E aí, pessoal! Hoje vamos bater um papo sobre um dos livros mais importantes (e polêmicos) da literatura brasileira: O Cortiço, de Aluísio Azevedo.
Se você pensa que literatura clássica é só gente falando difícil em salões chiques, prepare-se para mudar de ideia. O Cortiço é suor, confusão, gritaria e muita realidade crua. Publicado em 1890, esse livro é o maior representante do Naturalismo no Brasil.
Mas o que isso significa na prática? Significa que o autor não estava ali para romantizar a vida. Ele queria mostrar como o meio (o lugar onde você vive), a raça e o momento histórico influenciam o comportamento das pessoas.
Bora entender toda a treta que rola nessa história?
O Grande Personagem: O Próprio Cortiço
A primeira coisa que você precisa saber é que o personagem principal não é exatamente uma pessoa, mas o lugar. Aluísio Azevedo descreve o cortiço como se fosse um organismo vivo. Ele acorda, abre os olhos (janelas) e respira.
Essa técnica é chamada de zoomorfismo (dar características animais a humanos ou coisas). No livro, o calor do Rio de Janeiro e a aglomeração de pessoas transformam o comportamento de todo mundo, fazendo com que ajam mais pelos instintos do que pela razão.
A Trama Principal: Ambição e Exploração
A história gira em torno de João Romão, um português dono da venda, da pedreira e, claro, do cortiço. O cara é a definição de ambição. Ele vive com uma única meta: ficar rico a qualquer custo.
Para isso, ele explora todo mundo, principalmente a Bertoleza, uma escrava fugida que ele enganou. João Romão fez ela acreditar que ele havia comprado sua alforria (liberdade), mas era mentira. Bertoleza trabalha de sol a sol ajudando Romão a acumular dinheiro, achando que é sócia e esposa dele.
A Rivalidade com Miranda
Do lado do cortiço, mora o Miranda, um comerciante burguês que vive num sobrado chique. Miranda e João Romão se odeiam. Miranda tem inveja do dinheiro que Romão está ganhando (mesmo sendo um pé-rapado no início), e Romão tem inveja do status social do Miranda.
Essa briga de vizinhos é o motor de várias confusões na trama, até que Romão percebe que, para subir na vida de verdade, ele precisa deixar de ser um taberneiro e ganhar prestígio social.
O Abrasileiramento de Jerônimo
Outro arco super importante é o de Jerônimo. Ele chega ao cortiço como um português trabalhador, sério e muito honesto. Ele veio para trabalhar na pedreira de João Romão.
Porém, o clima do cortiço e a convivência começam a mudá-lo. Ele se encanta por Rita Baiana, uma mulata cheia de vida e carisma que é a alma das festas do lugar.
Aqui entra a tese do Naturalismo: o meio corrompe o homem. Jerônimo, que era disciplinado, começa a ficar preguiçoso, começa a beber e se apaixona loucamente por Rita. Isso gera uma treta enorme com o namorado dela, o capoeira Firmo, e resulta em tragédia e morte. No fim, Jerônimo abandona sua esposa portuguesa (Piedade) e se transforma completamente, assumindo hábitos locais e deixando de lado sua ética de trabalho.
Personagens Marcantes
Além desses, o cortiço é cheio de figuras interessantes que mostram a diversidade do Brasil da época:
- Pombinha: Uma moça vista como a flor do cortiço, muito educada e pura. Mas o ambiente acaba influenciando seu destino de uma forma que ninguém esperava (ela acaba sendo levada para a prostituição pela influência de Léonie).
- Léonie: Uma prostituta de luxo que tem conexões com o cortiço e apadrinha Pombinha.
- Libório: Um velho que vive de favor e guarda restos de comida, mostrando a miséria extrema.
O Final Impactante (Spoilers!)
Se você não curte spoilers, pule este parágrafo! Mas para entender a crítica do livro, precisamos falar do fim.
João Romão atinge seu objetivo. Ele fica muito rico e decide que precisa se casar com a filha de Miranda, a Zulmira, para ganhar o título de nobreza que tanto queria. Mas e a Bertoleza? Ela vira um estorvo.
Frio e calculista, Romão denuncia Bertoleza aos seus antigos donos como escrava fugida. Quando a polícia chega para prendê-la, Bertoleza percebe que foi traída pelo homem a quem dedicou a vida. Em um ato final de desespero e liberdade, ela comete suicídio com uma faca de peixeira.
Enquanto isso, João Romão recebe os parabéns dos abolicionistas (ironia pura do autor!) e segue sua vida de sucesso. É um final cínico que mostra que, naquela sociedade, o dinheiro e a aparência valiam mais que a humanidade.
Por que ler O Cortiço hoje?
Ler O Cortiço é entender as raízes de muitos problemas sociais do Brasil, como a desigualdade, o preconceito e a exploração do trabalho. É uma leitura obrigatória não só para passar na prova, mas para compreender nossa própria história.
Se você está naquela fase de preparação para o vestibular e quer garantir que entendeu tudo sobre as grandes obras da nossa literatura, vale a pena expandir seus estudos. Por exemplo, depois de ver o realismo cru de Azevedo, que tal comparar com o realismo psicológico de Machado de Assis? Para isso, descubra os segredos de Capitu e Bentinho neste resumo completo de Dom Casmurro.
Gostou do resumo? O Cortiço é uma obra densa, mas cheia de vida. Boa leitura e bons estudos!

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