Muito mais que um forró do molambo: uma carburada na praça com o Narguilé Hidromecânico

Por Thais Guimarães - 14/11/2019 11h23

A praça estava cheia, como há muito não se via. Parecia mesmo um forró lá no molambo do interior de José de Freitas, de tanta gente. Cachaça para tomar, árvore para escorar… No palco, Narguilé Hidromecânico, que, na opinião desta humilde jornalista, é a maior banda teresinense de todos os tempos. Não só pela proporção que tomou, ultrapassando as fronteiras de nosso Estado, mas por todo o movimento que agitou aqui: a partir do Quintal dos Galvão, da República das Baratas e da Narguihose, surgiram músicas, bandas, bem como produtos de outras linguagens artísticas, como o teatro e as artes visuais.

Narguilé, que estava afastado dos palcos há três anos, surpreendeu o público teresinense (saudoso e carente de ‘roquenroll’) com o anúncio de um show. De graça. Na praça. A velha PII, que agrupa mundos, seria o palco desse reencontro.

Dia 08 de novembro de 2019, uma sexta-feira. O show, marcado para as 19h. Contudo, a praça começou a lotar a partir das 17h, de gente celebrando a liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Narguilé ia fazer a festa para essa galera também.

19h30. “Mas eu fui num forró, lá no molambo…”. Ainda não. Passagem de som. Até que chega a hora, Fábio Crazy, Sandro Saldanha, André de Souza e Luciano Reis explodem no palco do Entrecultura na Praça e se inicia a “bagaceira”, no estilo inconfundível Narguilé.

O show começa com Remédio Caseiro, intercalada com uma releitura de Perseverança de Caatinga, cantada lentamente em um ritmo de reggae. Em seguida, uma sequência do primeiro álbum “Narguilé Hidromecânico” (1998), que reúne muitos “hinos” da banda, compostos por Fábio Crazy, Nando Chá, Galvão Júnior e outros mais. Nome aos Boys abre a sessão. Uma cusparada de “elogios” que, vez em quando, certas pessoas merecem. Aí veio Saint Chá, Lupa de 2 Real, In Memorian, República das Baratas, Pode Ser, e aquela que todo mundo implora para ser cantada: Amor em pó/Maluco Regulão. Na sequência, o disco “Poeirão” (2001). Jumento Bom, Muriçoca, Presentim e Crôa foram cantadas junto pelo povão da P2.

A performance dos quatro músicos no palco respondeu a altura ao anseio do público. Luciano Reis, o jovem estreante no contra-baixo, demonstrou total entrosamento com a banda e familiaridade com o repertório. Sandro Saldanha, na bateria e André de Souza, guitarra, pertencem a mais recente formação da banda, sendo Sandro um músico que se relaciona com o grupo lá pelos comecinhos de 2000. Fábio Crazy, fundador da trupe, que toma conta dos vocais e eventualmente de uma guitarra, é a verdadeira definição de um frontman. Com a energia de sempre, cantou, tocou, gritou, brincou e recebeu amizades no palco, sempre interagindo com a plateia enfurecida, mas de satisfação. Na frente do palco, uma roda punk durou a noite inteira.

Um fato interessante: naquele dia, 08 de novembro, seria comemorado o aniversário de Bernardo Paulo, o Bernardinho do Rock, se estivesse vivo. Tal figura foi imprescindível para a trajetória do Narguilé Hidromecânico. Produtor e eventual baterista, da banda, Bernardinho ficou para a história. O show e todas as boas energias daquela noite foram oferecidas a ele.

Chegando no final do show, os gritos: “Maquetes Loucas!”, “Toca Maquetes Loucas!”. Eu, como fã que fica no pé do palco do começo ao fim, sabia que não iam deixar de tocar aquela que funciona como um coquetel molotov no show. Feito.

 

“Maquetes Loucas!
Ow Maquetes Loucas!
Ow Maquetes Loucas!
Ow Maquetes Loucas!
Miniaturas Alopradas!
Miniaturas Alopradas!
Miniaturas Alopradas!
Miniaturas Alopradas!
Microcosmo Louco!
Microcosmo Louco!
Microcosmo Louco!
Microcosmo Louco!
Diminutivo Alucinado!
Diminutivo Alucinado!
Diminutivo Alucinado!
Diminutivo Alucinado!

 

Ow Maquetes!”

 

Fim de show, o clima de fúria e festa continua na praça. Pessoas que são presença constante no local, outras que há muito não andavam por ali, interagindo e concordando: foi um show e tanto! Quem se descabelou e suou no empurra-empurra garante: a gente precisa de rock para viver.

Sobre os rumos do Narguilé após essa apresentação memorável, Fábio Crazy já havia adiantado a essa jornalista que vos escreve: “Melhor pensar que Narguilé Hidromecânico não existe, e que esse show é a materialização do pensamento e do desejo de uma plateia mais poderosa que a própria banda”. Quanto a mim, só posso desejar que ele esteja redondamente enganado.

O Entrecultura na Praça contou com a produção de Mariana Paz e Raissa Noleto.

 

 

Thais Guimarães é jornalista e escreve para o Entrecultura

 

Comentários

Valeria

Uauuuu!!! Q matéria sensacional, tudo q vivemos e sentimos naquele dia memorável descrito em palavras para eternizar o momento. Tbm desejo q um dia a banda nos presenteie com uma nova apresentação surpresa pra nos fazer entrar em nostalgia do que temos de melhor da música e cultura da terra.

15 nov, 2019 Responder

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