Malamanhadas: conheça o podcast feminista que levanta discussões sobre a condição da mulher

Por Redação Entrecultura - 08/05/2019 08h00

Um espaço de diálogo pensado por e para mulheres. Assim podemos definir o Malamanhadas, podcast feminista lançado no final de 2018 em Teresina, com o objetivo de levantar discussões que contribuam para a causa das mulheres. Idealizado pelas jornalistas Ananda Omati e Aldenora Cavalcante e pela estudante de psicologia Deborah Falconete, Malamanhadas já conta com três episódios.

Para conhecer melhor esse projeto, o Entrecultura conversou com Ananda e Deborah, que garantem: amam ser “malamanhadas”. Confere a entrevista!

 

Entrecultura: Como e por quem foi idealizado o Malamanhadas?

Ananda Omati: A ideia crua foi proposta por mim, mas assim que chamei as meninas e disse “vamos fazer um podcast feminista?” o olho de cada uma brilhou e cada uma contribuiu para o projeto, desde as ideias da coluna, a identidade visual, ao próprio nome do projeto.

Deborah Falconete: Tudo foi muito em conjunto. Até por que cada uma de nós tem experiências, potencialidades, referências comuns e diversas, então, uma que  “manja” mais da questão técnica, outra de artes, outra do site, de tal assunto, de tal temática, e assim a gente vai compondo esse combo.

Entrecultura: Porque Malamanhadas?

A.O: Porque é o que somos (risos). Labrocheiras… e está tudo bem. Amamos ser, eu pelo menos amo.

D.F: Na verdade, a gente ia deixar quieto o porquê do nome, deixar bem a vontade para as pessoas ficarem se perguntando mesmo. Mas quando pensamos em “malamanhada”, pensamos logo em uma coisa desarrumada, meio errada. E essa condição de ser assim termina recaindo de formas diversas para todas as mulheres. Toda mulher de alguma forma é malamanhada, pela própria condição de ser mulher. Mas não precisa ser necessariamente algo ruim. Muitas vezes, ser meio fora da curva, ser diferente da expectativa é a maior preciosidade que a gente tem. Sendo malamanhada, labrocheira e de qualquer jeito que a gente quiser ser.

Entrecultura: Qual o principal objetivo do projeto?

Ananda e Deborah: Levar as palavras dos diferentes feminismos, junto com as reflexões que vêm disso e visibilizar também as pautas da mulher nordestina. Debater com outras mulheres e também aprender com elas e com cada tema que a gente vai propor. Queremos falar de feminismo, vida e comportamento, sempre.

Entrecultura: Porque escolheram o podcast como ferramenta de comunicação?

A.O:  Porque amamos podcast, é muito legal, divertido, inspirador e, de certa forma, fácil de se fazer. Queríamos falar sobre feminismo de forma descontraída.

D.F: Tem aí também esse negócio de se apropriar das potencialidades das mídias que a internet possibilita, para falar com pessoas que não conhecemos de uma forma nova. No sentido de conexão mesmo, de redes de contato de informação. O podcast é uma mídia relativamente simples e de fácil acesso.

Entrecultura: Qual a estrutura de cada episódio? Vocês convidam mulheres para participar?

A.O: A estrutura é bem simples, não temos como fugir disso. Fazemos uma apresentação rápida com a vinheta tosca. Depois, voltamos só nós três falando sobre o feedback e o episódio anterior. Abrimos também o espaço para observações pessoais, como por exemplo falar de algo que chamou atenção ao longo daqueles dias que antecedem o encontro ou também para falar de si, por que não? E depois voltamos com uma convidada para falar sobre o tema do episódio. Tentamos ao máximo deixar em um formato de conversa, apesar de ter um roteirinho básico por trás. E, por último, tanto a convidada como nós três falamos sobre dicas relacionadas ao tema e também referências para quem estiver ouvindo possa se aprofundar mais, embora durante todo o episódio a gente a acabe sempre citando ou parafraseando uma mulher. No dia 31 de dezembro, lançamos o Powdi, que também é um podcast do Malamanhadas, mas com uma proposta mais descontraída e menos formal, em que nós três vamos seguir falando de temas voltados ao feminismo, mas com um tom mais escrachado e mais pessoal.

Entrecultura: O podcast está abrigado em um site, que também tem outros conteúdos, como o blog Desembucha Mulher. Falem sobre essas parcerias.

A.O:  Admiramos o trabalho da Dani Marques e queríamos estender o conteúdo para além do podcast. Desde sempre queríamos fazer outros tipos de mídias aliadas ao áudio com o podcast, mas para esse início apostamos nos textos. Então convidamos a Dani, que tem esse projeto de uma curadoria, para reunir sempre textos duas vezes por semana de variadas mulheres. Temos outra coluna, porta-treco, que como o próprio nome já diz, é um espaço em que nós podemos deixar nossas percepções e opiniões sobre temas, produtos culturais e qualquer assunto ali.

Entrecultura: Vocês possuem um público alvo?

A.O: Acho que mulheres de uma forma geral. Principalmente aquelas que querem ter mais contato com as pautas feministas.

D.F: Acho que de certa forma terminam sendo mulheres jovens, como é a maioria das pessoas que estão acompanhando a gente. Homens jovens também. Basicamente qualquer pessoa que se interesse pela temática e se identifique com a nossa proposta, nossa linguagem, em suas diferentes formas.

Entrecultura: Como está sendo a interatividade com o público?

D.F: Também meio doido, sim, a gente fica brincando que daqui a pouco vamos estar que nem as blogueiras da internet (risos). Mas é tudo muito novo, e qualquer pessoa que chega falando que curtiu nosso trabalho dá um quentinho no coração tão grande! É muito importante essa força, esse apoio para iniciativas independentes como a nossa, ainda mais para falar do que a gente fala. Acho que cada pessoa para quem a gente conseguir trazer algo novo ou tocar de uma forma legal, provocar de algum modo, faz valer a pena o nosso trabalho.

Acesse todo o conteúdo do Malamanhadas neste LINK

 

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