Galeria de Arte do Mercado Velho recebe instalação “Assentamento”

Por Redação Entrecultura - 05/12/2018 20h16

Um assentamento no Mercado Velho de Teresina. Essa é a instalação artística de Fany Magalhães e Phillip Marinho, exposta na galeria de arte do Mercado Central, com dez assentos, móveis “não planejados”, produzidos durante a residência do Prêmio de Criação em Artes Visuais, da Fundação Monsenhor Chaves, sob curadoria de Guga Carvalho.

A exposição “Assentamento” foi concebida através de um projeto maior, o “Ponte-Cidade”, onde os dois artistas traçaram uma cartografia afetiva abrangendo determinados pontos de Teresina. Toda a matéria prima dos assentos foi retirada desses locais, como explica Fany Magalhães, artista formada em direção teatral pela Universidade Federal de Ouro Preto.

“O nome [ponte-cidade] já traz essas duas faces da pesquisa, uma pesquisa da cidade, que conversa diretamente com a rua, com o espaço urbano e busca algo de específico nessa cidade, e uma pesquisa da ponte enquanto viabilizadora de encontros. A gente tinha uma pesquisa aberta, cada um trouxe sua poética para dentro do trabalho, o que de certa forma já delimita uma tendência para ele, então, o Phillip já tinha esse trabalho desenvolvido em cima dos ‘obmóveis’ [objetos móveis], uma pesquisa de coleta de materiais, e eu trazia essa carga de processo criativo e essa experiência de cartografia enquanto prática de intervenção urbana, daí trouxemos um projeto de experimentação, completamente aberto, onde a gente se dispôs a encontrar o caminho durante a residência. Sabíamos que teríamos algo a ser exposto na galeria, mas não necessariamente o que seria”, relata Fany.

Fany Magalhães e Phillip Marinho

Phillip Marinho, artista visual formado pela Universidade Federal do Piauí, detalha esse processo de cartografia e percepção da cidade.  “Percebemos nas nossas andanças que já havia um trajeto delimitado. A Fany tinha um quarto alugado no Centro, as reuniões da residência artística eram no Mercado Velho e eu moro na zona Leste. Então, qualquer movimento que a gente fazia para se encontrar a gente tinha que cruzar uma ponte. Ao perceber que a gente tinha esses pontos, colocamos nossa atenção dentro desse espaço, daqui para o quarto da Fany, para o Mercado, para minha casa e vice-versa, e outros pontos fora da rota, como o Mercado do Mafuá. Transitando por esses espaços aplicamos a metodologia, de observar, captar todos os elementos”, informa .

Foi nessa percepção e estudo desse trecho da cidade e seus elementos que os artistas encontraram o produto final que deveriam construir.  “Observando esses locais, vimos que tinha assentos em todos os lugares e o mobiliário desses pontos era improvisado. Nas praças os assentos institucionais não davam conta e lá também tinha essas ‘gambiarras’, coisas que não tem um acabamento delicado”, aponta Phillip. “Vimos que aquilo ali era uma ponte, os assentos eram pontes, em cima dos assentos muitas pontes eram feitas. O maior documento da rua que nós encontramos foram esses assentos”, complementa Fany.

A partir disso, iniciou-se a coleta dos materiais que dão forma aos móveis, todos eles abandonados pelas ruas. Os objetos, fabricados na casa ateliê Labigó, fogem do convencional, de um banco individual estruturado em uma lata de tinta, a um banco maior, cujo assento é um tronco de árvore. “Esse tronco é um material que a gente já encontrou em condição de assento, encontramos ele em uma sombra no meio do nada, ele estava em cima de uma lata e um toco, na sombra de uma árvore na UFPI. Ao seu lado, uma cadeira abandonada. Era uma praça improvisada”, lembra Fany Magalhães.

Os artistas dizem que o projeto “Ponte-Cidade” é uma pesquisa sem volta. “Temos uma camada muito grande de pesquisa para além dos móveis, é um processo criativo muito rico e tem coisas muitos frutíferas para pensar a partir disso”, Finaliza Phillip Marinho.

 

Fotos do acervo pessoal dos artistas

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