Entrevista: Demetrios Galvão fala sobre 9ª edição da revista Acrobata

Por Redação Entrecultura - 14/11/2018 01h21

Chegou a 9ª edição da revista Acrobata! E é de se escrever com entusiasmo mesmo. Com algumas novidades, como o aumento no número de entrevistas, a Acrobata mantém seu perfil editorial e apresenta a edição “mais política de todas”, segundo seus editores. Dentre todas as coisas boas que a revista traz, vale destacar a entrevista com o professor indígena Daniel Munduruku. Tássia Araújo, Fernando Klabin e João Silvério Trevisan fecham a lista de entrevistados.

Recentemente lançada na Balada Litherária, a revista será lançada em mais dois eventos próximos: na Universidade Federal do Piauí no dia 20, e no Café Alquimia no dia 22, esse último evento contará com um pocket show de Fernando Araújo (Fragmentos de Metrópole). A Acrobata é vendida na Tocatta Discos, na livraria Entrelivros e com os próprios editores, através das redes sociais [Facebook: facebook.com/revistacrobata / Instagram: @coletivoacrobata ].

Para mergulhar nesta viagem da Acrobata nº 9, o Entrecultura bateu um papo com o poeta e editor Demetrios Galvão, que integra o coletivo. Olha só!

Entrecultura: Acrobata chega em sua nona edição se reafirmando enquanto produção que se consolida a cada dia. Sendo um material impresso, e sabemos das dificuldades de se firmar nesse local, a que o coletivo deve esse êxito da revista?

Demetrios Galvão: Não é fácil editar e manter a periodicidade de uma revista impressa, fazer com que ela continue por um longo tempo. No nosso caso, estamos em atividade desde 2013. De lá pra cá é um percurso de muitas histórias, com dificuldades e alegrias. Seguimos editando principalmente pelo prazer que temos em realizar a cada edição, de ver uma nova Acrobata circulando nas mãos dos leitores. O nosso esforço em contribuir com o cenário cultural que atuamos, nesse diálogo local/mundo, e também pela nossa postura política, independente e autônoma, de se posicionar frente às demandas sociais contemporâneas, como as da diversidade, gênero e étnico-raciais. Ao longo das nove edições buscamos uma qualidade visual e de conteúdo, um trabalho honesto de curadoria e de pesquisa. Acredito que esse seja o ponto que garante certo “sucesso” da publicação. Além da pertinência dos temas contemporâneos que abordamos a cada edição. Como já falei, existe uma dificuldade grande em manter a revista como uma publicação impressa e nisso, temos que fazer um malabarismo financeiro. Tentamos fazer o máximo possível de lançamentos para poder vender a revista, as vendas garantem uma metade do custo da gráfica, o restante fica por conta de alguns parceiros que pagam por alguns anúncios. A partir das duas últimas edições, criamos uma modalidade de apoio financeiro chamada de “amigos da acrobata”, são amig@s que apoiam com uma quantia em troca de recompensas. É desse esforço conjunto que garantimos a existência da Acrobata.

Aristides Oliveira e Demetrios Galvão (Foto: Divulgação)

Entrecultura: E os destaques desta edição?

D.G: Nessa edição resolvemos mudar algumas coisas na revista e a grande novidade são as quatro entrevistas que trazemos, diferente das anteriores que tinham apenas uma. Por conta do nosso contexto político resolvemos montar um panorama de vozes diversas que pudessem ressoar bem algumas questões. Então, fizemos uma entrevista com o João Silvério Trevisan, que é um ícone da literatura homoerótica no Brasil e escreveu o clássico “Devassos no Paraíso” e recentemente publicou o premiado “Pai, Pai”. Entrevistamos também o Daniel Munduruku, que hoje é um dos principais pensadores e escritores indígenas do país, além de ser dono de uma sabedoria impressionante. Conversamos com a Tássia Araújo sobre os seus trabalhos no campo do audiovisual e o papel das mulheres nos espaços de produção cultural. Fechando a lista, batemos um papo com o Fernando Klabin e o seu trabalho traduzindo autores europeus de cenários alternativos, como por exemplo o romeno Max Blecher. Além das entrevistas posso chamar a atenção para a participação dos escritores indígenas Graça Graúna e Daniel Munduruku. Acredito que a cada edição iremos ampliar a participação de escritores representantes dos povos ancestrais, trazendo aos leitores outros cenários do pensamento e novas poéticas. Tem ainda os autores piauienses que participam da edição: Lysmark Lial (ilustrações – capa e miolo), Tássia Araújo (entrevista), Rubervam Du Nascimento e Marleide Lins (poetas), Severo (processo de criação), Joniell Santos (quadrinho), Mika (ilustrações para a entrevista do Daniel Munduruku).

