Guitarrista Torcuato Mariano lança o disco “Escola Brasileira”, homenagem aos seus 40 anos de carreira

Por Redação Entrecultura - 09/07/2019 12h43

São 40 anos de lições aprendidas na carreira musical, ao lado de grandes nomes da MPB, da bossa nova, do rock nacional, do samba e do jazz. O guitarrista, produtor e arranjador argentino Torcuato Mariano lança seu sexto disco solo, com uma homenagem ao país onde desenvolveu sua trajetória artística. Escola Brasileira, já disponível nas plataformas digitais (ouça no Spotify), reúne dez faixas compostas quase todas por ele, além de parcerias com Carlinhos Brown e Débora Cidrack. O lançamento marca também o fim de um hiato de 10 anos desde seu último trabalho solo.

Torcuato Mariano (Foto: Divulgação)

Torcuato cercou-se de convidados ilustres, como Djavan (que interpreta “Cansei de Dor”), Cesar Camargo Mariano, Hamilton de Holanda, Gabriel Grossi e a cantora americana Toni Scruggs (na faixa “Behind the Paradise”). Ele define o novo trabalho como um álbum conceitual, que transita entre Rio, Minas Gerais e o Nordeste. As suas influências vão de Tom Jobim a Pat Metheny, de Toninho Horta a Milton Nascimento, de Ricardo Silveira a Hélio Delmiro.

O disco é uma dupla homenagem. O título faz referência aos 40 anos da minha chegada ao Brasil, ainda adolescente. Aqui eu construí a minha história profissional. Acima de tudo, é um tributo à escola musical que nos deu tantos ritmos e sonoridades”, define o guitarrista, de 56 anos, que iniciou a carreira acompanhando Johnny Alf e já tocou com Cazuza, Ivan Lins, Flavio Venturini, Gal Costa e Djavan.

Ao longo das dez faixas, o álbum passeia pelas múltiplas vertentes da música brasileira, especialmente a bossa e o samba-jazz. O próprio Torcuato assina a produção e os arranjos de base, com sua Gibson 359 semiacústica. O disco, gravado em seu estúdio na Barra da Tijuca, tem ainda arranjos de sopro a cargo de Rafael Rocha e de cordas com a marca de Jessé Sadoc.

Torcuato buscou dar unidade a Escola Brasileira, provocando no ouvinte uma experiência sensorial única. A faixa que abre o disco, “706 Night Club”, traz uma levada de jazz com naipe de metais e uma cozinha rítmica bem cadenciada. “Cansei de Dor”, com letra de Carlinhos Brown, remete aos primeiros anos da bossa nova. “Cansei de dor / Amor me convidou para um jantar / Quero um espetáculo / E luzes pelo céu, um espetáculo. / Você bem pertinho de mim / O Rio bem pertinho de nós”.

Em “A Pata da Preta”, dedicada à sua cachorra, Torcuato compôs a música de uma vez só enquanto dedilhava o violão. Foi assim também com “Cansei de Dor”. Com a melodia pronta, Carlinhos Brown enviou a letra em três horas. Já em “Ouro de Minas”, ouvem-se texturas harmônicas que remetem a Milton Nascimento e ao Clube da Esquina. Ele fez toda a base harmônica e tinha uma ideia da melodia, que custava a sair. “Estabeleci uma data e passei o dia trabalhando até sair”.

“Jogando Bola”, que tem a participação de Hamilton de Holanda no bandolim, une música e futebol. “Pensava no balé do Ronaldinho Gaúcho, que parece um bailarino com aquela ginga, e imaginava um casal dançando numa gafieira”.

Um grande admirador do novo trabalho de Torcuato é o compositor e violonista Roberto Menescal: “Tive a chance e o prazer de ouvir Escola Brasileira antes de chegar ao público. Poderia ter sido mais um disco de guitarrista, mostrando o quanto toca seu instrumento numa “cachoeira de notas e técnica”, como tenho ouvido outros grandes cobras da guitarra. Mas não. É um projeto para ser saboreado pela sua música, suas composições e as grandes participações de músicos e artistas maravilhosos. Torcuato, me desculpe, mas como eu queria ser esse músico que você é”, escreveu Menescal.

Carreira

Torcuato Mariano iniciou sua carreira profissional em 1981, atuando em shows ao lado de artistas como Johnny Alf, Lobão, Cazuza, Ritchie e Marcos Sabino. Em 1986, participou da gravação do CD “Virgem”, de Marina Lima. Nessa época, começou a compor, em parceria com Cláudio Rabello, para artistas como Rosana, Cheyanne, Yuri e Xuxa, entre outros. Autor de “Me chama que eu vou” (com Cláudio Rabello), tema de abertura da novela “Rainha da Sucata” (Rede Globo), recebeu o Prêmio Sharp, na categoria Melhor Compositor Pop do ano.

Em 1988, acompanhou Gal Costa em shows no Brasil e no Japão. Tocou no Free Jazz Festival (RJ) com o saxofonista Leo Gandelman, dividindo a noite com Chick Corea. Iniciou turnê européia acompanhando Ivan Lins, atuou em shows e gravações com Sergio Mendes, Ney Matogroso e Flávio Venturinni. Integrando a banda de Djavan, participou da turnê do CD “Oceano” e da gravação do CD “Coisas de acender”.

