Nossa resposta para o avanço da repressão é fazer e discutir arte: Phillip Marinho na Retrospectiva Entrecultura

Por Redação Entrecultura - 27/12/2019 17h54

Fazer uma retrospectiva de 2019 me faz pensar na potência e na necessidade de estar junto, em colaboração, treinando o fazer em diversas perspectivas, desde pequenos movimentos diários até práticas que ampliaram o entendimento e o fazer do meu próprio trabalho. Esse ano foi de parcerias e da produção de diversas obras, residências, montagens e performances. Nossa resposta para o avanço da repressão, militarização da política e do pensamento, censura e fascismo foi fazer e discutir arte.

O ano começou com a assistência de produção a sete trabalhos de diferentes artistas dentro do Prêmio de Criação em Artes Visuais 2019, promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Teresina.  Além de poder estar junto da produção desses trabalhos, também acompanhei o processo de montagem da mostra com a Labigó – empresa de criação e produção de arte na qual trabalho com Susi Castellano e Beto Cavalcante.

Outro trabalho que foi muito importante para a minha trajetória em 2019 foi o Inventário Verde da Boa Esperança (Verde Vez e suas diversas ações) de Maurício Pokemon. Pude aprender muito acompanhando seu processo de criação e participando em algumas de suas etapas, entre residência, mostra de processo, rodas de conversa, apresentações de portfólios, exposição e livro. Ações que aconteceram durante todo o ano de 2019.

Com o Campo Arte Contemporânea continuei trabalhando com colaboração, acompanhamento e amizade das pessoas que fazem parte e ocupam esse lugar, como Regina, Humilde, Marcelo, Gui, Bruno, Vanessa e tantas outras… Movemos muitas coisas com os diversos contextos criados na casa. No desenrolar dessas ações, montei com Maurício Pokemon a obra Existência em São Paulo a convite do Sesc Santana e também participei, no mês de dezembro, do Festival de Artes Vivas NIDO, um espaço de residências e desenvolvimento para artes localizado em Rivera, Uruguai, na fronteira com o Brasil. Essas experiências me conectaram com sentimentos muito fortes de estabelecer novas relações com meu lugar e com os países da América Latina, afim de aprender outros modos de pensar e fazer.

Continuei minha investigação artística com móveis não planejados no Campo e iniciei o processo de uma nova obra no final do ano, a que chamei Inútil: um amontoado de procedimentos e conceitos que pode ser uma escultura e uma performance, um método de ocupação de um espaço com materiais. Um trabalho que foi surgindo de conversas e práticas que se fortaleceram nesse ano.

Com TRETA, invasão performática dirigida por Allexandre Santos e produzida por Regina Veloso, dançamos na Escola de Teatro Gomes Campos e foi uma energia massa que recebemos dos estudantes. Dançamos também no Festival Internacional de Teatro de Rio Preto, o FIT, e apesar do frio a energia, mais uma vez foi forte e acredito que essa energia vai circular mais em 2020.

E ainda Montei o poeta Kilito Trindade para o vídeo Tupi Machine na Sala do Estar; com a Labigó montamos dois palcos da Banda de Pífanos Caju Pinga Fogo, decoramos o arraial do Entrecultura, fizemos um espetáculo infantil para o colégio Lerote e montamos exposições na galeria do Mercado Velho. Também na Galeria do Mercado Velho tive a oportunidade de fazer o curso de montagem de exposição, com os queridos Silvio de Camillis e Zagatti.

Nossa, muito aprendizado incrível nesse ano, e que vai ecoar em 2020.

 

 

Phillip Marinho é artista formado nas ruas Teresina. Desenvolveu sua prática artística observando os procedimentos e estéticas dos lugares que percorreu, cartografando signos e sentidos em seus trajetos pelas cidades. É licenciado em Artes Visuais pela Universidade Federal do Piauí (Foto: Nacho Correa)

Comentar