“A raiva é transformada em música e em ferramenta de luta”: conheça o projeto Fábio Crazy & Os Da Silva

Por Thais Guimarães - 22/06/2019 10h00

“Tem quase dez anos que não gravo um disco de rock”. Foi o que Fábio Christian, ou Fábio Crazy, falou quando me apresentou o seu mais novo projeto, Fábio Crazy & Os Da Silva, que lançou recentemente um EP (já disponível no Entrecultura TV). Os “Da Silva” são Sael Silva (Negative Green), Paulo Death (Black Beauty) e Daniel Pajé (Cabesativa).

Fábio Crazy & Os Da Silva

O EP, produzido por Fábio Crazy e Levi Nunes com o selo Solar 6 Voltz, traz apenas três faixas, apenas não: são três músicas bem executadas, letras de Fábio, pautadas pela atual conjuntura do país. Fábio Crazy bateu aquele papo com o Entrecultura, falando sobre essa mais nova aventura, aventura muito séria. Confere só!

Entrecultura: Depois de muitos anos sem gravar um disco de rock, como você mesmo comentou comigo, como surgiu esse EP?

Fábio Crazy: Quando mudei para Parnaíba, eu senti saudades do esquema tradicional de formação de banda: guitarra, batera e baixo. Convidei o Daniel Pajé, do Cabesativa, que me ajudou a reunir as outras pessoas: Sael Silva e Paulo Death. Pus na roda algumas composições e a ideia de gravar o EP veio do processo natural que toda banda segue.

Entrecultura: E esses “Da Silva”?

F.C: Não é exatamente uma novidade, já havia usado o mesmo nome quando saí do Narguilé [Hidromecânico] em 2002. A diferença agora é a maturidade musical dos envolvidos, somada ao caráter sonoro mais pesado.

Primeiro EP de Fábio Crazy & Os Da Silva está disponível no Entrecultura TV

Entrecultura: O EP é explosivo do começo ao fim, seja pela sonoridade, seja pelas temáticas que envolvem as letras. É nítido que você se pauta exclusivamente pela atual conjuntura do país. Como foi esse processo de criação?

F.C: Um processo cuspido, gerado de uma indignação e raiva latentes com a situação em que nós, brasileiros, fomos atirados repentinamente: incerteza e insegurança. A raiva é transformada em música e em ferramenta de luta.

Entrecultura: E as parcerias nesse projeto, como se deram?

F.C: Trabalhamos com uma equipe simples. A banda mais dois produtores: eu e o Levi Nunes. O EP também nos serviu como exercício técnico de produção. Foi o primeiro trabalho totalmente masterizado por nós.

Entrecultura: Esse é mais um trabalho que conta com a colaboração do Levi Nunes. Fale sobre essa sinergia entre vocês.

F.C: Acho que a palavra é essa mesmo. Sinergia. O trabalho feito por nós passa por uma constante decantação, necessária pra desenvolver o trampo, afinal, são duas cabeças que precisam corroborar uma com a outra. Completar quando precisa ser completado, estimular quando precisa ser estimulado, se opor quando houver necessidade de oposição. Com argumentação, lógico. Nada de “porque eu não gosto”, é tudo fundamentado artisticamente. Acho que fazemos bem!

Entrecultura: Fábio Crazy & Os da Silva é mais um filho da Solar 6 Voltz, que segue a todo vapor, lançando coisas boas. Conta aí o que vocês andam fazendo.

F.C: Desde dezembro do ano passado foram lançados dois álbuns, um EP, dois singles, um videoclipe e uma trilha sonora para teatro premiada com o Troféu Em Cena de 2018 de melhor trilha. No forno: álbum da Brisa, do André Oliveira e da Ultrópico Solar

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