Batman Cavaleiro das Trevas 3 é bom!

Por Redação Entrecultura - 23/06/2016 11h36

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A excelente arte de Eduardo Risso para a edição especial de Batman Cavaleiro das Trevas III parte 2

Acabei de ler a edição 2 de Batman Cavaleiro das Trevas III (The Dark Knight III – TDKIII). Serão 8 números (se não estiver enganado) e talvez seja muito cedo para traçar qualquer comentário mais preciso, entretanto, aqui vão algumas das minhas impressões: se você odiou Cavaleiro das Trevas II (TDKII), dê uma chance para essa nova revista porque ela apresenta ideias muito bacanas, centradas em algo fundamental que é a falta de grandes pretensões. Trata-se de uma continuação direta que não busca ser melhor ou se igualar à original, e isso já é por demais significativo.

Frank Miller, que divide o roteiro com Brian Azzarello, parece estar ali presente como um eco quase mudo, ressoando vagamente em algumas frases de impacto típicas de sua linguagem noir, mas isso não desmerece a obra. Muito pelo contrário. Para explicar, vou ilustrar: Confesso que não consegui ler Holy Terror, um trabalho de Frank Miller que deveria ser protagonizado pelo Batman e que foi negado pela DC e lançado por outra editora como se fosse outro personagem que não o homem morcego. Nessa hq, Miller tenta simular a arte preto e branco que o próprio autor consagrou em Sin City, mas está fraca, apenas um pouco melhor do que o que ele aprontou em TDKII. Do roteiro de Holy Terror, não consigo lembrar nada significativo, nem para esconder essa obra na minha estante. Enfim: se Frank Miller fizesse de TDKIII algo ruim como ele fez em TDKII e Holy Terror, melhor que outro autor tomasse dianteira nessa segunda continuação. Sobre Azzarello, ele é um autor que divide opiniões: capaz de escrever sua elogiada fase na revista da Mulher Maravilha e coisas quase intragáveis como Spaceman (se não fosse o ótimo desenho de Eduardo Risso) e o prequel de Rorschach (em Before Wathmen, se não fosse o ótimo desenho de Lee Bermejo. Parece que o escritor gosta de usar bons desenhistas como escada). Enfim, Azzarello se utiliza do “carimbo” de Miller para dar continuidade à sua hq que, no mínimo, é interessante se você não for um cara conservador no que diz respeito à “adoração” de seus clássicos.

Sobre a escolha do desenhista, é importante frisar que procurar alguém com traço diferente do Miller é interessante se a proposta for realmente, fazer algo diferenciado, mas não foi isso que a editora procurou. Andy Kubert não foi a melhor escolha, mas contribui para a obra justamente porque não é dono de um traço pretencioso. Ele não nasceu para desenhar um clássico e isso é algo que TDKIII não procura ser. O desenhista procurou simular o tipo de narrativa de Miller e a arte final de Klaus Janson, artista unha-e-carne com o autor original e que, inclusive fez também o primeiro Cavaleiro das Traves, deram o tom de procurar fazer algo parecido, buscando não errar. As cores de Brad Anderson também parece seguir a paleta da obra original de Lin Varley. Se a intenção era realmente simular o Miller, deveriam ter dado toda a arte a cargo de alguém como Eduardo Risso, que contribuiu com TDKIII em uma hq curta da Mulher Maravilha lutando contra sua filha, Lara.

Nas duas edições que já saíram (sem spoiller, para não ofender), a história gira em torno do mistério do que aconteceu a Bruce Wayne cerca de três anos depois do que vimos em TDKII, da ausência de um Superman enlutado em sua fortaleza da solidão e do destino de milhares de kriptonianos engarrafados em Kandor. Azzarello sabe concluir seus capítulos com ótimas cenas tipo “UAU!” e ficamos na expectativa de que ele saberá concluí-los. Para explicar: no final da primeira edição temos uma revelação desse tipo e que propunha uma pegada completamente diferente para o rumo que a história deveria tomar, mas quando lemos a segunda edição percebemos que fomos apenas enganados em troca de uma cena “massa”.

Em outra ocasião falei sobre a questão de escrever nova histórias para obras fechadas que não precisam disso. É verdade. TDK não precisava de uma segunda ou terceira histórias. Mas os personagens estão aí e novos autores os adoram. É bom ver uma editora que se arrisca a mexer com o “sagrado”, agora permita-se tirar suas próprias conclusões.

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