A voz da mulher no hip hop: RAPorElas (Blues e Jade) na Retrospectiva Entrecultura

Por Redação Entrecultura - 31/12/2019 14h10

Em Teresina o ano de 2019 foi para o movimento Hip Hop o momento de vencer barreiras que negavam seu caráter artístico. As batalhas de MC, break, eventos de grafitti e shows de RAP ocuparam espaços seus por direito nas ruas e praças com muita força e aceitação da comunidade teresinense, além disso ganhou visibilidade na mídia conservadora, que por muito tempo invisibilizou essa cultura, mostrando que sua presença tão marcante não poderia mais ser ignorada.

As mulheres, com a força de seus corpos e palavras coerentes, aumentaram em número de trabalhos lançados e nomes subindo aos palcos e nas rinhas de rima, mais uma vez firmando que pertencem a todos os espaços. Vimos também a ancestralidade e a valorização da vivência de rua, realidade periférica preta vencer os sons comerciais e despolitizados quando cada vez mais artistas negros e negras das perifeiras ganham visibilidade e contratos em eventos.

O movimento Hip Hop também esteve nas lutas por moradia com as comunidades de Ocupação Dandara dos Cocais e Movimento Lagoas do Norte pra quem?, esteve em audiência pública na Câmara Municipal contra a criminalização da cultura negra e periférica, em defesa da permanência do canteiro central da Avenida Frei Serafim e na realização da terceira Marcha da Perifeira. Foi um ano de muitas lutas, mas de muitos abraços que nos ajudaram a suportar a caminhada.

Estivemos em muitos eventos da cultura como a Batalha da STM, na Santa Maria da Codipi, cantando e rimando. Como a cena do Piranhão não poderia estar mais conectada, participamos de dois eventos de rappers maranhenses: a festa Enxame, do nosso amigo Marco Gabriel, e do mais que esperado lançamento do Álbum KARMA, da maravilhosa Carmen Kemoly, no qual inclusive a Blues participa da faixa “Devastação Feminina”.

No interior do Piauí também recebemos um convite para somar no Festival de Hip Hop de Piripiri, organizado pelo ManoFR, evento com uma super estrutura que reuniu grandes nomes da nova e antiga geração do Rap Piauiense e agitou o bairro Anajás.

Em Teresina, a luta da periferia para se manter de pé e celebrar sua cultura gerou vários eventos de peso, como o Show da Resistência, que abriu o Novembro Negro na Praça Pedro II, em defesa das famílias atingidas pelo programa Lagoas do Norte, que ataca as origens da cidade e fere nossa tradição e ancestralidade. Foi um ato político-cultural poderoso que renovou nossas energias. Logo em seguida veio a Marcha da Perifeira, onde os movimentos sociais ocuparam a avenida conhecida como coração de Teresina, com gritos de protesto e autoafirmação, contra a criminalização da pobreza, finalizando a noite com shows.

Mas talvez um dos momentos mais marcantes de 2019 tenha sido fora dos palcos, no dia 13 de Maio, quando tomamos a Câmara Municipal de Teresina em uma audiência para apurar denúncias de criminalização da cultura periférica em especial o HipHop por meio do programa Vila Bairro Segurança. Pudemos estar cara a cara com quem mandou e desmandou diversas ações que constrangeram jovens da periferia da zona Norte da cidade, e naquele momento nos fizemos ouvir.

 

 

A dupla RAPorElas nasceu em Agosto de 2018, formada por Laudeane Lima (Blues) e Sabrina Sousa (Jade), estudantes de História, filhas de Mãe Suane de Iemanjá; Blues com suas raízes na Zona Norte da Capital e Jade de Demerval Lobão (Foto: Ocorre Diário)

 

 

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