Banda Fragmentos de Metrópole comemora onze anos com o lançamento do CD “IAMTHEPIBRA”

Por Redação Entrecultura - 08/11/2018 08h00

A banda Fragmentos de Metrópole, bastante conhecida no cenário alternativo local, completa onze anos de existência neste mês. Para marcar esse aniversário, o grupo lançará o disco IAMTHEPIBRA, junto de um livreto pelo selo Kizumba. Com Fernando Araújo nos vocais, André Henrique no baixo, Telmo Belizário na bateria e Márcio Aires na guitarra, Fragmentos de Metrópole se constituiu entre o ambiente da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e a encruzilhada do Rufino,  espaço que reúne estudantes e moradores da região do bairro Ininga.

Essa nova fase da banda conta com a produção de Elizabeth Araújo, que garante uma agenda de shows para a apresentação desse novo trabalho. Para falar sobre todas essas novidades, o Entrecultura entrevistou Fernando Araújo. Residindo no município de União, onde dá aulas de Filosofia, o artista e professor garante que não se trata de um retorno. “Nunca estivemos parados”, é o que diz. Olha só!

Entrecultura: Como você avalia a existência e o percurso trilhado pela Fragmentos de Metrópole?

Fernando Araújo: É uma existência muito produtiva e intensa, isso muito graças à boa energia que corre entre os integrantes dos fragmentos. Uma energia que  também sente-se necessitada da energia que vem das pessoas que ouvem nossas músicas e que acompanham a fragmentos e  sempre pulsa no sentido de viabilizar outras vibrações para um acontecimento sonoro que é o fragmento, em benefício de todos que curtem a banda e nossas músicas, isso sim poderia ser um resumo da nossa existência enquanto banda, uma existência um pouco estranha, no entanto, necessária para um cenário musical cada vez mais turvo e desvelado pela indústria cultural, onde a música é tida como um produto de consumo em um mero espetáculo de entretenimento ou mesmo para um deleite de um intelectual escamoteado. Os fragmentos nunca foram em benefício da indústria do entretenimento, nem aqui, nem em marte, nem em parte alguma de nosso planeta. Quando iniciamos, em meados dos anos 2000, havia em Teresina um ambiente muito mais interessante do ponto de vista da chamada música alternativa. As bandas tocavam e espalhavam ideias através das músicas e nosso caminho não foi diferente. Um fato muito importante em nosso percurso foi termos convivido no campus da UFPI, eu, André Henrique e Telmo Belizário estudávamos Filosofia e nos intervalos tocávamos minhas músicas pelos campus no centro de Ciências Humanas e Letras, por isso nossos concertos eram basicamente em calouradas e semanas universitárias dos Centros  Acadêmicos, dentre os quais o C.A de Filosofia. Considero que nosso percurso foi autêntico e firme desde o início, nos mantemos fiéis a nossa proposta alternativa de música. Nossa trajetória também foi muito impulsionada pelas redes sociais na internet, através de vídeos que amigos colaboradores postaram e postam ainda hoje.

Fernando Araújo

Entrecultura: O que você esteve produzindo além da Fragmentos de Metrópole?

F.A: Algumas coisas, não muitas, nesse sentido sou muito dependente da banda, pois a Fragmentos é um meio de divulgação de ideias pela música. Entretanto, alguns encontros com o amigo e compositor Makeh (que sempre quando está pelo Piauí chega com uma visita cheia de bagagens sonoras e trocamos várias ideias) me faz sempre estar produzindo algo de forma pessoal. Como um compositor, avalio esses vínculos e vivências fundamentais. Me senti honrado com a gravação de Minissérie pelo amigo Hugo dos Santos, lembro-me que certa vez ele me falou que um dia ainda iria fazer uma gravação dessa música. Faço alguns trabalhos em artes plásticas e também no cinema tenho colaborado com Raphael Gerardo, tenho feito algumas aparições em cenário de União, onde apresentei no mês de agosto um show  comemorativo pelos 20 anos da composição de Mapa da Mina, marco inicial de minha carreira como compositor.. Até o final deste ano pretendo fazer algumas aparições no cenário musical pela comemoração destes 20 anos de compositor e 11 anos da banda fragmentos.

Entrecultura: O que levou a banda a retomar os trabalhos?

F.A: Muito de uma coisa e de outra, e esse ano comemorativo meu e da banda. Outra coisa foi nosso público, que muito pede uma apresentação, é esse o principal motivo, as pessoas nos acompanharam e acompanham. Esse retorno vai marcar o que eu sempre pensei como Fragmentos, um projeto de ideias através da música, independentemente de shows, o principal foco é lançar um trabalho como registro para o público. Além do incentivo da nova produtora da banda (que também é minha irmã) e ativista cultural em Teresina, a Elizabeth Araújo, confio no trabalho que ela pretende desenvolver com a Fragmentos e não posso negar que meu grande amigo Makeh, mesmo depois de sair do Piauí, sempre que vem me faz pensar em levar o projeto adiante, é um cara da minha estima e admiração. Na verdade não é uma volta, pois nunca estivemos parados totalmente, daí o nome Fragmentos, pois sempre estamos envoltos em projetos musicais, o André através da banda Corpus Conti, o Telmo acompanha outros artistas e o Márcio tem seus estudos de música. Quanto a formação, a Fragmentos resiste muito através do público e das ideias, além de tudo a amizade entre os integrantes vai para além dos shows. Independentemente de qualquer coisa, quem mantém a banda viva e vivaz é o próprio público.

Entrecultura: E esse disco, IAMTHEPIBRA?

F.A: Esse foi o nome de um primeiro demo da banda que acabou saindo de uma forma muito artesanal, somente algumas poucas cópias. Esse disco era um grito de americanidade, é um tipo de linguagem “Meso-English” criado por mim e pelo Joniel Veras, amigo e compositor com quem também tive a honra de vivenciar um pouco dos processos e trocas criativas. Em meados de 2009 para melhor ajustar as composições e não haver desperdícios de versos no processo de composição, criamos essa nova ‘linguagem’, uma viagem cognitiva, entre códigos e subjetivos. Com esse nome quero dizer: “O primeiro homem das Américas esteve aqui pelo Piauí”.

Entrecultura: O CD vai ser lançado junto de um livreto. Como é essa história? O que vocês contam?

F.A: Na verdade a Fragmentos é uma banda que difunde ideias através da música, então, mesmo sem som e arranjos, todas as letras soam como um grito de liberdade, poesia e filosofia. Vou reunir as músicas e um projeto que fiz quando estive no Maranhão chamado Drumoleve. O selo Kizumba, do poeta e editor Lucas Rolim, encarou a parceria e tenho certeza que coisa boa virá por aí.

Entrecultura: Vamos ter algum show para marcar esse retorno e o aniversário da banda?

F.A: Vamos pensar que a banda vai fazer jus as vozes que ecoam da UFPI ao Rufino e todos os espaços alternativos do Brasil.

Comentar