Sagrado Feminino: O empoderamento através de instintos, ciclos e conexões

Por Camila Fortes - 21/07/2016 09h18

Conquistar seu espaço. As mulheres precisaram se masculinizar pra alcançar seus lugares, principalmente profissional. Agora que as mulheres conquistaram seu espaço na profissão, existe uma dupla jornada: o espaço no trabalho e o espaço em casa, sem espaço pra si próprias.

A mulher se perdeu no feminino a partir do momento em que acorda e sua agenda do dia já está toda organizada. Não encontra tempo pra respirar. Ela não se permite sentir. Ela quer dar conta de tudo, mas sabe que não está em seu equilíbrio. Ela sente que o tempo está sempre curto, como se ela tivesse sempre mais a obrigação de ser veloz. Essa mulher está muito conectada ao masculino.

A mulher que está desconectada com o feminino expressa algumas características como enxaqueca, insônia, dor no corpo. Essa mulher sente um vazio e sabe que não está conseguindo ser preenchida. A mulher ser um ser racional não é um problema. O problema é ela ser só racional e perder o contato com sua intuição e sua voz interior.

Anne Rufino, que é psicóloga, terapeuta comunitária, terapeuta natural, instrutora de shantala e Doula, conta que para a mulher compreender o sagrado feminino, é necessário uma conexão com a natureza.

“A mulher tem vários ciclos femininos durante toda a vida e isso pode ser comparado a lua, já que a lua tem essa representação em suas passagens. Somos mulheres de fases sim. Cultuar o sagrado feminino é cultuar a natureza por nós sermos a própria natureza. E é nessa conexão com a lua, as marés, o movimento que nos rege, que cultuamos o sagrado feminino”.

Isso significa que quando as mulheres passam a se desligar um pouco do mundo tecnológico e rotineiro, ou seja, buscam descobrir mais sobre si próprias, se interiorizando, percebendo melhor seus instintos, suas vontades e seus ciclos femininos (como a menstruação e a gestação), elas relatam que o mundo a sua volta – e aquele que existe dentro delas – parece mudar. É como se uma nova consciência as abraçasse.

“O sagrado feminino representa o respeito por esse lugar que existe dentro da nossa própria essência e que se expande para todo o universo. Está nas minimas ações diárias que a mulher realiza. Está em tudo que diz respeito a natureza, mãe terra, lua, estrelas, marés, ciclos da mulher desde a menarca, ciclos hormonais, tpm’s, gravidez, pós parto, menopausa, envelhecer… Enfim, tudo está relacionado ao sagrado feminino. E a forma de cultuar isso é respeitando seu próprio ciclo, se conectando com a lua, entrando em contato com estudos antigos ligados a seu próprio instinto”.

Esse despertar para uma nova consciência sobre si mesma pode ser interpretado como a saída da supremacia patriarcal – repressora e cheia de regras – para a entrada em um mundo mais maternal, afetivo e artístico, além de menos racional e mais sensível.

“O mundo foi se masculinizando. Foi um caminho que o mundo tomou e que não quer dizer que esse seja o melhor caminho. Eu também não quero defender essa guerra entre feminino e masculino. Eu não acredito nessa guerra. Eu acredito sim que precisamos nos empoderar, mas empoderar sutil e interiormente, da maneira mais forte e firme possível, alicerçada. Manifestar por manifestar, sem dar conta, você não está ligada naquilo.”

 

 

Como alcançar o Sagrado Feminino

O conhecimento do Sagrado Feminino é adquirido através de livros, cursos e grupos de estudos chamados de “círculo de mulheres”. Nesta filosofia, as mulheres estudam um conceito diferente sobre si próprias, que engloba os aspectos emocionais guardados no corpo, a sintonia entre a menstruação e as fases da lua, a veneração das Deusas de todas as mitologias e a semelhança delas com cada mulher, assim como a influência que a natureza tem sobre nosso corpo e psique.

É uma força renovadora, fim e início de ciclo, o que permite a mulher entrar em contato profundo com seu interior, com seu útero e toda a ancestralidade que ela traz nesse órgão.

No Sagrado Feminino, mulheres de todas as culturas, religiões e crenças aprendem a se desvincular de padrões de beleza e regras pré-estabelecidas pela sociedade. Elas descobrem como se amar exatamente como são e passam a se enxergar como verdadeiras “Deusas”. Afinal, o ato de gerar, parir, nutrir, amar e intuir pode ser considerado uma dádiva proporcionada às mulheres.

“Estamos num momento onde as mulheres estão se empoderando e se apossando da sua verdadeira força, que é única, que vem de dentro. Por isso a conexão com a noite, a lua, a sombra. A luz da mulher tem um sombreado que a envolve, representado pelo silêncio, pela quietude, pela noite”.

Nesta filosofia de vida, as mulheres passam a valorizar mais seus ciclos naturais, como a menstruação, a maturidade, a gestação, o parto e a amamentação. No entanto, não são induzidas a serem radicais ao viver esses períodos ou exercer determinadas funções. O valor está em aceitar a naturalidade das coisas, seu histórico de vida, vontades e capacidades. Aprendendo a se conhecer de forma mais profunda e a aceitar os acontecimentos da vida e a si mesma, as feridas começam a ser curadas e as mulheres passam a ser mais felizes, amáveis e únicas.

Você descobre, então, que ser mulher não significa ter um parto natural, amamentar ou se sentir bem na própria pele quando está grávida. Na verdade, o objetivo é entender como você traz seu amor e feminilidade para todas essas fases da vida.

