“O Povo quer viver”: Marcha da Periferia de Teresina acontece nesta sexta (29)

Por Thais Guimarães - 28/11/2019 00h10

“O povo quer viver: a periferia contra o racismo, a política de repressão e morte”. Esse é o tema da Marcha da Periferia de Teresina, que acontece nesta sexta-feira (29). Em sua terceira edição, o evento reúne as comunidades periféricas da capital, que levantam a voz contra a repressão, a discriminação racial e a desigualdade social.

A Marcha da Periferia é um movimento que surge no Nordeste, no Maranhão e Ceará, e veio se espalhando pelos outros Estados, como explica Brenda Marques, integrante do Coletivo Afronte, que ajuda a construir o evento.

“A Marcha da Periferia nasce no Nordeste, impulsionada pelo Movimento Hip Hop Militante, que tenta criar um espaço para debater sobre as demandas da periferia. No Maranhão e Ceará já deve estar na 15ª edição, mas em Teresina é recente, começou quando o coletivo Princípio Ativo impulsionou o movimento e puxou a primeira edição. Desde então, o movimento Hip Hop, coletivos e movimentos sociais têm construído”, afirma.

Neste ano, a concentração para a marcha será no Anfiteatro do Parque da Cidadania, a partir das 16h. Durante o trajeto, que será pela Avenida Frei Serafim, haverá uma apresentação de teatro da Escola Gomes Campos. Ao final do percurso, na Praça Liberdade, será realizado um show musical com artistas das comunidades.

“Este ano estamos fazendo o debate sobre a repressão por parte da Guarda Municipal, da Polícia Militar, e dos projetos de segurança de Teresina, que são higienistas, opressores e querem acabar com a cultura do povo preto. Nesse sentido, a concentração vai ser no Parque da Cidadania, que é um lugar que tem muito histórico de repressão contra a juventude: lá havia batalhas de Hip Hop e não há mais por causa da repressão, coletivos de juventude já foram reprimidos lá, a Guarda Municipal já agrediu skatistas lá. É um espaço importante para a juventude reivindicar e também denunciar os abusos que têm acontecido”, destaca Brenda Marques.

Por fim, a jovem apresenta dados que apontam o povo pobre e negro como o mais perseguido e menos favorecido na sociedade. “A Marcha da Periferia é um grito de resistência contra todos os desmontes, a nível municipal, estadual e federal. Hoje, mais de 12,6% de trabalhadores do Brasil estão desempregados, e dentre eles a maioria é de jovens, pretos e pardos. O Atlas da Violência mostra que hoje quem mais morre no Brasil são negros entre 15 e 29 anos, e negros periféricos. Então, a marcha é esse momento em que a periferia coloca suas demandas, denuncia o racismo de todo dia e coloca para a cidade de Teresina que aqui existe sim periferia e que essa periferia é organizada”, conclui.

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