Com carreira consolidada na música, Assis Bezerra se prepara para lançar sua primeira revista em quadrinhos

Por Redação Entrecultura - 08/09/2018 05h00

Hoje não vamos falar do músico Assis Bezerra. Longe de desconsiderar sua trajetória e sua contribuição para a música no Piauí, acontece que o assunto agora é outro, e de muita relevância: Assis Bezerra se prepara para lançar Veia Fatal, sua primeira revista em quadrinhos. Para ajudar a custear a impressão, o artista lançou uma campanha de financiamento coletivo na internet. Em uma conversa muito agradável com o Entrecultura, ele falou sobre esse outro talento, que não era tão conhecido, e sobre o projeto da revista, voltada para o público adulto.

Apesar de estrear agora com uma publicação, Assis Bezerra desenha desde pequeno. “Comecei a desenhar como todas as crianças começam, toda criança sabe desenhar, começa a se comunicar com o mundo através de desenhos. Então, já na minha infância aparecem os gibis, que na minha época era o Maurício de Sousa, com a Turma da Mônica, os americanos com o Mickey Mouse, todas essas influências. Quando o outros signos, como a leitura, entraram na minha vida, eu continuei. Na minha casa são três irmãos, e todos nós sentávamos para desenhar o dia todo, eles não desenvolveram e abandonaram, eu fiquei desenhando”, relata.

Relembrando seus tempos de estudante, Assis fala dos pequenos conflitos que haviam na escola pelo fato de ele passar mais tempo desenhando do que estudando as matérias obrigatórias em sala de aula. Ele conta que não recebeu incentivo de professores, a exceção de uma, a professora Maria do Carmo, na época, diretora da Escola Municipal Simões Filho, onde estudava.

“Eu ia para a escola e desenhava mais do que prestava atenção às aulas, em todo o momento me puxavam a orelha por não prestar atenção, mas, aquilo não me interessava, eu só gostava de Biologia, Geografia, onde eu tinha que desenhar. Hoje vejo como nossa escola era despreparada, ao invés de os professores, diretores, pedagogos incentivarem as crianças, faziam era discriminar, mas, nem tudo estava perdido, eu encontrei uma diretora que foi um divisor de águas na minha vida de estudante. Ela, pelo contrário, me admirava, um dia chegou e disse: ‘você é um artista, vou lhe liberar das aulas de ginástica para você fazer caricatura de todos os professores, vamos fazer uma exposição’. Ela me incentivava demais, ela era repentista, artista”, relembra. A professora Maria do Carmo faleceu neste ano.

Sua primeira tirinha foi publicada bem cedo. “Aos 13 anos de idade criei um super-herói, o Louro da Selva, influenciado pelos quadrinistas norte-americanos, e saiu uma tirinha no Jornal O Dia. O Louro da Selva, foi influenciado pelo Tarzan”, informa.

Assis Bezerra relembra que chegou um dia em que o desenho se confrontou com a música, não no sentido de um anular o outro, mas, de forma que ele teve de escolher para qual campo iria dar prioridade. “Quando pintou a música foi o maior conflito, os dois signos se debatendo, ou eu desenhava ou ia aprender um instrumento, cantar, compor. Vieram as primeiras composições e o desenho foi ficando de lado, e durante muito tempo ficou de lado, mas, nunca deixei de desenhar, eu digo que ficou de lado porque não investi”, explica. Mesmo priorizando a música, já teve quadrinhos publicados na Revista Zig-Zag e chegou a desenhar a capa de um disco da banda de metal Megahertz, Technodeath (1989).

Revista Zig-Zag

 

Capa do álbum do Megahertz

Nesse momento, em que decide se dedicar ao talento nas artes visuais, Assis conta com o apoio imprescindível do filho, o músico Pedro Ben, que assumiu a produção da revista, e do quadrinista Bernardo Aurélio, que ficou com a edição. “Eu já tinha esse projeto há muito tempo, eu era um náufrago, caí de uma nau no mar e joguei uma garrafinha com S.O.S. (risos). Meu produtor, Pedro Ben, achou e o editor Bernardo Aurélio acatou a ideia. Eles estão trabalhando essa revista, até agora não fiz nada, só os desenhos”, coloca.

Veia Fatal é uma revista com dez histórias em quadrinhos, de enredos e personagens diferentes. “São dez histórias diferentes em 42 páginas. Dessas HQs, somente três já tinham sido publicadas em revistas, na década de 90. Minha temática é coisas do cotidiano, o existencialismo, os conflitos do ser humano, comportamento, é um quadrinho para adultos. Veia fatal é o nome da história principal, que fala de amor”, esclarece Assis.

A impressão da revista está dependendo da arrecadação que será feita até janeiro de 2019 na plataforma Catarse. “Estou fazendo esse trabalho a partir de um financiamento coletivo, é um trabalho de formiguinha. No Catarse, a pessoa escolhe um valor com o qual quer contribuir e tem recompensas”, destaca.

A revista Veia Fatal deve ser lançada entre janeiro e fevereiro na Quinta Capa Livraria, que pertence a Bernardo Aurélio, que, de acordo com Assis Bezerra, é uma das pessoas que mais tem contribuído no fomento a cultura dos quadrinhos em Teresina. “Bernardo já lançou vários artistas de quadrinhos independentes, ele aposta, investe, e abraçou a minha ideia”, finaliza.

Capa da revista Veia Fatal

Quem tiver interesse em contribuir com o projeto da revista Veia Fatal, deve acessar o Catarse, no link abaixo:

www.catarse.me/projects/82306/

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