Sorria (2022) é bom? Saiba se vale a pena assistir ao filme de terror no streaming

Sorria (2022) é bom? Saiba se vale a pena assistir ao filme de terror no streaming

O longa de estreia de Parker Finn usa a paralisia do sorriso como arma, entregando um terror psicológico competente que tropeça no próprio clímax.

Sorria vale a pena assistir

O cinema de horror contemporâneo transformou o trauma psicológico em seu monstro favorito. Há uma década, diretores vêm substituindo fantasmas de lençol por manifestações literais de luto e ansiedade. O estreante Parker Finn entende o zeitgeist do gênero e surfa na mesma premissa de contágio inevitável popularizada por Corrente do Mal (It Follows). A diferença aqui é o gatilho da maldição.

A produção da Paramount Pictures quase teve o destino silencioso do streaming. Foi o pânico genuíno gerado nas sessões-teste que catapultou a obra para as salas escuras, transformando-a numa bilheteria expressiva. Essa transição reflete uma fome do público por sustos viscerais que funcionem como evento coletivo. A questão central é se a execução sustenta o conceito que a gerou.

Sorria e bom vale a pena ver

A médica Rose Cotter (Sosie Bacon) testemunha o suicídio brutal de uma paciente e herda uma maldição que se alimenta de sofrimento. Finn não perde tempo com floreios narrativos na construção dessa premissa inicial. O horror na obra é tátil, urgente e se manifesta através do elemento humano mais convidativo: um sorriso letárgico, fixo e ameaçador. Essa subversão da amabilidade é a grande força motriz do roteiro.

Sosie Bacon carrega a produção nas costas ao traduzir a degradação mental de sua protagonista. A atriz evita a histeria fácil nos dois primeiros atos. Ela foca no isolamento progressivo de Rose, construindo uma personagem que perde a credibilidade profissional e familiar de forma angustiante. O pavor absoluto nos olhos de Bacon vende a ameaça muito melhor do que a computação gráfica tenta fazer mais tarde.

A câmera de Charlie Sarroff complementa essa descida ao inferno com escolhas visuais ríspidas. Planos holandeses acentuados e lentos zooms invertidos colocam o espectador no mesmo estado de desorientação da médica. O espaço negativo ao redor de Rose é sempre propositalmente vasto. Há uma sensação constante de que algo vai preencher esse vazio, mantendo a tensão esticada ao limite.

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O problema surge quando o elástico precisa, inevitavelmente, ceder. A partir da metade da projeção, a direção abandona o terror atmosférico para abraçar o sobressalto ruidoso. O choque por volume repentino substitui a construção minuciosa do medo nas sequências noturnas. Algumas dessas quebras de expectativa funcionam, como a montagem do ataque envolvendo a irmã de Rose no carro, mas a repetição anestesia o público.

A investigação paralela liderada por Joel (Kyle Gallner) transforma o terceiro ato num thriller procedimental burocrático. O roteiro se obriga a explicar as regras de sobrevivência do monstro, mastigando o mistério que sustentava a ansiedade inicial. A narrativa perde tempo rastreando vítimas anteriores em vez de focar no colapso de sua protagonista. Quando o mal perde o véu do desconhecido, ele também perde os dentes.

O clímax consolida essa derrapada temática na casa isolada. A materialização literal da dor em uma criatura física esvazia a alegoria psicológica que o texto vinha cultivando. Em vez de enfrentar a própria mente fraturada, Rose luta contra um modelo de CGI excessivamente iluminado. A resolução cínica acerta o soco no estômago, mas o trajeto até lá soa menos orgânico do que a ideia original exigia.

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A estreia de Parker Finn é um parque de diversões sob medida para quem busca tensão escapista em uma sala escura. O diretor demonstra precisão técnica na construção da atmosfera, ancorado por uma performance de resistência vital de Sosie Bacon. Para o espectador que tolera clichês de investigação e um terceiro ato expositivo, a experiência funciona como um pesadelo angustiante sobre a inescapabilidade da dor. (Disponível na Claro tv+, Paramount+, Prime Video e Apple TV).

Nota: ★★★☆☆

Ficha Técnica

Smile – EUA, 2022.

Direção: Parker Finn

Roteiro: Parker Finn

Gêneros: Terror, Suspense, Psicológico

Elenco: Sosie Bacon, Kyle Gallner, Jessie T. Usher, Robin Weigert, Caitlin Stasey, Kal Penn

Duração: 115 minutos