Deixa a Valkíria entrar

Por suporte - 21/11/2016 23h10

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Talvez ninguém aqui se lembre, mas houve esse tempo em que sentávamos em silêncio em frente a uma montanha. Pouco a pouco, estávamos juntos e entrelaçados e em silêncio. Entrelaçados parados juntos, lado a lado. Entrelaçados nos nossos sentidos. Não era necessário que aproximássemos as mãos. Todos os barulhos entre nós e a montanha nos abraçavam.

Eu sinto falta de estar em cima de um cavalo e sair na floresta, abrir o vento. Sinto falta de boiar na correnteza de  um rio num dia de chuva.

Você já conversou com a floresta?

Um dia eu fiquei surda dentro de um arco-íris de queda d’água. Fiquei tonta e um pouco fora de tempo, vi umas grandes raízes e pensei em me energizar ali, naquela conexão com o chão, um sustento. Tava tão bom que pedi pra subir num galho. Quando coloquei a mão pra me jogar no impulso, uma formiga me mordeu. Eu não subi. Três macacos chegaram no maior alvoroço. Macacada.

A primeira vez que mergulhei numa cachoeira, ouvi o frio tilintar.

Parece que a floresta fala através do silêncio sem ser o silêncio. É uma calmaria que silencia. Abre uma porta pra fora desse fluxo interrompido corrompido. Desse tagarela vazio engolindo o tempo. Desse engarrafamento de rodeios.

Não precisamos de tanto assim.

Mas já é quase dezembro. Os dias já começam a anuviar. Aliviando.

Em 2017 quero entrar mais na floresta.

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