Entrecultura entrevista Isis Rost, autora de “O Risco do Berro – Torquato Neto, Morte e Loucura”

Por Redação Entrecultura - 08/05/2019 00h30

A vida de Torquato Neto, piauiense cuja história é tão conhecida, embora geralmente sem tanta profundidade, é contada em alguns livros. Sua atuação na cultura e no jornalismo também são objetos de pesquisa nas universidades, e foi de um projeto de pesquisa acadêmico que surgiu “O Risco do Berro – Torquato Neto, Morte e Loucura”, livro da cientista social Isis Rost.

Capa do livro

A obra, cuja verão impressa foi lançada em 2017, é fruto da monografia de Isis para o curso de Ciências Sociais. No decorrer de 265 páginas, Isis traz a história do poeta, dividida em três partes: “Tropical melancolia”, que aborda contribuição de Torquato para a Tropicália; “As horas do fim”, falando de sua morte; e “Razão da loucura subterrânea”, que discorre sobre a ‘loucura’ de Torquato. Com uma riqueza de imagens, chama atenção o fato de a autora ter misturado ao texto palavras do poeta, que são devidamente destacadas em itálico.

Isis Rost é gaúcha, mas mora em São Luís (MA), onde se graduou pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Ela bateu um papo com o Entrecultura sobre o livro, que narra a história do nosso Anjo Torto. Confere!

Isis Rost (Foto: Divulgação)

Entrecultura: O que a motivou a pesquisar sobre Torquato Neto?

Isis Rost: Embora Torquato seja um nome fundamental da Tropicália, e da marginália, o nome do poeta sempre me pareceu algo distante, até embotado. A visibilidade de Torquato é um pouco apagada, algo turvo.

Entrecultura: O livro foi gerado a partir de sua monografia, como se deu essa adaptação?

 I.R: A forma do texto já existia, porém foi bastante radicalizada, pois parti para a experimentação, numa espécie de fusão entre os textos e as imagens. O que ajudou bastante foi entrar em contato com o programa Indesign, pois abriu a janela do experimental. Costumo dizer que o trabalho foi feito apesar da universidade, com seus cardápios de regrinhas. Não daria para pensar em Torquato e sugerir toda a sua potencialidade dentro destes esquemas.

Entrecultura: E quanto à recepção do livro?

I.R: O livro recebeu vários comentários estimulantes e, embora lançado de forma independente, conseguiu trilhar uma trajetória até aqui. Fico bastante satisfeita que O Risco do Berro conseguiu encontrar leitores, e a proposta de homenagear ao poeta tem se realizado, pois parece ter tocado alguns admiradores de Torquato.

Entrecultura: Você conseguiu trazer neste livro o Torquato além da perspectiva da Tropicália?

I.R: Pelo que pude perceber Torquato sempre foi, acima de qualquer coisa, radical. Em determinado momento, percebe a arte revolucionada da Tropicália sendo transformada em “oficial”, e acaba saltando da barca, indo apostar na cultura subterrânea, marginal. O suicídio dele é uma amostra deste inconformismo. Como ele dizia marginal é marginal, maioria é maioria.

Entrecultura: Como você descreveria Torquato Neto hoje?

 I.R: Com a asfixia atual, talvez mais sórdida até, creio que ele não aceitaria, assim como não aceitou na época, compactuar com uma cultura ‘oficial’, totalmente entregue ao mercado e a estupidez surda oferecida/devorada nas nossas mesas. Torquato era um cara da radicalidade, do oito ou oitenta, na linha de Glauber, Oiticica, que misturavam sua arte à própria existência.

Entrecultura: Como fazer para adquirir o livro?

I.R: O livro está disponível colorido para download. Consegui fazer uma tiragem impressa em p&b, e geralmente as pessoas entram em contato comigo, por e-mail (idrost55@gmail.com) e eu envio. Disponibilizei no site do Mercado Livre também, por 40R$ e frete grátis.

 

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