Roger Waters: Uma homenagem à resistência

Por REDAÇÃO - 26/05/2021 11h50

Roger Waters não para de surpreender. O polêmico ex-líder e baixista do Pink Floyd, mente por trás do conceito das principais canções da banda, sempre se posicionou claramente contra sistemas fascistas e autoritários.

Ao contrário do que pensam as mentes limitadas que acham que artista vive de dinheiro do governo, Waters não se curva. E, para mostrar mais uma vez que sabe muito de que lado está, em live do programa da TVT Um Novo Mundo é Possível, que é feito anualmente em homenagem ao Dia do Trabalhador, o cantor fez um brinde a Lula, deixando claro sua admiração pelo líder político brasileiro. Veja o vídeo abaixo:

Fonte:https://www.youtube.com/user/icidadania

Não é a primeira vez que o ícone do rock “causa” aqui no Brasil. Durante o show em São Paulo, em 2018, no telão do palco onde se apresentava, em certo momento aparecia uma lista com nomes de países onde o neofascismo estava em ascensão. Se lixando para os reacionários que pagaram (caro) pelo ingresso e fazendo jus à sua história, pôs o nome de Bolsonaro no fim da lista.

Show de Roger Waters
Imagem: Reprodução/Internet

Foi vaiado durante cinco minutos. Irônico como ele só, moveu os braços fazendo um movimento de regência de coral. Nos dias que se seguiram, era comum ouvir e ler as frases mais absurdas a respeito de Waters: “já tá na hora de parar de cantar”, “não sabe mais compor e fica querendo lacrar” e, a pior de todas, “ele não sabe sobre o que está cantando”. O BR17 é isso aí.

Veja o vídeo do show das 2018, em São Paulo:

Fonte:http://www.youtube.com/poder360

Agora, em 2021, após uma gestão desastrosa do governo federal no que diz respeito à pandemia do novo Coronavírus, que tem ceifado centenas de milhares de vidas, o presidente Lula é inocentado de todas as acusações que lhe caíam, tornado-se elegível, vem Waters e homenageia o homem após seus discurso do dia do trabalhador.

Como era de se esperar, os bolsonaristas reagiram. O Brasil tem, há algum tempo, sido motivo de chacota internacional por causa dessa parcela acéfala da população. Nazismo de esquerda, terra plana, Roger Waters que não sabe do que falam as músicas que compôs… Quem diria que o lado escuro da lua tem muito mais clareza do que grande parte do Brasil de 2021. Enquanto o lado claro da lua tem São Jorge, o lado escuro parece ter São Roger.

A questão não é ser lulista ou não. Quando um artista do quilate do ex-líder do Floyd se posiciona sobre uma causa, deve-se, no mínimo, levar em consideração. O artista, de forma geral, tem uma voz e um alcance que devem sim, ser usados para conscientizar as massas. Do contrário, essa mesma massa ficará vulnerável a todo tipo de armadilha midiática falaciosa.

Seria um bom momento para que os artistas brasileiros, tão afetados e indignados com o projeto de destruição cultural, mostrassem realmente essa raiva que dizem ter e se posicionassem abertamente. Precisam sacudir a árvore de fãs e deixar que os frutos podres caiam e sejam conduzidos à latrina da história. As pessoas precisam saber se aquele humorista é homofóbico, se aquela apresentadora é racista, se aquele cantor é omisso e se apoiam o neofascismo brasileiro.

Acho que não vai haver prejuízo para ninguém: quem for fascista fica com seus fãs fascistas, quem for a favor da vida, democracia e justiça, fica com os fãs a favor da vida, democracia e justiça.

Chega de ficar isento.

Por menos sertanejos reaças do agronegócio e por mais Waters.

Esse é o Brasil que eu quero.

Por Marco Antonio, escritor, Músico, Professor é Produtor Cultural.

Publicado originalmente em:

Descobrimos o que há do lado escuro da lua: Roger Waters antifascista

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