O retorno à essência
Primeiro Passo

As energias de atração da vida precisam saber exatamente o que você quer, para que caminhem em sua direção. Esse é o primeiro passo. Então reflita: qual tipo de pessoa parceira você quer pra si? Escreva em um papel todas as características que busca no outro.

Segundo Passo
Na filosofia do Sagrado Feminino, o segundo passo é viver a experiência de amar sem depender da pessoa para viver, afinal o amor próprio deve vir em primeiro lugar. É através da estima por si mesma que a paixão durará. A independência de cada um dentro da relação traz o desejo de ambos se dedicarem ao outro, favorecendo o relacionamento.

Terceiro Passo
Por fim, o terceiro passo ensinado pelo Sagrado Feminino é descobrir sua Deusa Interior e trazer características dela para sua relação. A Deusa Interior é o simbolismo da essência mais pura que existe em você. Ou seja, são as suas virtudes, suas belezas mais primitivas, a sua guerreira que sabe o que quer e é determinada nessa busca, é a sua fera, a sua loba. É também não ter vergonha de ser você mesma, não se poupar por conta do que a sociedade pede que você seja. Afinal, a pessoa parceira, quando se atrai por você, quer o seu melhor.

Problemas como falta de amor próprio ou de expressão criativa e dores e frustrações nos relacionamentos que foram reprimidos serão manifestados nos órgãos sexuais e também no comportamento na cama – o que explica, por exemplo, porque algumas mulheres sentem dificuldades durante o ato sexual.

A cura e a integração da mulher à energia da sua sexualidade dependerão especialmente do entendimento que ela possui sobre suas simbologias físicas, emocionais, mentais e espirituais. Mesmo que não se dê conta, toda sua experiência sexual e descoberta como mulher ficam registradas em sua mente. Suas crenças serão então reproduzidas na sua vida sexual, mesmo que você não perceba.

Por exemplo: uma mulher de origem familiar tradicional, com pais repressores, que puniam ou não incentivavam sua expressão sexual, geralmente irá reproduzir comportamentos de autopunição com o sexo, o que pode gerar dificuldade de chegar ao orgasmo, dores na relação, diminuição da libido e fuga do sexo.

“A mulher precisa entender que ela pode sim parir, que ela pode sim amar, que ela pode sim viver plenamente com todas suas responsabilidades e respeitando nossos limites, respeitando os seus momentos”

Na filosofia do Sagrado Feminino, uma forma de autotratamento para dificuldades sexuais é feita por meio da expressão da criatividade. Ou seja, é através da dança, artesanato, desenho, escrita, maquiagem ou toda forma de autocuidado, que a mulher aprende a manifestar seu lado criativo. O ventre – que está intimamente ligado ao órgão sexual e ao sexo – é uma região que simboliza a criação. Portanto, ele recebe as energias curativas para essas dificuldades por meio da criatividade.

“Só quando nós mulheres, conseguirmos nos enxergar uma nas outras, é que iremos conseguir realmente influenciar a sociedade e nos influenciar positivamente para que possamos produzir algo. Quanto mais mulheres se mostrarem prontas pra esse tipo de trabalho com o seu sagrado feminino, melhor. Melhor para a humanidade e para os seres que irão nascer”.

No sagrado feminino você está com os pés fincados na terra e o olhar para as estrelas.

Comentários

Marcia Cristina

A matéria despertou minha atenção depois irei ler
Beijos

14 maio, 2018 Responder

Débora Gil

Adorei a materia, suas explicações!! Estou num momento de introspecção e autoconhecimento, grata!!

28 abr, 2018 Responder

Renata

Olá mulheres lindas eu sou terapeuta Floral e desenvolvi o floral do poder feminino . Quem tiver interesse entre em contato98109-9564 Renata

18 mar, 2018 Responder

Lise Silva

Adorei esse post. Comecei há pouco participar de roda do sagrado feminino. Preciso muito resgatar a fêmea quê existe em mim e se perdeu ao longo da minha vida. Gratidão

12 fev, 2018 Responder

Lise Silva

Adorei esse post. Comecei há pouco participar de roda do sagrado feminino. Preciso muito resgatar a fêmea quê existe em mim e se perdeu ao longo da minha vida.

12 fev, 2018 Responder

Cláudia Caroline

Essa ideia de que a mulher está ligada a natureza e que deve ser materna e pouco racional, é basicamente a essência do patriarcado.

26 jul, 2016 Responder

Bea

Mana, pelo amor de Gaya… você não interpretou o texto de uma forma boa. “Nesta filosofia de vida, as mulheres passam a valorizar mais seus ciclos naturais, como a menstruação, a maturidade, a gestação, o parto e a amamentação. No entanto, não são induzidas a serem radicais ao viver esses períodos ou exercer determinadas funções. O valor está em aceitar a naturalidade das coisas, seu histórico de vida, vontades e capacidades. “

18 abr, 2018 Responder

Deivison da costa

Graças a Deus que a essência do patriarcado existe

11 mar, 2018 Responder

Geuseni Nogueira Rabelo

Gratidão pelo conhecimento.

24 jul, 2016 Responder

Maria

Muito bons trabalhos de pesquisa e entrevista. É exatamente assim como nós mulheres nos sentimentos. No entanto, gostaria que antes de publicar desses uma bela e áspera corrigida no texto. Há vários erros pequenos de gramática, falta de acento etc.

22 jul, 2016 Responder

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