Entrecultura entrevista Nuvem Cigana, que realiza tributo a Sérgio Sampaio nesta sexta (12)

Por Thais Guimarães - 09/04/2019 00h09

Tudo começou em 2017, quando os músicos Jardel de Castro e Bráulio Luís resolveram montar uma banda na intenção de tocar MPB e, talvez, música autoral. De maneira despretensiosa, o grupo foi se formando, compondo, até se consolidar como Nuvem Cigana, nome que faz referência a canção de Lô Borges e Ronaldo Bastos e sintetiza o caráter do grupo, segundo Bráulio. “A coisa da nuvem não ter um formato definido, estar sempre mudando, e cigana, por nunca estar parada, no mesmo lugar”. Bráulio (guitarra e voz), Jardel (guitarra e voz), Nildo Gonzales (bateria), João Paulo (baixo) e Alexandre Melo (violão e voz) são os músicos que tocam a nuvem.

Da esquerda para a direita: Bráulio Luís, Alexandre Melo, Jardel de Castro, João Paulo de Castro e Nildo Gonzales (Foto: Sérgio Loureiro)

Sem deixar de lado o trabalho autoral, Nuvem Cigana apresenta ao público um tributo a um dos grandes compositores da música brasileira: Sérgio Sampaio, que será homenageado nesta sexta-feira (12), no Lampião Voador, bar localizado na zona Leste de Teresina. O show vai contar com a participação de Jonathas Falcão (Seu Pereira), Lucas Coimbra e do gaitista Tigre-Lobo-Cobra.

O quinteto já vinha há algum tempo desejando reverenciar Sérgio Sampaio através de um show, como explica Bráulio. “A gente já tinha vontade de fazer um tributo ao Sérgio, que é uma influência em comum de toda a banda. Foi quando o Nildo, na Paraíba, encontrou o Falcão, vocalista do seu Pereira, e nessa conversa o Falcão também manifestou interesse em fazer esse tributo. Então a gente juntou as forças e começou a alimentar a ideia de produzir esse show”, informa.

Nildo Gonzales adianta que o tributo pode seguir por outros estados. “A ideia é estender para outras regiões do país, dar um rolê, não só com o tributo, mas com o trabalho da Nuvem Cigana. O tributo também foi um pretexto para a gente se reunir mais, estudar mais, pegar mais intimidade. Estamos há algumas semanas ensaiando, trocando ideias e expandindo cada vez mais, em um processo de entender o que é a Nuvem Cigana pra gente e o quanto ela pode chegar mais longe”, aponta.

Embora sua obra seja de um valor inquestionável, Sérgio Sampaio não é tão homenageado em relação a outros nomes. Em Teresina, é uma das primeiras homenagens realizadas ao artista. Jardel de Castro reforça a importância do compositor para a Nuvem Cigana. “É uma referência para a banda e para os convidados. Também tem a questão do discurso político dele, é muito importante nesses tempos de hoje trazer isso de volta. A galera tá falando que vai, todo mundo curioso, esperamos estar a altura de toda essa expectativa. De toda forma, vai ser maravilhoso”, coloca.

Nuvem Cigana

Com três singles já lançados (Caminho, Nervosa e Pássaro Cigano), a banda segue compondo e se prepara para lançar mais uma música de trabalho. As composições não seguem um estilo musical definido. “Acho que a identidade é essa mistura, tem tudo no nosso som, logo, são três compositores, eu, o Bráulio e o Alexandre, então querendo ou não, são três estilos de compor, mas quando você nos vê tocando percebe que tem uma unidade. O Nildo tem contribuído muito nos arranjos. E é isso, essa nuvem em constante transformação”, explana Jardel. “Se existe uma prioridade, é o compromisso com a poesia, a música a favor da poesia”, arremata Bráulio.

Banda se prepara para lançar mais um single (Foto: Sérgio Loureiro)

Bráulio Luís fala sobre as referências musicais da banda. “O legal é que cada um traz influências diferentes. O Jardel é mais ‘classudo’, gosta de um bolero, sambas antigos… o Alexandre gosta de uma coisa mais marginal, Sérgio Sampaio, Jards Macalé, e eu gosto dessa coisa mais lírica, Milton Nascimento, Beto Guedes, os Novos Baianos… escutamos música americana também. E tem a música feita aqui [no Piauí]. Gosto muito e fico bem empolgado, gosto do trabalho do Hugo dos Santos, Severo, Bia e os Becks… acho fantástico o que está acontecendo”, revela.

Jardel de Castro também avalia positivamente a cena local. “A música piauiense está dando um salto. Deu uma parada, mas a galera está fazendo muito trabalho legal, e nós queremos estar nesse meio. Acredito que esses trabalhos vão repercutir por vários anos e nós somos influenciados por toda essa galera, a gente vai se nutrindo do outro e tentando fortalecer a música piauiense”, finaliza.

Nuvem Cigana (Foto: Sérgio Loureiro)

Além do tributo a Sérgio Sampaio, no dia 12, Nuvem Cigana apresenta seu trabalho autoral no dia 13, no bar Tinindo & Trincando, ainda com a participação especial de Jonathas Falcão.

 

SERVIÇO

Nuvem Cigana toca Sérgio Sampaio

12 de abril (sexta-feira) – 20h⠀

Lampião Voador (Endereço: Rua. Gen. Adelmar Rocha, 2525 – Ininga, Teresina – PI, 64049-630 https://maps.app.goo.gl/GydSS )

Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), a venda no Lampião Voador ou na bilheteria, no dia do show

Mais informações: (86) 99936-3434 • 99909-8173

Produção: Casa Azul

Apoio: 202 produções, Lampião Voador, Pizzas Bouder

 

Por Thais Guimarães

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