Por que investir na cultura piauiense?

Por Camila Fortes - 17/04/2016 17h45
Foto: PMT
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Aos poucos a cultura vem deixando de ser considerada apenas uma questão de entretenimento para se consolidar como um importante instrumento de identidade e de desenvolvimento social.

A partir do momento que a cultura reflete o modo de vida de uma sociedade e interfere em seu modo de pensar e agir, sendo fator de fortalecimento da identidade de um povo e de desenvolvimento humano, esta cultura se torna uma ponte para a cidadania.

Tornar as formas de expressão, os modos de criar, fazer e viver, as criações científicas, artísticas e tecnológicas de forma acessível e de fácil entendimento para uma sociedade, é viabilizar espaços e oportunidades para uma construção de valores pessoais e coletivos, gerando assim, um pluralismo cultural dentro de uma sociedade que muitas vezes é confundido com entretenimento e lazer – que também são direitos de todo cidadão, mas que fazem parte de uma categoria de diversão e distração pessoal.

Para diferenciar entretenimento de cultura, é visto que o entretenimento é uma forma de divertir e distrair as pessoas quando elas se encontram desviadas de suas preocupações cotidianas, enquanto a cultura pretende incomodar, transformar, chamar à responsabilidade de um compromisso com a vida. O entretenimento e o lazer são importantes enquanto possibilidades de uso, mas a abrangência das ações culturais são mais permanentes e geram possibilidade de forte construção de identidade cultural.

Desde a década de 90, sextuplicou o número de empresas que passaram a investir em cultura e cumprir com um papel de fomento e cada vez mais pessoas ingressam nesse mercado anualmente. O incentivo e investimento à cultura gera uma relevância coletiva e a empresa que tem compromisso em incentivá-la contribui para o bem estar e por uma responsabilidade social.

Por isso, o investimento privado em cultura é um poderoso parceiro do Estado no desenvolvimento econômico e social, vista como um direito de cada cidadão tão importante quanto o direito à alimentação, à saúde, à moradia, à educação e ao voto.

Como disse Sérgio Mamberti, “Cultura é gente, diversa, plural, multifacetada, que na identidade de cada um forma o caldo coletivo que alimenta a história. O que importa é alimentar gente, educar, empregar gente.”

Quando falamos sobre o poder da cultura em determinada região, devemos pensar além: o impacto do texto do autor forma – e reforma – a opinião do leitor, construindo um ser social através do seu conhecimento e dos seus estudos sobre determinado assunto. Todo esse embasamento faz parte da perspectiva de um crescimento cultural que já foi construído através de uma outra produção que se perpetua continuamente.

No que se refere a produção local piauiense, é visivelmente perceptível as conquistas e as deficiências: quase um parto a cada execução bem sucedida. Eventos como shows, saraus, apresentações, amostras, exposições, encenações; organizações plurais e coletivas; entidades e qualquer outra forma de expressão e comunicação, vem ganhando espaço no cenário cultural local por suas produções independentes, que embora consigam ser produzidas – com muita luta – muitas vezes não recebem apoio.

A partir disso, nos questionamos: até que ponto o artista pode esperar? Até quando a esperança por um apoio pode falar mais alto do que o anseio da realização do trabalho? Até onde um projeto cultural em prol de uma comunidade se torna uma prioridade governamental?

Esses e outros questionamentos, o Entrecultura.com.br busca respostas através do jornalismo especializado. É nosso papel investigar, estudar, analisar e comunicar como, onde, o quê, quando, por quê e para quem a cultura local é uma prioridade.

Texto por: Camila Fortes

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