Porque devemos parar tudo e escutar Greta Thunberg?

Por Dálete Santos - 27/09/2019 11h20

Greta é nascida na contemporaneidade de 2003, uma adolescente de 16 anos, que a partir do dia 20 agosto de 2018 se ausentou das aulas nas sextas feiras, no movimento conhecido posteriormente como Fridays for future, tudo iniciou quando a foto dela segurando um cartaz escrito “Skolstrejk för klimatet” (ou “Greve escolar pelo Clima”), onde ela teve a seguinte indagação como princípio da luta “para que vamos a estudar se vocês nos roubaram o futuro” e essa greve deu frutos, pois hoje um pouco mais de um ano o movimento liderado por ela possui mais de centenas de milhares de pessoas em mais de 100 países.

Créditos da foto: (Janek SKARZYNSKI/picturedesk.com)

De acordo com o portal Carta Maior a ideia veio de um TED TALK, que Bo Thorén, um ativista do grupo Fossil Free Dalsland, do oeste da Suécia escutou e sempre teve a indagação de como fazer um protesto ser ouvido e ele notou a falta da atuação dos jovens e é aí onde entra a ideia de ter uma greve pelo clima, com o apoio do pai dela Svante Thunberg. Depois disso foi a história sendo contada por quem tem domínio da própria história.

Ela usou hashtags no twitter e participou da manifestação Rise for Climate (Erga-se pelo clima) em frente ao Parlamento Europeu, em Bruxelas, e a Declaração de Rebelião organizada pela Extinção Rebelião em Londres. A intenção era que o movimento chegasse ao mundo. E chegou.

Em dezembro de 2018 foi convidada para discursar na ONU na cúpula das alterações climáticas onde deu o brilhante discurso:

Você só fala de crescimento econômico eterno verde porque você está com muito medo de ser impopular. Você só fala em seguir em frente com as mesmas ideias ruins que nos meteram nessa confusão, mesmo quando a única coisa sensata a fazer é puxar o freio de emergência. Você não é maduro o suficiente para dizer como é. Mesmo esse fardo você deixa para nós, filhos.
— Greta Thunberg

Greta é sem dúvidas a porta voz da sua geração, em março de 2019 foi indicada ao Nobel da Paz, que saberemos o resultado logo mais em outubro. Ela pede uma revolução e isso não vem com um preço baixo, ela possui diversos críticos (que eu os considero medrosos), que a considera apenas uma marionete do  “capitalismo verde”, mas há como saber que toda essa reação vem do patriarcado, da burguesia e do machismo que é contra a força de uma mulher de 16 anos que não tem medo de dar sua cara a tapa. No Fórum Econômico de Davos, ela disse: “Quero que entrem em pânico, que sintam o medo que sinto todos os dias” e o planeta precisa dessa urgência na redução dos danos ambientais, porque honestamente nosso tempo está chegando ao fim, o mundo vai entrar em profundas mudanças quando chegarmos no momento do “state shift”, movimento defendido por 22 cientistas da Universidade da Califórnia, onde mostram que o planeta pode sofrer mudanças irreparáveis no ecossistema, produzindo efeitos desconhecidos.

TOPSHOT – Youth Climate activist Greta Thunberg speaks during the UN Climate Action Summit on September 23, 2019 at the United Nations Headquarters in New York City. (Photo by Johannes EISELE / AFP)

No último dia 23 ela e outros 15 jovens ativistas de diversos países apresentaram uma queixa na ONU contra cinco países – entre eles, o Brasil – por não fazerem o suficiente para impedir o aquecimento global.

 

“As pessoas estão sofrendo e estão morrendo. Os nossos ecossistemas estão morrendo. Nós estamos vivenciando o começo de uma extinção em massa. E tudo o que vocês fazem é falar de dinheiro e de contos de fadas sobre um crescimento econômico eterno. Como vocês se atrevem?”

 

Greta, apesar de tantas críticas, representa o espírito do seu tempo, comandado por mulheres que tem voz e consciência da necessidade de mudança para a vida e manutenção da existência onde a priorização consumo provoca o caos ambiental (state shift) e a desigualdade social, logo, é necessário encontrar um meio termo, sustentável, entre o crescimento econômico em prol da igualdade entre das pessoas e o risco de colapso ecológico que a cultura de consumo provocou.

Está na hora de acordar, pois sem planeta não existe arte e sem arte não existe vida. 

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