A Hora do Ângelus em Teresina – leituras públicas de diversos autores interpretadas por nossos artistas

Por Eduarda Araújo - 25/01/2018 15h23

 A segunda edição do “A Hora do Ângelus” tem início no dia 01 de Fevereiro, sempre a partir das 18h, no Theatro 4 de Setembro.  São leituras públicas de diversos autores interpretadas por nossos artistas.

Entrecultura foi conversar com Adriano Abreu, Diretor do Coletivo Piauhy das Artes para entender melhor este projeto.

Confere aqui!

 

 

 

 

 

Entrecultura: São trechos de obras de poetas e escritores nacionais e estrangeiros. Como é feita a seleção dos trechos para participarem da “A Hora do Ângelus”?

Adriano Abreu:  A ideia é que os textos tenham relevância estética e ao mesmo tempo estejam alinhados com a temática do projeto. A questão de refletir sobre as diversas formas de violência que ocorrem no mundo e, como podemos agir de maneira diferente em relação aos nossos semelhantes, construindo uma cidade e um planeta mais tolerantes e atentos as questões que ferem os direitos de todos que vivem nele. A pergunta é sempre a mesma: Pode um texto literário tornar o mundo melhor?

 

 

 

Entrecultura: 2018 acontece a segunda edição do projeto. Existe um tema para esta edição ou são trechos aleatórios de obras literárias?

Adriano Abreu: Nada que fazemos no Coletivo Piauhy Estúdio das Artes é aleatório, os nossos esforços sempre estão alinhados com aquilo que consideramos essencial para arte, cultura e sociedade piauiense em um determinado momento histórico. No caso do projeto “A Hora do Ângelus” não é diferente, na primeira temporada o tema foi: “Uma Poética de Paz Para Teresina”, então a linguagem e importância estética dos textos foi bastante ressaltada, este ano o tema mudou um pouco: “Um Ato de Paz Para Teresina”, os textos escolhidos virão com uma mensagem implícita: o que podemos fazer? Como podemos mudar a cidade?

 

Entrecultura: “A Hora do Ângelus” é bastante interessante porque nos faz refletir sobre a paz e tudo isso através de um recurso comum: a literatura, o poder da palavra dita. Como aconteceu esse processo de criação desse projeto?

Adriano Abreu: Sempre nos perguntamos, como o teatro pode romper com essa fronteira palco plateia? Isso não é uma questão meramente teórica, necessita de respostas práticas. Dessa forma, parecia bastante relevante que a maior casa de espetáculos da Estado pudesse deixar de ser um espaço considerado elitizado e, conseguisse falar para a praça, então, as janelas centenárias do Theatro 4 de Setembro serviriam como um ótimo veículo, as janelas como uma espécie de “boca do teatro”, a arquitetura do prédio servindo como recurso estético e técnico para comunicação com os cidadãos e cidadãs. Depois veio o conceito, sobre o quê falaríamos? O problema mais recorrente em Teresina atualmente é a problemática da violência, dessa forma, por que não falarmos de uma maneira diferente sobre este assunto? Por que não propormos uma alternativa para essa doença social que são as diversas formas de violência? Que tal falar de paz?

Creio que trazer essa religação com a “hora que os anjos descem na terra”, na Hora do Ângelus, isso na tradição original católica, traz um ingrediente interessante ao projeto, o recado é claro: “Precisamos nos reconectar com o sagrado”, isso não significa um credo ou religião, mas buscar aquilo que trazemos de melhor na nossa existência: amor, justiça, dignidade, beleza, verdade…

 

 

 

 

 

Entrecultura: No contexto literário, de modo geral, existe uma proposta de revisitar grandes autores e promover a sensibilidade no público. É isso?

Adriano Abreu: Revisitar grandes autores é visitar ótimos textos. Porém, colocamos também, textos populares, letras de canções, discursos, escritos de autores desconhecidos do grande público, o critério principal é que sejam textos que falem alto as questões humanas e seus relacionamentos no mundo que, se desejarmos, podem vir a ser menos brutais.

 

Entrecultura: Cenário belo, intérpretes competentes e sensíveis, textos escolhidos. Como tem sido a percepção e a receptividade do público?

Adriano Abreu: Surpreendente! Tudo que fazemos, apesar de um agudo processo na concepção, traz essa marca da naturalidade, do descompromisso com um “famigerado desejo de fazer sucesso”, fazemos arte pela necessidade de expressão, sabendo os benefícios que ela pode trazer para sociedade. “A Hora do Ângelus” teve um impacto muito positivo em muitas pessoas que não conheciam ainda nossos trabalhos, por ser retransmitido em vídeo na nossa fanpage alcançou muita gente. Ficamos muito felizes com a temporada 2017.  Esperamos que mais gente acompanhe a jornada 2018.

 

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Entrecultura: Percebo nas usas obras teatrais, uma busca pela verdade, pela transformação. Um desejo de motivar pessoas para uma mudança positiva, um ato de crítica, de auto-crítica. Você vê seu teatro como um teatro político? O que move esse desejo?

Adriano Abreu: É tudo isso mesmo: busca pela verdade, necessidade de transformação, tentativa de compreender as pessoas, suas relações e formas de expressão. Isso tudo faz parte da nossa compreensão de como somos incompletos, injustos, negligentes com o outro…. Eis aí o ato de crítica (de autocritica).  Tudo que se faz com profundo amor pela essencialidade humana em si mesmo e nos outros, é um ato político. Sim meu teatro é político. Talvez o que chamam de política hoje em dia é que não seja…. Quanto ao desejo, lembro de uma música do Gonzaguinha que foi interpretada pela Maria Betânia chamada “Maravida” que diz assim:

“Vida, vida, vida…

Que seja do jeito que for

Mar, amar, amor…

Se a dor quero o mar dessa dor

Quero o meu peito repleto

De tudo que eu possa abraçar e abraçar

Quero a sede e a fome eternas

De amar e amar e amar e amar”

 

Acho que a vida é o que move esse desejo.

 

Entrecultura: Quais as perspectivas para a cultura em 2018? Quais seus novos projetos?

Adriano Abreu: Acho que no audiovisual teremos boas surpresas este ano aqui no Piauí, com relação as outras manifestações creio que as mudanças serão poucas. Quanto ao Coletivo Piauhy Estúdio das Artes, além do Projeto “A Hora do Ângelus”, faremos uma estreia importante em abril, nosso primeiro espetáculo para o público infanto-juvenil, “Pinóquio e Gepeto ao Sabor do Vento”, acredito que será um projeto importante para este segmento tão necessitado de boas opções. No segundo semestre, estrearemos um drama denominado “Sonatas de Amores Não”, do ator e escritor Eraldo Maia, que fala sobre a relação de um filho com sua mãe que tem Alzheimer. Além disso, estamos lutando para continuar o “Ciclo de Leituras Dramáticas”, que este ano comemora 5 anos e fará sua 30ª Edição, momento de festa para nós. Continuaremos nossa parceria com o CPTA (Centro de Pesquisa do Trabalho do Ator) de Porto Alegre-RS e vamos nos organizar para voltarmos com o “Brincantes Filhos de Baco” em 2019.

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