A fotografia como prática de autoconhecimento

Por Redação Entrecultura - 02/03/2017 12h38

A Fotografia é um multi-universo que está ligado ao prazer. Só quem a pratica sabe a sensação maravilhosa que é ver, sentir e registrar (ou criar) uma imagem. Além disso, fotografar é uma atividade libertadora na sua essência – afinal, criar e estar ali, clicando, é uma forma legítima de expressão. A prática da Fotografia nos faz sempre querer aprender mais, executar aquilo melhor, afinar o olhar.
Com ela conseguimos nos manter conectados a nós mesmos, algo dificil hoje em dia, visto que atrelada às tarefas do nosso cotidiano, temos uma avalanche de mensagens de textos, emails, atualizações de status e publicações em redes sociais que demandam nossa atenção o tempo inteiro e que ocupam parte considerável da nossa hora livre.

Vivemos num mundo insanamente plugado, 24h por dia, sete dias por semana, exigente e impiedoso. Essa conexão incessante, além de outras consequências, nos fez pensar e observar menos tanto o mundo que existe ao nosso redor como o mundo que existe dentro de nós, e nem nos damos conta disso.

 

Para fotografar melhor, precisamos nos conhecer intimamente. É parte fundamental do processo de desenvolvimento fotográfico esse olhar para dentro. Como defende Sebastião Salgado, “você não fotografa com a sua máquina, você fotografa com toda sua cultura”.
Tudo o que faz parte de nós está ali, naquilo que é entendido como tema em cada fotografia, um pedaço de nós mesmos em cada clique.
Certamente, como qualquer outro exercício, a evolução tem como fator principal a prática (muita prática), o estudo (muito estudo) e o tempo. Dificilmente da noite pro dia se conseguem resultados satisfatórios, muito menos uma identidade fotográfica.
Mostrar um pedaço da vida, registrar momentos da família, fotografar através de qualquer meio ou tema é sentir uma forma de felicidade e contemplação (é se enxergar e permitir que os outros te enxerguem na tua Fotografia), e só atingimos esse coeficiente com alguma experiência e autoconhecimento.

 

POR: Adriano Carvalho

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