Lívio Nascimento está lançando o cd autoral intitulado “Janeiro”.

Por Redação Entrecultura - 24/07/2017 20h50

De tempos em tempos, uma nova safra de músicos assume o protagonismo de ampliar a cena musical, com a missão de revelar novos talentos que levarão adiante a maneira de fazer música brasileira.

Nascido em Teresina, Lívio Nascimento Rocha, está lançando seu primeiro cd intitulado “Janeiro”.
Com o auxílio luxuoso de Paulo Dantas e de um time de músicos competentes, hoje, ao apresentar oficialmente seu trabalho autoral em formato de um cd, Lívio assume o seu espaço como uma das maiores revelações da música.

 

Entrecultura :Como foi seu envolvimento com o jazz e quais músicos ,ou situações ,mais te influenciaram durante sua carreira?

Lívio Nascimento:  Conheci o jazz através de um grande amigo e músico , saxofonista Flaubert Viana.

Quando ouvi a primeira vez , o Charlie Parker tocando um bebop eu não conseguia encontrar a melodia e aquilo foi o que mais me impressionou naquele instante.(rsrs) . A minha maior influência de músicos , são os músicos Brasileiros. Desde de criança ouvia com meu pai muita MPB, bossa , Luiz Gonzaga e teve um pouco de Pink Floyd, Beatles, Led  Zepplin, Black Sabbath ou seja, bem eclético.
Entrecultura: E a música instrumental, quando foi que ela virou uma opção para você?

Lívio Nascimento:  A minha ligação com a música instrumental veio quando tocava em bandas de bailes e os músicos mais experientes chegavam mostrando vídeo aulas , cds de bandas instrumentais e eu gostei muito do que ouvia, pois aquilo mostrava um lado da música que geralmente não se ouvia no baile, tipo um  guitarrista solando por 5 minutos…rs! Então comecei a consumir musica instrumental a partir dessa época .
Entrecultura :Foi difícil “empreender” com o jazz e a música instrumental no mercado teresinense?

Lívio Nascimento: É difícil, mas não impossível.

O músico instrumental em Teresina , não vive do cachê da música instrumental. Ele procura outras vias que possam lhe dar uma renda e vai tocar o jazz com muito amor  para “receber algum” pra somar com a renda fixa (dar aula, tocar em bandas de baile ou até mesmo trabalhar com outro ramo).

Entrecultura:  Por que “Janeiro”?
E a escolha do repertório? A repercussão está sendo boa?
Já existia um conceito para esse trabalho?
Lívio Nascimento:  O nome “Janeiro” veio de uma das últimas músicas que compus pro disco. Eu a fiz em janeiro e o mês me remete a nova esperança, o verde, o tempo é diferente nessa época do ano em Teresina. Parece que o amor está solto no ar . É o que sinto. Fora que Janeiro é o mês que todo mundo diz : ” esse ano vou melhorar, vou estudar, vou focar no trabalho … “, essas coisas todas me inspiraram. A repercussão tem sido Ótima, Graças a Deus. Só tenho a agradecer.

Não existia um conceito. E sempre compus melodias porque elas vinham na minha cabeça.  Eu coloquei 8 faixas de músicas que fiz ao longo desses anos no mundo da música.

Entrecultura: O disco tem oito faixas autorais e conta um pouco da sua caminhada no mundo da música. Como foi e como está sendo esta trajetória?

Lívio Nascimento:  Esses anos de música passaram bem rápido.

Posso dizer que sou muito feliz em poder tocar , ter amigos que me inspiram com suas lutas e glórias. Lógico que tem muita coisa que também causa a tristeza. Quem ver de fora, muitas vezes, acha que é tudo lindo e perfeito, mas não é bem assim.

Mas com todos os erros e acertos, me sinto feliz em fazer música e em acordar todo dia e tentar fazer o melhor, respeitando sempre essa grande arte.
Entrecultura: Paulo Dantas que produziu, dirigiu e colaborou nos arranjos desse disco. Como foi esse processo?

Lívio Nascimento:  Paulo Dantas foi um cara importantíssimo. Sem ele acho que não teria gravado nesse momento. A Produção e direção foram de um profissionalismo e competência incrível. Paulo já era meu amigo e um dos caras que fazem música instrumental aqui em Teresina. Os discos dele me influenciaram muito . Grande músico e pessoa que só tenho a agradecer.

Entrecultura : Você já tem uma carreia musical reconhecida em Teresina e já tocou com os músicos mais renomados do Piauí e do Brasil também. E agora sendo o “seu” cd, teve alguma tensão? Como foi o processo criativo?

Lívio Nascimento: A tensão sempre rola. Você  quer dar o melhor de si  e sempre se preocupa se” tá bom mesmo”??.

Tudo foi feito com bastante amor e dedicação.  Acho que são pontos importantes pra se realizar um sonho. O processo criativo foi bem legal porque  estava entre amigos e grandes músicos  e todos gravaram com total dedicação e compuseram as músicas juntos comigo.

Eu só fiz o esboço e os caras foram lá e assinaram.  São grandes pessoas e todos esses que gravaram tinham que está no meu disco porque são pessoas especiais e que eu sou fã . Ainda faltaram muitos, mas nos próximos,com certeza estarão.

Eu penso a música como forma de unir , celebrar, e não como um joguinho de “ahhhh quem é o melhor”?  Sacou? Pra mim a música é muito mais importante do que essa baboseira.

Entrecultura: Talvez exista ainda uma certa resistência com a musica instrumental. Você sente assim?

Lívio Nascimento: Acho que não há resistência. O que “existe”, acho que todo mundo sabe.

É uma indústria que não apostou na música como a arte que enriquece, que faz pensar, evoluir . Essa indústria só pensa em números. Então as pessoas continuam sem conhecer a música instrumental porque existe todo um “sistema que não quer”.  Mas continuaremos fazendo.????
Entrecultura: O mercado fonográfico está refém da internet e tecnologia digital?

Lívio Nascimento: Refém é um termo “complicado” para essa relação que se desenvolve hoje.

Se olharmos com atenção para algumas pessoas que disponibilizam seus trabalhos nas plataformas digitais, como:  Criolo, Emicida e Hugo dos Santos, não falaremos de uma relação onde se encontra esse nomenclatura (refém).

Acho que ainda existem várias possibilidades dentro desse universo que ainda não foram explorados. Cabe a nós construir e desenvolver  uma relação entre “música e tecnologia” onde não exista  nenhum tipo de refém.
Entrecultura: Competentes músicos participaram do cd, como: Bruno Moreno, Alexandre Jr, Josué Costa, Flaubert Viana, Ferdinand Melo, Wilderson, Thiago Cabral, Zaqueu Sousa, Ivan Silva, Rogério Farias, Robertinho Chinês.
Mike Soares e Kasbafy (Orange estúdio), que fizeram a masterização do CD.
A fotografia de capa do cd foi produzida pelo Renan Melo e o Diego Iglesias fez a arte do cd.

 

Lívio Nascimento: Muito obrigado pelo espaço e parabéns a todas as pessoas que compõe o Entrecultura.

Comentar