MARACATU DE CABEÇA

Por REDAÇÃO - 29/03/2021 14h16

“MARACATU DE CABEÇA” é um manifesto antifascista contra o atual estado brasileiro, de índole autoritária. Reúne três artistas contemporâneos: o poeta maranhense Celso Borges, intérprete e autor do poema; Assis Medeiros, compositor pernambucano, que fez a trilha, mixou e masterizou; e o poeta paulistano, Daniel Minchoni, que criou e editou o vídeo de 3’24”.

“Assis Medeiros é meu parceiro há mais de 20 anos em várias canções, algumas delas gravadas em discos. E Daniel Minchoni é um velho conhecido da poesia paulistana, cujo trabalho venho acompanhando de perto nas redes sociais nos últimos dois anos”, afirma Celso Borges, que tem mais de 10 livros de poesia publicados, entre eles os Livros CD XXI (2000) e Música (2006) e Pequenos poemas viúvos, lançado em dezembro de 2020.

Borges também tem parcerias com Zeca Baleiro, Criolina, Chico Cesar, Nosly e o baixista Gerson da Conceição, entre outros compositores.

MARACATU DE CABEÇA

É o começo da revolução
É Mussolini pendurado pelas pernas
MARACATU DE CABEÇA MARACATU DE CABEÇA

Porque os magnatas do vil metal enferrujam
E os fascistas têm de ser enforcados nas tripas do último pastor
Porque os falsos pastores bebem o sangue dos inocentes
Cabeça vazia oficina do diabo
Estamos em guerra contra os maus e os covardes
MARACATU DE CABEÇA MARACATU DE CABEÇA

Porque Lamarca e Marighela são estrelas além da tela
E a poesia de Lorca ainda entorta a baioneta dos ditadores
Porque notas de repúdio não sangram
E o suor das togas têm cheiro de urina
A ira é doce nos olhos da tarde
Para uma mente insana nem todo o lixo de Copacabana
O lixo é o lixo é o lixo
Pau que nasce torto morre torto
Coronel Ustra é um traste
Tortura nunca mais
MARACATU DE CABEÇA MARACATU DE CABEÇA MARACATU DE CABEÇA
Uma cabeça na cesta a gente nunca esquece
Uma cabeça na cesta vale mais que três pontos
Precisamos virar o jogo
Porque cabeças fascistas fora da cesta estão sempre no cio
Porque cabeças de vento não movem moinhos
MARACATU DE CABEÇA MARACATU DE CABEÇA MARACATU DE CABEÇA
Porque milícia rima com polícia
São cabeças de uma mesma besta
Precisamos varrer o templo dos vendilhões
Ken Parker faria o mesmo
E haveria festa em ruas e aldeias, quilombos e praças
Feriado nacional!
Porque sim e pronto
E ponto final.
MARACATU DE CABEÇA MARACATU DE CABEÇA MARACATU DE CABEÇA

Vídeo completo do poema se encontra em no IGTV do nosso Instagram.

@entrecultura

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