Juliano fm Costa e a construção de seu barco marcam a chegada do álbum de estreia

Por Redação Entrecultura - 23/07/2021 14h31

Disco com 9 faixas está disponível em todas as plataformas digitais a partir de hoje (23)

Juliano fm Costa  por: Juliano fm Costa – download aqui,

O paulistano Juliano fm Costa marca a estreia de sua carreira solo com o álbum Barco Futuro, que chega com nove faixas em todas as plataformas digitais, nesta sexta (23). As canções Longe Daqui, Saiba, Coragem e É Bom Sonhar integram o disco e tiveram seus respectivos videoclipes lançados desde março. Os vídeos foram dirigidos, produzidos, criados e finalizados pelo próprio artista (com exceção de Coragem – executado por Filipe Franco). Ouça aqui.

 

Em 2019, alguns meses antes do início da pandemia, começaram os registros do disco do baterista da dupla Primos Distantes – projeto atualmente em hiato, que se destacou em 2014 com disco homônimo. As bases principais como guitarras, baixo, synth, teclados e violões foram gravados no home studio do produtor Renato Medeiros. Para o registro de voz e bateria, a dupla fez uma espécie de retiro musical por duas semanas, na Serra da Mantiqueira, em Monteiro Lobato, localizado na Grande São Paulo. Sem acesso ao mundo virtual ou a rede de celular, o processo resultou em uma completa imersão. Após o retorno, seguiram gravando na casa do Renato, e convidaram Lucas Gonçalves (baixista da banda Maglore) para contribuir, executando alguns instrumentos em mais da metade do repertório.

 

“Após o início do isolamento social, as sessões presenciais foram substituídas por um processo à distância e isso mudou todo o esquema de gravação. Começamos a fazer algumas reuniões por vídeo ou telefone, e toda a parte de mixagem, master e até alguns registros finais foram desse jeito. O Renato mandava algumas ideias e a gente conversava sobre as possibilidades”, revela Juliano.

 

Capa de Barco Futuro por Babette Costa com sobreposição de foto de Babette Costa e foto de Renato Medeiros  – download aqui

OUÇA AQUI

Capa

A artista Babette Costa foi responsável pela capa do álbum e também dos singles que antecederam o lançamento, e explica a ideia por trás da arte: “A ideia era fazer um encarte que fosse o diário de bordo de uma viagem do Barco Futuro, uma navegação onde não importa o destino, mas sim as paradas no meio caminho. A capa do disco é a capa do caderno, que contém anotações, desenhos de um percurso entre o presente e o futuro, a imaginação e o mundo real. O diário de bordo pretende amarrar os desenhos e as músicas em uma viagem, abrindo espaço pro erro e pro improviso, mas tendo as músicas como ponto de partida e de chegada”.

Faixa a faixa

Navegando em uma temática que preza um lugar no tempo, o disco traz uma analogia à paciência e construção logo no título da obra. “Construí um barco. Daqueles que não tem itinerário quando o assunto é espaço, mas tem um objetivo exato quando o assunto é tempo: o futuro. A ideia é viajar com ele por aí e, quem sabe, te encontrar no caminho”, explica.

Uma realidade paralela utópica é o tema da música que dá o pontapé inicial do álbum, Longe Daqui. Vídeos da cidade de São Paulo com sobreposições de imagens, ilustram o clipe produzido por Juliano. “É a que mais representa a minha fase atual de composição. Eu gosto do fato dela não ter exatamente um refrão, são versos que vão crescendo e quase vira um refrão”.

A música No Final poderia ser uma collab dos Beatles com os Mutantes pontuando o fim de um relacionamento. A música contou com a  colaboração de Lucas Gonçalves na guitarra e backing vocals, ambos ressaltando a textura sessentista da música. “Pensar na finitude das coisas dá uma aflição. Parece meio impossível que algo muito bom possa virar ruim. Eu quis explorar essa mudança de estado, que só o tempo consegue causar. A imagem de um casal que dava risada e era feliz, passando a ser um casal triste”, revela Juliano.

Coragem traz uma atmosfera nostálgica não só pelas imagens do clipe, mas também pelos arranjos e letra. Renato Medeiros produziu a faixa ao lado de Lucas Gonçalves, que também gravou as guitarras, violão, bateria e percussão. “Fiz essa música depois de assistir a uma gravação de VHS, com imagens de mim e da minha prima, aos três anos de idade. Fiquei pensando sobre a relação estranha entre as duas crianças do vídeo e os dois adultos que elas viraram. Dá um pouco de aflição, mas faz a gente pensar melhor no presente”.

Com arranjos inspirados no universo do músico paulistano Luiz Tatit, a música Tempestade brinca com a ambiguidade musical apresentada pelo tom de calma nas melodias, contrastando com a letra que discorre sobre uma agitação atmosférica violenta: “O tempo é um tema constante no disco. E essa música é sobre a ansiedade que faz com que mesmo quando está tudo bem, a gente acha que pode vir algo ruim pela frente. Nesse caso eu acertei porque veio a pandemia”, completa.

Dia de Festa é a faixa que evidencia a participação de Renato Medeiros no processo criativo do álbum. Além de produzir, gravar, mixar e masterizar a canção,o artista colaborou escrevendo a letra, gravando as vozes (divididas com Juliano), guitarra, baixo, violão e sintetizadores. “Eu tinha feito a melodia e não conseguia achar uma letra. Aí uma noite o Renatinho me mandou uma letra inteirinha, pronta, que ele fez de uma vez. E o arranjo ficou muito legal, são quase duas músicas dentro de uma. É muito raro pra mim fazer parceria. Raramente dá certo. Essa deu”.

No Espelho fala sobre aquele clima estranho que fica no ar após um desentendimento, e foi traduzido para além da letra, nos arranjos da música, a sensação do silêncio constrangedor de um elevador. “Sabe quando a gente briga com a pessoa que ama no meio de uma festa ou de um bar, e volta pra casa sem falar nada? Essa música é sobre isso”.

Com uma forte presença do mellotron, a música Saiba fala sobre um término, embora seja acompanhada de uma melodia alegre: “Na minha cabeça, ela era uma música melancólica, que seria cantada lenta e com violão. Mas o caminho que o Renato propôs na produção foi surpreendente. E fez muito bem pra música e pro disco. É legal misturar uma letra triste com uma instrumentação agitada. Fica mais parecido com a vida mesmo”.

É Bom Sonhar foi o single que antecedeu o lançamento do disco e presta uma homenagem ao falecido avô de Juliano. Dentro de um universo onírico, representado através de colagens 3D, o videoclipe foi criado e executado pelo artista. “Sabe quando a gente sonha com alguém querido que já morreu, e o sonho parece tão real que a gente sente que foi um encontro mesmo. É uma música sobre boas lembranças e muita saudade. Na hora de gravar, eu e o Renato Medeiros, produtor do disco, tentamos chegar num clima de tristeza bonita”, revela.

Para encerrar o álbum, a faixa Paz é a mais minimalista de toda a obra. A intenção foi deixar a música mais fiel possível a quando ela foi composta. “A música é uma descrição literal do que estava acontecendo no momento em que ela foi feita e quis deixá-la assim, sem mudar nada de letra ou melodia. Achamos que seria um jeito legal de encerrar o disco. Terminando um passeio, voltando pra vida real, como se aquelas músicas anteriores fossem uma ideia meio absurda, uma brincadeira, um sonho”, finaliza o artista.

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