Paralelamente ao seu trabalho com Djavan, iniciou em 1992 a gravação do CD “Estação Paraíso”, lançado simultaneamente no Brasil (Visom) e nos Estados Unidos (Windham Hill). No repertório do disco, suas composições “Um trem pra Uberaba”, “Só pra você”, “2350”, “O outro lado”, “Numa noite de verão”, “Xafoul”, “Mentiras sinceras”, “Ventos do Oriente”, “Mariana e Paula, boa noite” e a faixa-título, além de “Sobre o mar” (Flávio Venturini) e “I can’t help it” (Stevie Wonder e Susaye Greene). Ainda nesse ano, tocou com Leo Gandelman no Free Jazz Festival (SP), dividindo a noite com Yellow Jackets, e começou a produzir artistas de hip-hop, R&B e funk.

“Escola Brasileira” marca os 40 anos de carreira do músico (Foto: Divulgação)

Em 1994, obteve destaque na publicação “The Brazilian Music Review”, ocupando a 16a. posição na relação das músicas mais tocadas nas rádios americanas. Fez turnê promocional do CD “Estação Paraíso” nos Estados Unidos e produziu o CD “Noites com sol”, de Flávio Venturini.

No ano seguinte, lançou o CD “Atelier” (“Last Look”), contendo músicas como “África”, “Tudo que eu não consegui dizer com palavras”, “Atelier (Fica na rede comigo)”, “No ritmo do meu coração”, “Um lugar muito especial”, “Segredos”, “Dias de frio”, “Magia do tempo” e “Rio Stomp”, além de “Dindi” (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira). Recebeu destaque na revista “Jazz Times” e novamente na revista “The Brazilian Music Review”.

“Last Look” (“Atelier”) ficou entre as 17 músicas mais tocadas durante o ano nas rádios americanas. O disco fez parte da lista dos Melhores CDs de Jazz do ano, de acordo com a publicação “Radio Active”, e ficou entre os 27 Melhores CDs de Jazz de 1995 na lista “NAC TOP95”. Ainda nesse ano, dividiu o palco do Mistura Fina com Pedro Aznar e Rique Pantoja.

Em 1996, foi citado na “Billboard” como um dos 10 artistas mais tocados no estilo “New Age”. Obteve o 5º lugar nas rádios americanas com a música “Ocean Way”. Nesse ano, os CDs “Estação Paraíso” (“Paradise Station”) e “Atelier” (“Last Look”) chegaram ao mercado japonês, recebendo destaque no catálogo “Jazz Life Year Book”. Participou do Free Jazz Festival, como convidado especial de Ernestine Anderson. Juntamente com o DJ Memê, produziu o CD do grupo Fanzine, que incluiu o hit “História de amor”, um dos temas mais executados da novela homônima.

Participou, no ano seguinte, da coletânea “Sanctuary: 20 years of Windham Hill”, lançada em comemoração aos 20 anos de atuação da gravadora. O disco ficou em 4º lugar na “Billboard”. Também em 1997, produziu os CDs “Obrigado” (Fábio Júnior) e “Beija-Flor” (Flávio Venturini), além de “Bebadachama” (Paulinho da Viola), pelo qual recebeu o Prêmio Sharp, na categoria Melhor Produtor de Samba.

Em 1998, produziu o CD ao vivo de Fábio Júnior, cuja faixa “Só você”, da qual participou como arranjador e guitarrista, obteve muito sucesso.

De 1998 a 2002, exerceu o cargo de diretor artístico da gravadora EMI, onde desenvolveu projetos e lançou discos de Jorge Vercilo, Natiruts, Flavio Venturinni, Fat Family, Belo, Art Popular, Exalta Samba, Soweto, Legião Urbana e Carlinhos Brown.

Em 2000, paralelamente ao seu trabalho na EMI, iniciou o trabalho de composição do seu terceiro CD. Produziu duas faixas do CD “Desafio”, do cantor Belo, uma das quais, “Tua boca”, foi uma das músicas mais executadas no Brasil nesse ano.

Participou, em 2002, do CD “Elo”, de Jorge Vercilo, solando na faixa “Celacanto”. Ainda nesse ano, iniciou a produção dos CDs de Isabella Taviani, Marcela Biasi e Flávio Venturini.

Em 2003 atuou no show “Fome Zero”, em Recife, acompanhando Zizi Possi, Leila Pinheiro, Toni Garrido e Paulo Mikos. Também nesse ano, apresentou-se no Festival de Jazz da Faculdade Estácio de Sá, fez turnê de shows pelo Nordeste com Flávio Venturini e assinou a direção musical do show realizado por esse artista no Canecão.

Entre os intérpretes de suas canções, estão Marcos Sabino, Rosana, Fábio Júnior, Edmon Costa, Sidney Magal, Angélica, Ritchie, Flávio Venturini, Nico Resende, Leo Gandelman e Herva Doce.

Fonte: Ascom

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