Solar 6 Voltz: novo selo firma parceria entre os músicos Fábio Christian e Levi Nunes

Por Redação Entrecultura - 05/01/2019 14h00

Um abrigo seguro e iluminado com a energia necessária para seu funcionamento. Esse é o conceito do selo Solar 6 Voltz, idealizado pelos artistas e produtores Fábio Christian (Eletrique Zamba) e Levi Nunes (Ultrópico Solar), que abre seus trabalhos em Parnaíba com o lançamento do álbum “Tempo Inflamado”, do músico Daniel Filipe.

Abrigando inúmeros projetos do coletivo Ultrópico Solar e de outros artistas, o Solar 6 Voltz finaliza este ano cheio de planos para 2019. Para saber mais sobre essa nova plataforma que pretende impulsionar as produções no litoral do Piauí, o Entrecultura conversou com Fábio Christian e Levi Nunes. Olha só!

Entrecultura: O selo Solar 6 Voltz surge nessa efervescência cultural de Parnaíba. Como esse projeto se concretizou e como está caminhando?

Fábio Christian: O Solar 6 Voltz é a fusão de dois projetos diferentes, o 6 Voltz, uma empresa que fundei em 2013 e já tem um histórico de elaboração, criação e execução de projetos culturais, como o Circo das Palavras, um projeto de fomento a leitura que mistura teatro, circo, low technology e literatura, e que foi contemplado pelo edital da FBN [Fundação Biblioteca Nacional] e Funarte em 2013. Também trouxemos o Chris Leuenberger, um artista suíço premiado para realizar uma oficina e o solo Masculinity. O Ultrópico Solar é um projeto parnaibano que a princípio funcionava como um coletivo, um guarda chuva que abrigava diferentes artistas de diferentes linguagens, mas que se destacou pela música que foi produzida pelo Levi Nunes, que vagarosamente foi se munindo de conhecimento sobre captação, mixagens e coisas do tipo. A ideia surgiu depois que realizamos juntos a paisagem sonora da peça Somos Todos Catirina do Ryck Costa, eu percebi que havia ali uma comunicação fluída e uma capacidade razoável entre mim e o Levi e comecei a articular que tipo de parceria poderíamos realizar, daí veio a a proposta de fundir as duas coisas, o Levi aceitou de prima.

Fábio Christian (Foto: Lunara Oliveira)

Entrecultura: Qual a relação do Solar 6 Voltz com o Ultrópico Solar, esse “guarda chuva musical”?

Levi Nunes: Ultrópico Solar foi um grande laboratório de testes, de onde surgiram várias figuras do meio artístico. Compositores, artistas plásticos, do áudio visual, e principalmente, compositores, cantores e arranjistas, que hoje em dia ou tem seus trabalhos individuais produzidos pela Solar, ou continuam a somar arranjando obras dos novos artistas do cast, e em muitos casos as duas coisas.

Entrecultura: Vocês estreiam com o lançamento do disco “Tempo Inflamado”, de Daniel Filipe. Falem sobre esse trabalho.

L.N: Daniel é um artista que tem seu Norte muito bem definido, e que já tinha um conceito e uma mensagem muito definida do que queria passar. Esse desconforto, ansiedade, nebulosidade dele em relação ao momento politico, foi transportado para dentro do disco na forma de arranjos, letras e ambiências. Foi um trabalho cheio de participações que julgo importantes, como o maestro Beetholven Cunha, Danilo Carvalho, Pâmela Cristiana, Paulo Slap, Hugo dos Santos, Afonso Souza e também alguns Ultrópicos, como a Brisa, André Oliveira, Tahiana Meneses, Savina Alves e Lucas Linhares.

F.C: O Daniel tem uma construção lirica muito interessante e direta, muito criativo com arranjos vocais e melodias, além de ser absolutamente preocupado com o rumo que o trabalho poderia tomar, portanto, o disco tem uma característica identitária muito forte dele. O trabalho é político, questionador em alguns pontos, lírico e poético como um todo.

Levi Nunes (Foto: Gelson Catatau)

Entrecultura: Já está sendo trabalhado o álbum da cantora Brisa, “Petricor”. Em que pé está esse projeto?

L.N: “Petricor” é um álbum mais plural em termos de idéias. Mesmo sendo bem jovem (17 anos), Brisa já demonstra uma capacidade incrível de cantar, compor e arranjar, e todos esses momentos são vistos e sentidos no disco. Também conta com diversas participações e tem uma pegada mais moderna e experimental pop, se comparado ao disco do Daniel.

Entrecultura: Percebemos que o movimento artístico cultural sempre está em uma espécie de contramão da conjuntura. São nos momentos de maior instabilidade (política, econômica) que mais se cria, não falando aqui de estrutura ou recursos, pois sabemos que nesses momentos estes são escassos, mas no processo de criação mesmo. Como vocês enxergam isso, visto que estão lançando trabalhos e apostando na arte nesse período instável do país?

F.C: O artista de ofício cria o tempo todo, se está rico ou se está “liso”, se for artista, ele vai estar criando algo sempre. Acredito que o que muda com determinadas situações políticas, econômicas e sociais é a qualidade do trabalho, o que se comunica, o que está sendo dito. E se a arte também é uma arma contra a opressão, é natural que em momentos de opressão ela se torne bem mais afiada e presente.

L.N: “Tempo Inflamado” foi uma experiencia musical e política, pois é um disco em que o momento político está muito pautado e as pessoas envolvidas no processo conseguiam sentir e ver a progressão da penumbra ali expressada e que rodeava a todos. A arte já viveu momentos obscuros em outros tempos, e ela sempre encontra uma forma de resistir. A cultura é essencial para o desenvolvimento e formação de qualquer grande civilização, e não é uma meia dúzia de governantes mal preparados e mal intencionados que pode destruir algo muito maior que eles mesmos.

 

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