Conheça Ultrópico Solar, coletivo de artistas de Parnaíba que mistura música e artes visuais

Por Redação Entrecultura - 04/09/2018 08h00

Definir Ultrópico Solar como apenas uma banda seria limitar o grupo parnaibano. Um coletivo de artistas é mais apropriado. Ultrópico Solar funde música (boa) com os mais diversos tipos de artes visuais desde 2016, quando foi criado, na efervescência de movimentos culturais que aconteciam em Parnaíba.

Ultrópico Solar (Foto: Gelson Catatau)

O Ultrópico conta com uma banda fixa, composta por Dom Henrique (bateria), Tahiana Meneses (teclado), Savina Alves (baixo), Tadeu Fonetenele (percussão), André Oliveira (multi-instrumentista), Lucas Linhares (Guitarra), Levi Nunes (sintetizadores), Daniel Filipe (vocais e violão), Lucas Silva (vocais) e Sabrina Cardoso (vocais). Contudo, há um verdadeiro fluxo, diversos artistas passeiam, com muita responsabilidade, pelo grupo. Com dois álbuns lançados, o grupo se prepara para um terceiro.

Levi Nunes, um dos idealizadores e produtor do Ultrópico Solar, concedeu uma entrevista ao Entrecultura, falando sobre o projeto e outros assuntos. Confere!

Entrecultura: Como e quando surgiu o Utrópico Solar?

Levi Nunes: O Ultrópico Solar surgiu através das movimentações artísticas que rolavam na cidade em 2016 como o “Domingo no Porto”, que aos domingos, no Porto das Barcas, reunia diversos núcleos artísticos locais e  foi um canal de aproximação que possibilitou essa fusão entre a música e outras linguagens e também fortaleceu e criou novos vínculos dentro do próprio cenário musical.

Entrecultura: Como as diversas manifestações artísticas se atravessam no grupo?

L.N: Estamos sempre tentando dialogar com quaisquer formas de arte. Para cada música que lançávamos no início pedíamos a um artista plástico uma arte pra ser a capa da mesma. E muitos dos que fazem parte do Ultrópico a nível de coletivo são do audiovisual, então, a estrutura coletiva da coisa faz com que aconteça esse tipo de fusão naturalmente. Existem as pessoas também que gostam do trabalho e se aproximam com colaborações, que são sempre bem-vindas.

Entrecultura: Quais artistas integram o coletivo? Como se organizam?

L.N: Difícil essa contagem, porque consideramos “ultrópicos” todo mundo que já fez parte ou colaborou, então tem muita gente, de muitas áreas, e é uma coisa meio mutante, visto que algumas pessoas não moram mais em Parnaíba, mas continuam a nos ajudar a distancia, como é o caso do Artur Rios, artista plástico que já cedeu diversas artes suas para capas de músicas, e também já foi nosso baterista e já produziu clipe. Situação parecida com a do Danilo Carvalho, que já colaborou tanto musicalmente quanto com outras linguagens, Shawene Gonçalves, Marília Morais…
No núcleo musical nos organizamos enquanto banda que é formada por: Dom Henrique (bateria), Tahiana Meneses (teclado), Savina Alves (baixo), Tadeu Fonetenele (percussão), André Oliveira (multinstrumentista), Lucas Linhares (Guitarra), Levi Nunes (sintetizadores), Daniel Filipe (vocais e violão), Lucas Silva (vocais) e Sabrina Cardoso (vocais). Todos são compositores e têm outros projetos e nos reunimos com muita frequência, seja para gravar, tocar ou por amizade.

Levi Nunes (Foto: Gelson Catatau)

Entrecultura: O que já produziram de trabalho e o que vem por aí?

