclusão através da universalização da LIBRAS. “A ideia surgiu de duas experiências nas quais percebi a falta de conhecimento e despreparo de nós, ouvintes, para interagirmos com as pessoas surdas. Na primeira, em um casamento, eu estava à mesa e queria um saleiro, que estava na frente de uma moça surda, e nisso percebi que eu não tinha ideia de como interagir com ela, tanto para chamar a atenção quanto para realmente pedir o sal. Na segunda, a Isabel, coordenadora pedagógica do projeto, estava em um ônibus onde um surdo pedia um carregador emprestado para as pessoas e era ignorado. Com isso, ela percebeu, emprestou o carregador e o surdo fez o sinal de ‘obrigado’, que ela aprendeu por contexto. Chegando de viagem, ela me contou o que tinha acontecido e lembrei daquela minha experiência, e falamos sobre o despreparo da população”, relata.

Paulo Henrique Rodrigues e Isabel Hermes, coordenadora pedagógica do projeto (Foto: Paulo Henrique Rodrigues)

Feita essa avaliação, o diretor começou a pensar ideias, um projeto que pudesse utilizar LIBRAS como linguagem oficial. “Pensando em como e quando as pessoas deveriam ter esse contato, chegamos às crianças, que é a melhor fase de se aprender novas culturas e realidades, pois a criança tem uma flexibilidade e criatividade muito maior pra assimilar e ‘dar um jeito’ de interagir. Se você colocar uma criança que fala português e uma que fala japonês na mesma sala, a barreira de comunicação vai existir, mas, em cinco minutos elas estarão brincando e interagindo. Queremos mostrar que não importam as barreiras de comunicação, o que importa é como você as supera. Então, o elefante que fala ‘elefantês’ e o gato que fala ‘gatês’ estariam separados e poderiam nunca se falar, mas, a vontade de interagir e ajudar é maior, construindo uma amizade, e a Min é quem ajuda, usando a LIBRAS”, explica.

O projeto contou com o apoio das professoras de LIBRAS Tatiane Lui Zancanaro, Christiane Victorino e Gustavo Horst, e da intérprete Fabielle Barbosa. “Fiz o primeiro minuto do desenho e apresentei a essas pessoas, que nunca tinham visto algo assim. Como eles nunca tinham visto algo assim, pois se acostumaram com a forma padrão de entretenimento e esperavam legenda ou intérprete, quando viram que os sinais estavam na tela principal, ficaram emocionados e super animados, e com isso toparam me ajudar a fazer o resto do episódio, deram suporte”, relembra o idealizador.

Paulo Henrique está desenvolvendo uma primeira temporada de 13 episódios, que pretende disponibilizar toda no Youtube, caso consiga apoio no financiamento. “Estamos tentando patrocínios e vamos tentar financiamento coletivo. Se der certo, o plano é disponibilizar no Youtube, em DVD por um preço bem acessível e canais de TV, a quem se interessar pela exibição”, finaliza.

O projeto pode ser acompanhado pela internet na página www.facebook.com/mineasmaozinhas 

ASSISTA AO PRIMEIRO EPISÓDIO DE MIN E AS MÃOZINHAS:

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