Entrecultura entrevista a cantora Áurea Martins

Por Redação Entrecultura - 22/07/2018 10h18

A consagrada cantora Áurea Martins tem muita história para contar. Aos 78 anos, a artista se consolidou nos palcos da noite carioca quando era ainda mais difícil ser mulher, mulher negra, na cena cultural.

(Foto: Marcelo Castello Branco)

Áurea iniciou sua carreira na Rádio Nacional. Seu primeiro disco gravado foi um prêmio após ganhar o primeiro lugar no programa “A Grande Chance”, de Flávio Cavalcanti. De lá para cá, a artista se dividiu entra a noite e o estúdio, sempre brilhando. Em 2009 ganhou o Prêmio da Música Brasileira, na categoria Melhor Cantora de MPB com o CD “Até Sangrar”.

A artista se referencia em mulheres. Uma de suas maiores referências é Elizeth Cardoso, uma das maiores intérpretes da música brasileira. Em sua homenagem, Áurea estrelou, em 2014, o espetáculo “Elizethíssma – uma sincera homenagem a Elizeth Cardoso” com a cantora Alaíde Costa.

A história de Áldima Pereira dos Santos, real nome de Áurea, é contada por Lúcia Neves, no livro “Áurea Martins – A invisibilidade visível”, lançado em 2017. O Entrecultura conversou com a cantora, que falou um pouco sobre sua carreira Confira!

Entrecultura: O que é ser uma cantora da noite para você?

Áurea Martins: Ser uma cantora da noite,é o mesmo que frequentar uma faculdade,e u pelo menos falo com convicção, se não fosse a noite,eu não teria toda essa experiência como cantora. Peguei todas as oportunidades que a noite me ofereceu, pratiquei e aprendi udo o que uma cantora precisa saber, pois o cantor da noite é um ator, canta comédia e drama.

Áurea Martins (Foto: Luiza Filippo)

Entrecultura: Sua história é contada no livro “A Invisibilidade Visível”. Como você participou no processo de criação dessa biografia?

A.M: Participei informando a escritora, toda vez que ela me entrevistava, mas ela é muito competente e pesquisou até a história de Campo Grande, subúrbio da zona oeste,  onde nasci. E tinha o Zé Maria, que, além de escrever a contra-capa, foi nomeado “consultor técnico” do livro, por saber mais da minha vida que eu mesma.

Entrecultura: Essa invisibilidade visível é aquela enfrentada pelas mulheres negras?

A.M: No fundo é. E eu represento todas que têm histórias como a minha para contar.

Entrecultura: Qual a importância de Elizeth Cardoso na vida profissional e pessoal de Áurea Martins?

A.M: Elizeth representou e representa tudo, não só para mim, como para muitas intérpretes que cuidam com zelo da carreira. É uma das.grandes referências, dentre outras, como Zezé Gonzaga, Maysa, Marisa Gata Mansa…

Entrecultura: Fale sobre seus projetos recentes.

A.M: Um CD com o maravilhoso Cristóvão Bastos [pianista], estou fazendo shows com colegas como Ana Costa, Antônio Carlos, Márcio Lott, e meu irmão, Elízio de Búzios e a Orquestra lunar.

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