Flávio Stambowsky lança primeiro disco solo com parcerias memoráveis

Por Redação Entrecultura - 29/12/2018 00h15

Depois de tanto tempo “se escondendo atrás de si mesmo”, o músico Flávio Stambowsky finalmente lançou seu trabalho solo, o disco autoral Areia Cinza, que já está disponível nas plataformas digitais. Com uma excelente produção, o álbum conta com as participações especiais do guitarrista Toninho Horta (Clube da Esquina), em três músicas, e do cantor Paulo Ricardo, na regravação de Feira Moderna, clássico mineiro de Beto Guedes.

Flávio Stambowsky (Foto: Júlio de Mello)

Com produção assinada por Marco da Costa e Guilherme Canaes, e arranjos de André de Sousa, o CD conta com dez faixas, carregadas de uma “simbiose roqueira/mpbista/bossanovista”, segundo o próprio Flávio. O artista concedeu uma entrevista ao Entrecultura, onde falou sobre Areia Cinza e trouxe uma boa notícia: vai lançar o disco em Teresina em janeiro. Confere!

Entrecultura: “Faz tanto tempo que eu me escondo atrás de mim”, você canta em Luzeiros, uma das faixas do disco Areia Cinza. O que o fez esperar tanto para lançar trabalho solo?

Flávio Stambowsky: Luzeiros é uma música muito antiga, já faz dez anos que foi composta, para uma banda que eu tinha em Fortaleza chamada Altifalante. Realmente, na hora em que fui lançar o disco solo, a Carol, minha esposa, falou ‘Flávio, parece até que você está querendo exatamente falar sobre isso, sobre o início da carreira solo’. Eu estava esperando um momento bom para lançar um trabalho solo, uma conjuntura boa, porque eu sabia que iria gravar um CD solo um dia, mas queria boas circunstâncias para isso. O momento bom foi quando conheci o Paulo Ricardo e o Rubem Cabreira, um dos diretores musicais que trabalha com ele. Fiz muitas amizades em São Paulo (SP) através dessas pessoas e vi que estava em um momento interessante, pois estava rodeado de pessoas que estavam conhecendo o meu trabalho, condições técnicas e humanas muito favoráveis e ali eu decidi que era hora de deixar de timidez e trazer o trabalho solo a tona.

Flávio Stambowsky em estúdio (Foto: Júlio de Mello)

Entrecultura: É uma obra autoral, com uma versão da clássica “Feira Moderna”. Qual a sua história com essa música e porque a escolheu para integrar o álbum?

F.S: Eu queria gravar um cover. A princípio pensei  em gravar ou uma do Barão Vermelho, chamada Guarda essa canção, ou uma do Cazuza, chamada Billy Negão. Meus produtores queriam gravar alguma música americana, mas não tinha nada a ver comigo. Feira Moderna é a música da minha turma de músicos daqui de Fortaleza, de quando a gente tinha 15 anos e começou a gostar muito de Beto Guedes, e Feira Moderna virou uma espécie de hino na época. Então, na hora em que a gente estava confabulando, um amigo meu disse, “Cara, só pode ser Feira Moderna, é a tua cara e é a música da nossa galera”.

Entrecultura: Como Toninho Horta e Paulo Ricardo chegaram para somar nesse projeto?

F.S: Toninho Horta chegou no álbum porque eu vi um show dele aqui em Fortaleza e postei nas redes sociais algo do tipo “Toninho Horta mais uma vez me fazendo chorar, sou muito fã”, e meu produtor, que é amigo dele, disse para eu convidá-lo. Acabou que ele chamou  Toninho para gravar com a gente, mas a gente tinha chamado para gravar uma música, Carol e Toninho, e ele acabou gravando três. Eu o considero um dos maiores guitarristas do mundo, talvez o guitarrista brasileiro mais expressivo para mim, eu o acho ele um gênio da guitarra, da música brasileira, com aquela participação incrível no Clube da Esquina e com seu trabalho solo. Um grande ídolo. Paulo Ricardo foi mais ou menos uma coisa natural, porque eu já o conhecia, ele me apadrinhou, de certa forma, me apresentando algumas pessoas, me deu umas dicas, eu o convidei para cantar uma música no meu disco e ele me disse que isso levaria um tempo, porque estava muito ocupado, que precisava de tempo para ouvir minhas músicas, mas, quando falei que estava gravando Feira Moderna ele disse que queria gravar. Paulo é um amigo querido, que sempre teve muito carinho por mim, sempre muito atencioso comigo e com meu trabalho. Foi uma participação bem festiva e espontânea.

Entrecultura: Você também celebra nesse disco uma parceria de muitos anos com André de Sousa. Como ele contribuiu nesse trabalho?

F.S: André de Sousa teve uma contribuição muito forte nesse trabalho, muito forte, assim como eu, modestamente, contribui muito com o último trabalho dele. Ele é o arranjador de quase todas as músicas do disco, assina duas músicas comigo, começou o projeto junto comigo, eu diria até que o disco tem que levar sua assinatura também, porque ele merece. É um parceirão, um amigão.

Entrecultura:  E essa “simbiose roqueira/mpbista/bossanovista”, que você cita ao apresentar o álbum? Como você arquitetou essa integração de ritmos e músicos neste CD?

F.S: Essa simbiose é uma coisa muito dentro da minha formação, no meu sangue. Minha mãe é pianista, com muita ênfase na Bossa Nova, cresci ouvindo ela tocando Bossa Nova em casa. Já aqui em Fortaleza desenvolvi uma paixão incrível pela MPB, sempre fui mais MPB do que rock. Tanto que, quando Los Hermanos surgiu, com essa mistura de MPB e rock eu disse ‘ainda bem que esses caras apareceram’, porque é assim que eu acredito que seja minha música, uma música indefinida, entre MPB, bossa nova e rock.

Flávio Stambowsky e Paulo Ricardo (Foto: Júlio de Mello)

Entrecultura: Como está o trabalho de divulgação de “Areia Cinza”?

F.S: Lançamos nas plataformas digitais, e dia após dia venho recebendo a melhores mensagens possíveis, o retorno está muito bonito, muito carinhoso. Estamos despertando muito interesse em São Paulo, até mais que no Nordeste, isso é muito legal, pois dá a conotação que minha música pode ter alcance nacional ou mundial, não que eu tenha pretensões muito grandes, porque sei que minha música não é exatamente popular, mas o alcance que estamos conseguindo me fez muito feliz. Vamos a Teresina no dia 16 de janeiro, lançar o CD no Theatro 04 de Setembro. Vai ser um orgulho muito grande tocar em Teresina e no teatro, a casa mais nobre de cultura do estado, sem desmerecer as outras. Depois do carnaval vou ver para que lado o trabalho vai me levar, provavelmente faça algum lançamento em São Paulo.

Entrecultura: Pode deixar uma mensagem ao público do Entrecultura?

F.S: Fiquem muito atentos sempre ao Entrecultura, uma iniciativa extremamente linda e muito bem conduzida, pelo que eu tenho notado como observador. Em um cenário tão ruim como o que temos agora, acho bom que exista o Entrecultura, o público só tem a se beneficiar com isso, e acho que é uma grande pacto, entre nós, artistas, a imprensa especializada e o público, para que tenhamos uma retomada cultural da qual o Brasil tanto precisa.

Ouça o disco Areia Cinza na Rádio Entrecultura:

Flávio Stambowsky – Areia Cinza

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