L.N: De trabalhos lançados nós temos os dois primeiros álbuns (Ultrópico solar e Ultrópico Solar dois), que foram gravados numa vibe lo-fi e estão disponíveis apenas no Youtube, lá, dá para conferir, além das músicas, as imagens (fotografias, pinturas, colagens) de artistas locais que estão associadas as músicas. E tem o videoclipe de “Moça”, que foi produzido pela nossa parceira de Sobral, Ellen Soeiro. Parte do núcleo musical da Ultrópico faz parte da Negative Green, que tem três álbuns disponíveis no Spotify/streamings em geral. Outros integrantes fazem parte da Carnawood, que está lançando CD (Raiz) em breve, mas já tem material disponível por aí.
Para esse próximo semestre tem os CDs solo “Tempo Inflamado”, de Daniel Filipe (vocalista e compositor na Ultrópico), “Brisa”, da  Sabrina Gonçalves (vocalista e compositora na Ultrópico), o CD do André Oliveira, um dos nossos magos faz-tudo (esse já tem EP lançado esse ano, e videoclipe feito pelo Artur Rios), e o próprio CD da Ultrópico Solar com inéditas e algumas regravações em qualidade maior. Também tenho um trabalho chamado “Nevi Lunes – Caí da terra plana”, disponível no Youtube com alguns b-sides da ultrópico. Participo também da Phunk Buda, que lançou o EP “Pode chegar” e faço parte da banda (com Savina e André) do nosso querido Titi (Teófilo Lima), que lançou álbum novo esse ano e já está em produção do próximo.

Entrecultura: Qual o papel da internet na divulgação do trabalho de vocês?

L.N: Fundamental, inclusive na articulação de tudo. Por ser um trabalho que envolve muita gente, facilita na divulgação, pois costumamos apresentar um trabalho musical acompanhado de algum outro trabalho local e acaba servindo de divulgação pra todos os envolvidos, que geralmente são muitos.

Entrecultura: Fale sobre a experiência de produzir em Parnaíba.

L.N: Gratificante do ponto de vista artístico e de produção musical, por conta da qualidade das coisas que esses artistas conseguem entregar. Os pontos negativos são óbvios para quem mora aqui: Falta de estrutura, incentivos (estaduais, municipais) destinados a cultura da cidade, a falta de um festival de grande porte como o de Pedro II alinhado ao enorme potencial turístico da cidade, dentre outras mazelas que aqui chegam com fuzz e drive num amp valvulado.

Entrecultura: O trabalho de vocês chega em Teresina, embora não sendo feito sob a perspectiva da capital, como é isso?

L.N: A conexão PHB/THE é muito forte, tem esse lance de você envolver muita gente, e de repente teu trabalho chega onde tu não espera. Em Teresina chegou muito rápido, parte por conta dos laços dos integrantes com a cidade (eu mesmo morei 10 anos em Teresina, Tahiana também), parte por conta dos vínculos musicais que você acaba criando, como o Hugo dos Santos, que foi um mestre para muitos de nós, o próprio Teófilo e Fábio Crazy, que estão nessa categoria de mestres e amigos, a galera da Bia e os becks, Cami Rabelo, Nuvem Cigana, Caju Pinga Fogo, V-road,  Batuque Elétrico e vários outros, que em algum momento cruzaram nossas vidas e criaram esse vínculo.

Entrecultura: E sobre você? Fala um pouco.

L.N: Eu nasci em Brasília, vim para o Piauí ainda criança, me considero parnaibano. Entre idas e vindas me formei em Direito, nunca fui buscar o diploma. Fundei em 2012 junto com João Neto a Negative Green, onde me descobri compositor e arranjista, mas era uma viibe mais alternativa e em inglês. Em 2015/2016 conheci Daniel Filipe e começamos a escrever músicas em português, e junto com o André Oliveira e outos músicos demos base ao que é hoje a Ultrópico Solar. Toco na Negative Green ainda hoje, toquei na falecida (incorporada pelo Ultrópico) Porto Fantasma, Ultrópico Solar, Teófilo Lima e Phunk Buda. Tenho alguns trabalhos de produção de trilha pra teatro realizados com o Fábio Crazy (Eletrique zamba, Narguilé Hidromecânico). Lancei um CD no primeiro semestre chamado “Caí da terra plana”, com participações de diversos ultrópicos, negatives e outros amigos. Hoje em dia produzo a Ultrópico Solar, André Oliveira, Daniel Filipe e Sabrina Cardoso. Além de uma banda de Cover (a única do rol) chamada Mr. Pinkman. Tenho um projeto de música eletrônica também ainda sem nome, mas que só deve sair no ano que vem.

Entrecultura: Deixe um recado ao público do Entrecultura.

L.N: “Faça o melhor que você pode com o que você tem disponível”, frase que, nem sei se ele lembra, mas Ravel Rodrigues, grande compositor e arranjista de Teresina me falou uma vez e nunca esqueci.

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