“Asas de Pedra” de Nayara Fernandes terá pré estreia no SaliPi

Por Joana D'arc - 29/05/2017 12h04

No próximo domingo (04) acontece o pré lançamento no Salão do Livro do Piauí (SaliPi) o livro de estreia da autora piauiense Nayara Fernandes. Lançado pela editora Edith, a poesia potente de Nayara agora ultrapassa as páginas virtuais do seu blog e chega as folhas impressas. O Entrecultura conversou com a autora sobre as expectativas do pré lançamento e sobre a literatura local.

 

Nayara Fernandes. Foto: Acervo pessoal

ENTRECULTURA:  A relevância de lançamentos de títulos de escritores teresinenses e a questão da leitura, como “nosso povo” percebe essa questão?

NAYARA FERNANDES: Diante da disseminação de revistas culturais impressas originadas em nosso Estado e conhecidas em parte do país, “Asas de pedra” nasce para se somar ao potencial literário pouco explorado em Teresina e, assim, estimular outros autores por mostrar que a literatura local está em movimento.
E: Existe uma batalha grande para que Piauí tenha mais leitores, que consuma e desfrute de mais e melhores livros. Como você percebe essa questão?Falta de incentivo? Fatores econômicos que não permitem o acesso a todos? Educação?

NF: Para quem sobreviveu do útero deteriorado das circunstâncias, é inevitável admitirmos a carência dos fatores ecônomicos e educacionais preestabelecidos para população menos favorecida. No entanto, o incentivo é uma das questões esmagadoras que assola o desenvolvimento cultural do Estado. Incentivo é o nutriente da vontade, embora diante de todas as ausências. É o incentivo que estimula a transformação de uma causa.

E: A necessidade de se educar uma população e aumentar o índice de leitura na nossa comunidade depende de que?

Em temos gerais, as políticas públicas ultrapassam toda compreensão conceitual sobre literatura. Num país onde o incentivo a leitura é maquiado pelos estímulos superficiais de alfabetização, é de uma gravidade enorme 44% da população brasileira não lê, enquanto 30% nunca compraram um livro. Não podemos encarar isso como um dado normal, quando nossa herança histórica não apresenta índices favoráveis ao desenvolvimento cultural do Brasil. Neste bordado de vários pontos, a complexidade do assunto envolve desde o perímetro familiar ao governamental. Não é uma questão isolada e, sim, abrangente quando para uma única pergunta existem inúmeras respostas que se sobressaem entre si.  Decerto dentro deste labirinto incerto arrisco afirmar, aquém das políticas públicas, que imanentes atuam como pulmões, somos nós o coração da sociedade. Temos nas mãos o absoluto poder de transformação.

 

A pré-estreia do SaliPi. Foto: divulgação

E: O seu “Asas de pedra” livro de estreia trata de que? Conta um pouco de tudo. RS!

NF: Nascido como título de um poema, “Asas de pedra” foi um divisor de águas em minha vida. Composto em julho de 2014 para uma postagem semanal em “Onde cantam os pássaros”, meu primeiro blog. Tive a oportunidade de mostrá-lo a Marcelino Freire, escritor e idealizador da Balada Literária em SP. Durante as oficinas de criações literárias do Projeto Quebras, que surgiu com o objetivo de descobrir novos poetas longe dos centros urbanos Na ocasião, mesmo sabendo da produção em prosa, Freire fez o convite para lançar minha primeira obra em poesia pelo Selo Edith. Como alguém que escrevia poemas laboratoriais, experimentando modelos remotos para um longínquo livro de poesia, nascera ali uma poeta acurada na sensibilidade.

Assídua leitora a autora traz agora seus versos para o papel. Foto: Acervo Pessoal

E: Sabendo que estou tratando com uma poetisa intensa e talentosa, arrisco perguntar: “como manter a conexão com a poesia e com a sensibilidade da escrita nos dias de hoje?

NF: Sem qualquer ciência de origem poesia é o estado da sensibilidade, enquanto sensibilidade é a condição da poesia. Na contramão das aparências, não existe uma ordem cronológica, tampouco um receituário específico. Ambas são oriundas da capacidade humana, o que existe é uma compressão imediata dos sentidos – um clique de silêncio onde o tempo inexiste e o mistério avassala. “Dentro de mim, vão nascendo palavras líquidas, num idioma que desconheço me vai inundando todo inteiro”, diria o escritor Mia Couto.

 

REDAÇÃO ENTRECULTURA

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