Eletrique Zamba canta os desdobramentos do tempo em “Vôo do Tempo”

Por Thais Guimarães - 12/06/2019 00h45

O tempo (de cores desbotadas) é o protagonista do videoclipe da canção “Vôo do Tempo”, do Eletrique Zamba, projeto musical de Fábio Christian (Fábio Crazy) e Lívio Nascimento. Gravado em uma praia no Piauí, o filme foi roteirizado por Fábio e dirigido por André Leão, e está disponível no Entrecultura TV.

O clipe traz os mascarados com um som influenciado pelo hip hop, e a participação especial de Daniel Filipe como backing vocal. O Entrecultura bateu um papo com Fábio Crazy, que falou sobre essa aventura musical e visual nas areias quentes do Litoral do Piauí.

Entrecultura: Rugas, cabelos brancos, memória… que tempo é esse cantado em “Vôo do tempo”?

Fábio Christian: É um tempo de cores desbotadas, de beleza revelada desbotada. Um tempo suspenso na inexistência do real, um tempo perecível, que apodrece em um segundo e por isso só tem validade no presente.

Entrecultura: Como vocês chegaram na concepção desse filme?

F.C: Eu propus um argumento primeiro focado em imagens que pudessem traduzir a relação do tempo com o vento. Por isso veio o cata-vento e a máscara de Iemanjá, que de alguma forma é vento por causa do movimento das ondas. O André trouxe o pássaro, o local e as cores. Somos uma espécie de entidades no vídeo. É meio épico pela maneira que nos relacionamos com o ambiente e os elementos cênicos. No final, foi um trampo colaborativo entre mim e o André Leão, que também assina a direção.

Entrecultura: Mata nossa curiosidade e diz porque vocês optam por ocultar o rosto nas aparições do grupo.

F.C: Olha, não foi assim: “Vamos usar máscara porque é legal!”. Foi um desenvolvimento que durou um tempo até chegarmos nelas, uma pesquisa para criar um conceito. São reproduções de máscaras africanas de guerra. Africanas, porque tem a ver com nosso som, que é construído inteiro em ritmos variados que se originaram dessas matizes: funk, samba, jazz, soul e hip hop. De guerra, porque tem a ver com política e resistência, que também é um dos nossos principais assuntos. Se bem desenvolvida, uma máscara amplia os sentidos para além de ver um músico no palco. Também usamos as máscaras porque ela identifica visual e esteticamente o som que desenvolvemos conceitualmente, porque foram pensadas e criadas em sua função.

Entrecultura: “Vôo do tempo” integra o próximo álbum da Eletrique Zamba: Mais agudo! Mais grave! Mais tudo!. Em que pé está o disco? O que pode adiantar ao público sobre esse novo trabalho?

F.C: Com o início da Solar 6 Voltz discos, o álbum atrasou a produção por conta do volume de trabalho, que aumentou. Mas isso não foi ruim, a Elizabeth Silva se integrou como produtora e passamos a pensar outros formatos além de CD e streaming, e acredito que antes do disco lançaremos um vinil com os singles Sustenta o Karma e Feminicidio, que está em fase de produção do videoclipe agora.

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