Conheça “Veia Fatal”, primeira revista de HQ’s de Assis Bezerra

Por Thais Guimarães - 25/06/2019 07h29

E lá se vem o Assis Bezerra com mais um lançamento. Com esse enunciado, o público provavelmente espere mais um disco novo do músico, cantor, compositor, arranjador e diretor musical. Mas não, dessa vez quem entra em cena é o desenhista Assis Bezerra, que nos apresenta Veia Fatal, sua primeira revista de histórias em quadrinhos.

Assis Bezerra

A revista contém onze HQs, duas inéditas, que trazem crítica social, fantasia, e temas como patologias psicológicas, além de homenagens a Torquato Neto e ao poeta Paulo José Cunha. “É uma revista política, não poderia deixar de incluir temas como a violência urbana e citar Torquato Neto, na história Nosferatu. Também criei uma a partir do poema de Paulo José Cunha, usando o processo da intersemiótica, que é a tradução de um sistema de signos para outro. Eu tirei da poesia e coloquei no desenho. Faço muito isso”, declara ao Entrecultura.

Os quadrinhos, em sua maioria, já haviam sido desenhados há bastante tempo e estavam engavetados, até que Assis, em conversas com o seu filho, Pedro Ben, que também é músico e produtor, manifestou a vontade de publicá-los. “Já tinha muitas histórias. Eu falei com o Pedro Ben que queria lançar e ele me ajudou. Pensei em procurar uma pessoa e o Pedro deu o nome do Bernardo Aurélio [Quinta Capa Livraria], que é um baluarte dos quadrinhos aqui. Ele topou a ideia e resolvemos fazer uma campanha de financiamento coletivo na internet e deu certo”, afirma. As pessoas que colaboraram financeiramente estão creditadas na revista.

Assis Bezerra desenha desde pequeno. Sua primeira tirinha foi publicada quando tinha 13 anos de idade. Já teve quadrinhos publicados na Revista Zig-Zag e desenhou a capa de um disco da banda de metal Megahertz, o Technodeath (1989). Por isso, seu trabalho nas artes visuais não pode ser considerado como mera aventura (ele pretende lançar mais duas edições da Veia Fatal, fazendo assim uma trilogia). Ainda assim, o artista confessa que ainda é estranho circular por este outro espaço da arte.

“Foi uma volta minha maravilhosa, acho um pouco estranho, mas estou em casa. Quando chego em uma rádio, por exemplo, perguntam ‘e aí, trouxe algum CD novo?’ E eu digo ‘não, trouxe um quadrinho’. Muitas pessoas nem sabem que eu desenho. É outro lado meu que estava adormecido. Anos atrás perdi esse vínculo com os desenhistas e agora estou conhecendo pessoas novas, outra geração e está sendo legal demais, não poderia ter acontecido algo melhor. Sabe esses encontros de quadrinistas no Brasil? Agora com meu trabalho na mão eu posso ir, onde estiver um espaço literário eu quero mostrar meu trabalho”, ressalta.

Vaia Fatal já foi lançada no Café Genu Moraes, na Aespi e no Café Literário da Livraria Anchieta. O próximo lançamento acontece nesta sexta-feira (28), no Sarau de Literatura Afro-Brasileira, no Memorial Esperança Garcia. Quem quiser adquirir um exemplar da revista pode entrar em contato com Assis através de seu Instagram: @assisbezerrathe ou se dirigir à Livraria Quinta Capa.

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