JUNTA abre vagas para residências com artistas locais e nacionais

Por Redação Entrecultura - 01/11/2019 09h15

A 5ª edição do JUNTA – Festival Internacional de Dança acontece de 14 a 17 de novembro, em Teresina (PI). Além de parte da programação gratuita, o JUNTA oferece residências abertas ao público com artistas que apresentarão espetáculos durante o festival.

A House of Amu’a, do Distrito Federal, vai apresentar uma Batalha de Vogue com os participantes da oficina de voguing. E o grupo piauiense Original Bomber Crew propõe uma cocriação com os seus residentes, que resultará na ação de rua Suspeito.

As inscrições podem ser feitas através do site do JUNTA (no link: http://www.juntafestival.com.br/19/news/) até o dia 9 de novembro. Serão preenchidas 15 vagas para cada residência, por ordem de inscrição. A residência Bomber Crew será ministrada nos dias 11, 12 e 13 de novembro, na Escola Técnica Estadual de Teatro Gomes Campos, e a oficina de voguing nos dias 14 e 15 de novembro, na Escola Estadual de Dança Lenir Argento.

A oficina de voguing abordará aspectos teóricos e práticos da cultura ballroom, integrando a história das primeiras casas de voguing com as pessoas pioneiras nessa construção. Enquanto estética de dança, passará por seis elementos: hands performance, catwalk, duckwalk, floor performance, spin e dip. No decorrer da residência será trabalhada uma coreografia para melhor compreensão desses elementos, bem como a introdução da personalidade e da criatividade de cada um em sua performance. Durante a Batalha de Vogue (ou Mini-Ball), os integrantes da oficina poderão explorar com maior dinamicidade o que for estudado na oficina.

House of Amu’a (Foto: Divulgação)

A residência Bomber Crew propõe falar da metodologia da Original Bomber Crew, uma das crews mais antigas de Teresina ainda em atuação. “Vamos falar das maneiras de criação que a Original Bomber Crew desenvolve a partir da ideia do flavour, do feeling e do flow, que são bases para um BBoy e uma BGirl criarem seus personagens, seus movimentos de dança”, explica Allexandre Santos, integrante do grupo.

Original Bomber Crew (Foto: Divulgação)

Ao final da residência, será proposta uma ação de rua, a ação de rua Suspeito, com performance dos artistas da Original Bomber Crew e dos participantes da residência. O espetáculo trata de corpos marginalizados na sociedade, corpos “suspeitos”. “A ideia é trazer o cotidiano do jovem brasileiro de periferia e desses lugares ‘estranhos’. É uma forma de questionar isso e trazer outra relação com as pessoas, de como elas se veem pela sua cor, pelo gênero ou seu estilo de roupa”, comenta Allexandre Santos.

Para César Costa, também criador e intérprete do trabalho, Suspeito “é uma pesquisa que investiga justamente o estereótipo do corpo suspeito, o que ele pode representar. Acredito que essa residência será também uma abertura para novos materiais sobre isso”.

Sobre os artistas

A House of Amu’a é composta por pessoas LGBTQ+ da periferia do Distrito Federal. Amu’a pertence a língua guajajara e significa centopeia.  A house assume esse nome por entender que todos trabalham juntos. São corpos indígenas, negros e de mulheres que ocupam e reivindicam acesso a uma cidade elitizada. São os primeiros a entrar em uma universidade pública. Ruan Guajá é Father e criador da House of Amu’a. De etnia indígena Guajajara, Ruan já se apresentou em um seminário internacional de Geografia, em Santiago, Chile, falando sobre territorialidades e distribuição espacial das kiki houses do DF, elaborando mapa de conflitos e atuações das mesmas dentro da capital.

Allexandre Santos é artista, intérprete/criador e morador do Grande Dirceu. É professor graduado em capoeira. Começou sua trajetória na organização de Hip Hop Interação Ralé e é integrante do grupo Original Bomber Crew. Teve sua formação artística, participou, criou, produziu pelo Núcleo do Dirceu/Galpão do Dirceu. Se apresentou por diversos países e fez turnê nacional com o Palco Giratório. Esteve na gestão da Casa do Hip Hop do Piauí e como artista na residência do espaço CAMPO Gestão e Criação em Arte Contemporânea. É coordenador e professor do Projeto Casa Dança e diretor da organização de Hip-Hop Interação Ralé.

César Costa é formado em artes (dança e música) pelo coletivo artístico Núcleo do Dirceu/Instituto Punaré. Iniciou suas atividades com hip-hop na Cia de dança Original Bomber Crew e capoeira na Associação de Capoeira “Beira mar”. Atualmente é professor das disciplinas de Improvisação e Consciência Corporal no curso técnico em dança da Escola Técnica de Teatro José Gomes Campos.

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