Entrecultura: Como é o processo de criação de cada edição? Varia?

D.G: O processo de edição da revista é um verdadeiro quebra-cabeça. Partimos inicialmente das leituras que estamos fazendo e dos contatos que estamos estabelecendo no período. Depois segue o trabalho de escolher e convidar os autores a partir de alguns critérios, tais como: distribuição geográfica, gênero, étnico-raciais, jovens autores/autores conhecidos, diversidade de linguagens, etc. Por isso não abrimos chamada para recebimento de textos. O nosso modo de editar é feito pelo processo de curadoria e pesquisa. Cada edição é a composição de um conjunto de ideias que estamos desenvolvendo naquele momento. Não é fácil dar conta de todos esses critérios, principalmente porque buscamos um equilíbrio entre tantas diferenças. É nesse jogo complexo que construímos um espaço artístico-político, ético e estético.

Capas de todas as edições da Acrobata

Entrecultura: Quem está hoje no coletivo?

Atuando diretamente no coletivo temos quatro pessoas. Mas temos a intensão de ampliar o número de integrantes e logo mais isso vai acontecer. Atualmente, estão à frente do processo editorial eu, Demetrios, e o Aristides Oliveira, o Lucas Rolim cuida do processo de diagramação e visual da revista e o Dante Galvão é a pessoa que toma de conta da nossa banquinha de publicações e nos ajuda com as questões financeiras. Somos um núcleo bem enxuto e por isso a correria é grande.

Entrecultura: Vocês lançaram um editorial tratando da conjuntura na eleição presidencial no Brasil. Você enxerga a dimensão que tem uma demarcação de posição de um meio de comunicação?

D.G: Nesse momento quem não se posiciona ou se cala, está sendo conivente com o que está acontecendo. Acreditamos que o ato de existir e de criar já é uma ação política. Sabemos desse papel e potencial da revista e por isso, nos posicionamos. Precisávamos dar uma resposta para nós mesmos, para os leitores e para a sociedade. Não podemos ficar de braços cruzados assistindo todas essas barbaridades acontecendo e não fazer nada. A Acrobata nº 9 é a mais política de todas as edições, não só pelo editorial, mas por toda a costura que fazemos com os temas abordados nas entrevistas, nos poemas, na dimensão visual (capa e miolo). Trabalhamos diretamente com a perspectiva das diferenças e vamos fortalecer isso cada vez mais. Somos um espaço de arte, de humanidade e de resistência por esse viés, pela micro-política.

Entrecultura: A Acrobata 9 já foi lançada na Balada Litherária e vai ser lançada em outras ocasiões. Como vai ser?

D.G: A Balada foi nosso primeiro lançamento e ficamos muito felizes com esse encontro da Acrobata nº 9 com o público. É sempre muito bom lançar a revista dentro de um evento com vários interlocutores(as), isso amplia o alcance da publicação. Teremos dois outros lançamentos ainda nesse mês. Um, será no próximo dia 20 às 18h no Auditório de Pós-graduação do CCHL/UFPI, um evento acadêmico em que discutiremos as relações entre história e literatura. O outro acontecerá no Café Alquimia no dia 22 às 19h, com pocket show do Fernando Araújo (Fragmentos de Metrópole), no evento Café com Versos.

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