“Entre o céu e o chão, tudo é experimentação”: Entrecultura entrevista Castello Branco

Por Redação Entrecultura - 09/10/2018 00h10

Castello Branco é cantor, compositor instrumentista e escritor. O artista carioca, que se consolida no cenário da Nova MPB com dois discos á lançados (Serviço e Sintoma), afirma estar em constante experimentação musical: “Sou uma cobaia de mim mesmo”, é o que diz. Castello também exercita (e muito bem) a escrita e já tem um livro de poemas lançado, intitulado Simpatia, que foi inspirado em suas experiências, inclusive as vivenciadas quando estava em um monastério.

O cantor se apresenta em Teresina neste sábado (13), na Galeria The Doors. Ele concedeu uma entrevista ao Entrecultura, onde falou sobre seus trabalhos na música, na poesia, e sobre o show em nossa capital. Confere!

Entrecultura: Como se deu a concepção do seu novo disco, Sintoma?

Castello Branco: A síntese veio daquilo que só o próprio ser pode sentir. O sintoma é só teu, só você sente. Como comunicar isto, como lidar com isto. Foi daí que parti. Busquei arranjos delicados e frequências meditativas que vibram trilhando um caminho elegante e nos trazendo, no discurso, questões evolutivas do “Ser”. Trouxe como coprodutores o maranhense Ico dos Anjos e o carioca Lôu Caldeira. São 11 faixas com a participação dos queridos Filipe Catto, Mãeana e Verônica Bonfim.

Entrecultura: Como os elementos da música eletrônica e de ritmos do Maranhão chegam nesse novo trabalho?

C.B: Trabalhei durante um ano em São Paulo em uma instalação audiovisual de Berlim chamada “Kubik”, daí comecei minha relação. Transitei em muitas festas e conheci muita gente do meio. Misturei um pouco disso tudo com o folclore que já está em mim, minhas canções naturalmente saem assim. Além disso, chamei um maranhense para co-produzir o disco, Ico dos Anjos. O Castello Dança – Sintoma é sobre música eletrônica com gravações de instrumentos reais, que a deixam mais orgânica, no lugar de 100% computadorizada. E os artistas podem usar, ora um instrumento antigo da Turquia, ora um canto indígena, por exemplo.

Entrecultura: Você gosta de comparar seus dois álbuns? Como analisa cada um deles?

C.B: São dois projetos diferentes, com inspirações diferentes conectadas por uma mesma essência. Foram idealizados em momentos diferentes da minha vida, o que permite explorar novos estudos musicais.

Castello Branco (Foto: Henrique Resende)

Entrecultura: Você tem declarado que está se encontrando musicalmente. Como está esse processo? O novo álbum te aproximou desse encontro?

C.B: A cada novo trabalho busco uma imersão em um novo estudo. A composição desses estudos, acredito que acabará me levando para esse encontro musical, embora ainda tenha muito caminho a percorrer.

Entrecultura: Você tem um livro lançado, Simpatia. Como idealizou essa obra?

C.B: Foram anos experienciando. São sínteses que escrevia no meio da rua, em festas, manifestações, em jejum, no monastério, em suma, vivendo. Reuni toda essa vivência e resultou no “Simpatia”. A simpatia é a empatia que você tem com você. Trouxe nesse livro algumas simpatias que me ajudaram bastante a enxergar as coisas e os relacionamentos a minha volta. Espero poder transmitir essas vibrações para os leitores.

Entrecultura: Como você analisa sua trajetória enquanto artista?

C.B: Sou uma cobaia de mim mesmo. Entre o céu e o chão, tudo é experimentação.

Entrecultura: E os próximos planos?

C.B: Estou em fase de experimentações para a produção do novo disco para 2019.

Entrecultura: Você se apresentará em Teresina no dia 13 de outubro, em um evento que vai misturar música e poesia. O que prepara para o público teresinense?

C.B: O show mistura um pouco das musicas do serviço e do sintoma, além de algumas coisas novas também que estou experimentando. Junto disso, muito carinho e coração aberto a todos. Será uma alegria poder levar mensagens leves e boas vibrações para o público de Teresina. Estou ansioso por esse encontro. O show será realizado no dia 13 de outubro de 2018, sábado, na Galeria The Doors, localizada na rua General Adelmar Rocha 2525 bairro Ininga – Teresina, e serão duas sessões: umas às 17:30 e a outra as 21:30.

 

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