Cinema piauiense na Amazônia: Cineastas do Piauí vão participar de congresso indígena no Amazonas

Por Thais Guimarães - 08/11/2019 00h32

Milena Rocha e Weslley Oliveira, cineastas piauienses do Coletivo LabCine, foram convidados para participar do II Congresso de Adolescentes e Jovens Indígenas de São Gabriel da Cachoeira (AM), evento realizado pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), que acontece nos dias 05 e 06 de dezembro. A dupla vai ministrar uma oficina de produção audiovisual ao público participante. Para garantir o deslocamento até a região amazônica, Milena e Weslley decidiram fazer um chamado a quem apoia o cinema independente, solicitando apoio financeiro.

Weslley Oliveira (Foto: LabCine)

O valor calculado para cobrir os custos com viagem e alimentação é de R$ 3.000,00 (três mil reais). “Nós vamos de ônibus até onde for possível, com passagens adquiridas através do ID Jovem [benefício do Governo federal], mas para viajarmos de barco até a região do Rio Negro precisaremos desembolsar cerca de R$ 2.300,00, além de gastos com alimentação . A hospedagem vai ser garantida pela organização do evento. Essa será a viagem das nossas vidas, por isso necessitamos desse apoio”, afirma Weslley Oliveira, que pretende, junto de Milena, produzir um filme sobre essa experiência.

O convite, e consequentemente as dificuldades para participar do evento, chegam para a dupla de jovens cineastas em um momento no qual o cinema, sobretudo o independente, está sendo discutido nacionalmente, após ser pautado na redação da prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Weslley ressalta que fazer cinema transcende a produção audiovisual, e defende que a verdadeira democratização do acesso ao cinema só se dará através da educação e formação de sujeitos multiplicadores, no saber e no fazer.

Milena Rocha (Foto: Cine Virada)

“Eu fiz essa prova do Enem e fiquei muito surpreso e feliz com o tema da redação, apesar da conjuntura política na qual nos encontramos. Estou vendo repercussões negativas em relação ao tema, e isso é bom, para percebermos que ninguém estava discutindo sobre isso. Eu acho que o cinema que está sendo feito e está repercutindo é o cinema periférico, então, o que é essa democratização? O que é esse cinema que as pessoas imaginam? Muitas pessoas se prenderam a ideia só das salas de cinema, das superproduções. As pessoas pensam logo sobre baratear preços dos ingressos, em tirar as salas de cinema dos shoppings, fica sempre nisso, mas é muito além disso. Está na hora de começarmos a pautar o cine educação, cinema nas escolas, o cinema de baixo orçamento, um cinema que é feito sem tantos processos hierárquicos, uma coisa mais coletiva, de comunidade. Isso é muito rico e potente, e envolve diretamente esse congresso na Amazônia. Estamos dentro desse movimento, e esse tema serve para as pessoas pensarem cinema além da caixinha, além do cinema produto do shopping. É preciso pensar um cinema que intervém, que promove além do assistir, promove o fazer, a educação”, conclui.

Milena Rocha e Weslley Oliveira

Com graduação em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), Milena e Weslley iniciam a trajetória praticamente juntos, ainda na academia, quando criam o Coletivo LabCine, com o intuito de pensar o cinema para além de uma produção técnica audiovisual. De 2015 para cá, colecionam produções, formações e trocas de saberes. Dentre os filmes já produzidos, muitos exibidos em festivais, vale o destaque para Mulheres de Visão (2018), de Milena, que ganhou o prêmio de Melhor Direção na Mostra Nordeste do Festival de Cinema Universitário da Bahia: Cine Virada; e O Pranto do Artista (2018), dirigido por Weslley e Milena, que já levou dois prêmios: o de Melhor Filme Longa Metragem, pelo Júri Técnico do 42° Guarnicê Festival de Cinema, e Melhor Filme na  Mostra Panorâmica do Festival Visões Periféricas.

 

Abaixo, os dados bancários para quem tiver interesse em colaborar:

Milena Andrade da Rocha
Banco Do Brasil
Agência
4710-4
Conta Poupança
15152-1

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